Caio Pimenta analisa os fatores que levaram “Parasita” a ser o histórico vencedor do Oscar 2020.

Vencer um Oscar envolve muito mais do que ter “apenas” um grande filme em mãos. É preciso levar em conta uma série de fatores para que você consiga o prêmio máximo do cinema americano. “Parasita” soube jogar o jogo como poucos e ainda teve diversos contextos que permitiram essa vitória. Para mim, cinco motivos ilustram isso muito bem.

INTERNACIONALIZAÇÃO DA ACADEMIA

O primeiro deles é a internacionalização da Academia. Desde a presidência da Cheryl Boone Isaacs, o número de novos membros vindos de fora dos EUA tem crescido bastante. Para se ter uma ideia, pessoas de 58 países compõem 20% dos 9 mil membros da entidade.

Essa busca para rejuvenescer o Oscar como resposta às críticas de preconceito contra minorias e para dar maior relevância a importantes mercados para Hollywood contribuiu ajudou “Parasita”.

TEMÁTICA DO MOMENTO

O segundo motivo é que “Parasita” representava a principal temática do ano: a desigualdade social e o abismo entre as classes.

Coringa” e “Indústria Americana”, produções também premiadas no Oscar 2020, tocaram no assunto com diferentes pontos de vista, assim como sucesso nacional “Bacurau”.

PÚBLICO MAIS AMPLO

O terceiro motivo está relacionado à capacidade de “Parasita” falar com um público mais amplo do que as produções do exterior que já disputaram o Oscar de Melhor Filme anteriormente.

Com sua mistura de drama, comédia, suspense dentro de importantes críticas sociais, “Parasita” é uma produção capaz de agradar desde o público mais jovem ao mais velho. Diferente, por exemplo, de “Roma” e “Amor” que poderiam encontrar maior resistência entre os mais jovens e “O Tigre e o Dragão” entre os mais velhos, somente para ficar em casos recentes.

CONCORRENTES ENFRAQUECIDOS

A queda de concorrentes importantes durante a temporada de premiações é o quarto motivo que ajudou “Parasita” a levar o Oscar.

Se “O Irlandês” enfrentou resistência severa pelas 3h30, um pecado para os dias atuais, “Era uma vez em Hollywood” tinha a figura controversa de Quentin Tarantino e as mudanças históricas em relação a Sharon Tate como um empecilho. “História de um Casamento” ruiu no meio do caminho, “Coringa” era muito divisivo  e violento para uma Academia que acabara de premiar “Green Book”, e “Adoráveis Mulheres” e “Jojo Rabbit” nunca se firmaram como potenciais candidatos a Melhor Filme.

Daí, ficou “1917” como maior rival, porém, o quinto motivo explica a derrota do Sam Mendes.

ESTRATÉGIA PERFEITA

Com uma estratégia inteligente de fazer um lançamento pequeno em circuito alternativo, apostando no boca-a-boca positivo e no buzz criado pelas redes sociais, a Neon foi trabalhando a ideia de que não de que não havia oportunidade melhor do que aquela de realizar um feito histórico e premiar a primeira produção não falada em inglês dentro da Academia. O fato poderia até ser visto como uma resposta ao conservadorismo da escolha de “Green Book”, em 2019.

A maior demonstração do clima pró-Parasita aconteceu no SAG quando os atores foram aplaudidos de pé em duas ocasiões e a produção fez história ao levar o prêmio de Melhor Elenco.

Ali começava a ser selado um caminho que “1917” até tentou impedir com conquistas no DGA, PGA e Bafta, porém, acabou sendo mais forte a sensação de que era hora de fazer história.

E O FUTURO?

A vitória de “Parasita” também demonstra uma força dos estúdios menores em relação aos todo-poderosos de Hollywood. Nos últimos anos, vimos a Fox Searchlight vencer três vezes com “12 Anos de Escravidão”, “Birdman” e “A Forma da Água”, a Open Road com “Spotlight”, a A24 com “Moonlight”, e, agora, a Neon com “Parasita”. A exceção ficou com “Green Book” da Universal Pictures.

A grande questão, agora, é saber qual será o impacto desta vitória. O Oscar vai se abrir, finalmente, para as produções ao redor do planeta ou vamos voltar ao conservadorismo? Sinceramente, não acho que a gente vai ver isso virar rotina de vermos produções francesas, alemães, sul-coreanas, brasileiras vencendo Melhor Filme. Acredito sim que a tendência é que haja sempre um espaço para produções de fora dos EUA indicadas até pela questão de mercado da festa.

Pelo menos, a recepção à vitória de “Parasita” tem sido boa dentro de Hollywood até que se prove o contrário devido à boa repercussão da cerimônia deste ano. Porém, a pior audiência da história do Oscar pode jogar contra isso. De qualquer modo, o feito histórico está sendo menos traumático do que ocorreu quando “Hamlet” se sagrou a primeira produção não-americana a vencer o Oscar, em 1949. Em revolta à decisão, os principais estúdios de Hollywood cessaram os repasses financeiros feito à Academia.

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