De Maggie Smith a Jane Fonda, Caio Pimenta apresenta o ranking das vencedoras do Oscar de Melhor Atriz nos anos 1970. Lembrando: essa lista inclui as edições de 1970 a 1979. 

10. FAYE DUNAWAY, por “REDE DE INTRIGAS” 

A décima posição fica com a Faye Dunaway, ganhadora do prêmio em 1977 por “Rede de Intrigas”. 

Não que ela esteja mal no filme, porém, perto da contundência do roteiro muito bem escrito e de uma atuação soberba do Peter Finch, a Faye Dunaway acaba por ficar em segundo plano na história. Para piorar, a subtrama dela com o personagem do William Holden nunca convence e poderia ter sido cortada facilmente. 

Na verdade, era para a Faye Dunaway ter vencido o Oscar por “Bonnie & Clyde”, o filme que transformou o cinema americano e abriu espaço para a Nova Hollywood. 

9. GLENDA JACKSON, por “UM TOQUE DE CLASSE” 

Em 1974, a Glenda Jackson venceu o segundo Oscar da carreira pelo desempenho na comédia “Um Toque de Classe”. 

Interpretando uma mulher que se envolve com um homem casado, a atriz faz uma ótima dupla com o George Segal. Os dois são divertidíssimos, rápidos, ágeis, além de formar um casal para lá de bonito. A presença da Glenda Jackson é tão marcante ao ponto de fazer “Um Toque de Classe” subir de patamar dentro das comédias românticas. 

Mesmo assim, não tem nada de outro mundo. Se a gente tivesse um ano de concorrentes mais fortes, talvez, ela não ganharia. 

8. JANE FONDA, por “AMARGO REGRESSO” 

Assim como a Glenda Jackson, a Jane Fonda venceu dois Oscars nos anos 1970 e o segundo deles veio em 1979 por “Amargo Regresso”. 

No melancólico do Hal Ashby sobre os efeitos da Guerra do Vietnã nos jovens soldados americanos, a Jane Fonda acaba por servir como a representação de uma esperança, do futuro, da possibilidade de uma nova vida. Seja pela atenção e o amor aos personagens do Bruce Dern e do Jon Voight, ela preenche este lado do espectador que busca acalentar figuras tão traumatizadas. 

Algo interessante de observar em “Amargo Regresso” e também no outro filme do Hal Ashby, “Muito Além do Jardim” é a questão do orgasmo feminino: nos dois projetos, as protagonistas, a Jane Fonda e a Shirley MacLaine, tem cenas muito parecidas em relação a isso, o que ainda é tabu no cinema americano hoje em dia. 

7. GLENDA JACKSON, por “MULHERES APAIXONADAS” 

Eu volto a falar da Glenda Jackson: em 1971, ela conquistou o Oscar por “Mulheres Apaixonadas”. 

Neste fascinante drama de época do Ken Russell, a Glenda Jackson faz uma mulher envolvida com o filho do dono de uma mina de carvão em crise existencial. A personagem traz um quê de mistério, cinismo e sensualidade, mas nunca chega a ter traços definidos e concretos, o que acaba casando muito bem com um filme longe de fáceis. 

Uma curiosidade é que a vitória da Glenda Jackson foi a primeira de uma personagem com cenas de nudez na categoria de Melhor Atriz. 

6. MAGGIE SMITH, por “A PRIMAVERA DE UMA SOLTEIRONA” 

O primeiro Oscar de Melhor Atriz nos anos 1970 foi para a Maggie Smith, por “A Primavera de uma Solteirona”. 

Não é difícil de entender a fascinação de todos os personagens pela professora Jean Brodie: a Maggie Smith desfila toda a elegância britânica ao entrar em cena aliada a uma figura segura, liberal, inteligente e extremamente bonita. Porém, isso não significa que ela não possua fragilidades e a delicadeza da atriz em apresentar isso em pequenas nuances completa o show. 

Acho que é uma dica bem válida assistir esse filme para quem só conhece a Maggie Smith de “Harry Potter” ou “Downton Abbey”. 

5. LOUISE FLETCHER, por “UM ESTRANHO NO NINHO” 

Pode até ser uma fraude de categoria, porém, não dá para dizer que a Louise Fletcher não merecia o Oscar. 

Em “Um Estranho no Ninho”, a atriz consegue criar o antagonismo perfeito com o Jack Nicholson. Enquanto ele explode de raiva com os absurdos visíveis, ela transparece calma e toda frieza do mundo. Mesmo que não apareça tanto assim no filme, a Louise Fletcher consegue criar uma das maiores vilãs da história do cinema. 

Uma pena que depois deste trabalho ela praticamente não realizou mais nenhum grande filme. 

4. ELLEN BURSTYN, por “ALICE NÃO MORA MAIS AQUI”

Quem disse que o Martin Scorsese não sabe fazer bons filmes protagonizados por mulheres? Mesmo não sendo o gênero preferido dele, ele mandou bem com “Alice Não Mora Mais Aqui”, filme que rendeu o Oscar de Melhor Atriz para Ellen Burstyn, em 1975. 

No auge da carreira após duas indicações por “A Última Sessão de Cinema” e “O Exorcista”, a Ellen Burstyn constrói uma personagem longe das saídas fáceis. Muito pelo contrário: a Alice encara com maior perseverança todos os obstáculos enfrentados para melhorar a vida dela e do filho. Ainda assim com todas as agruras, resta uma dose de ternura seja na hora de cantar ou de se apaixonar. 

3. JANE FONDA, POR “KLUTE” 

Hora do pódio! E a medalha de bronze vai para a Jane Fonda, vencedora do Oscar de 1972 pelo suspense “Klute – O Passado Condena”. 

A Jane Fonda coloca um verdadeiro ponto de interrogação na cabeça do espectador neste filmaço do Alan J Pakula. Afinal, ela trabalha muito bem a dubiedade de uma atriz sem chances de trabalho recorrendo à prostituição para sobreviver. Porém, diferente do que seria costumeiro, a personagem se sente atraída por este tipo de vida por ter o domínio das ações, algo negado a ela fora daquela realidade. 

A Jane Fonda sabe muito usar a sensualidade dela aqui e cria uma personagem que carrega o filme. Talvez, sem ela, o “Klute” perderia grande parte da força que tem. 

2. DIANE KEATON, por “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”

Muito gente lembra do “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” pelo Woody Allen, mas, eu acho que a alma desta comédia romântica responde pela Diane Keaton. 

Que me desculpe a Mia Farrow, Dianne Weist, Marisa Tomei, Scarlett Johansson ou Emma Stone: nenhuma atriz esteve melhor em um filme dirigido pelo Woody Allen do que a Diane Keaton. Vencedora do Oscar em 1978, ela contrapõe, ao mesmo tempo, em que ironicamente combina com o protagonista. Essa parceria é que enriquece o filme para além das tradicionais comédias do diretor, transformando-se em um retrato comovente sobre todas as etapas de um relacionamento. 

1. LIZA MINELLI, por “CABARET”

Fechando este TOP 10, na primeira colocação, a gente tem a Liza Minelli, vencedora do prêmio de Melhor Atriz em 1973 por “Cabaret”. 

Soma o vozeirão para cantar as músicas maravilhosas do filme. Agora, soma as performances sensuais no palco do cabaré. Acrescenta também a energia contagiante de uma estrela no auge da carreira. E, por fim, adiciona a habilidade para o humor.

Esse pacote completo é entregue pela Liza Minelli em uma performance contagiante do início ao fim do musical do Bob Fosse. 

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