De “Chicago” a Julia Roberts, Caio Pimenta traz os dez resultados injustos do Oscar nos anos 2000.

10. MICHAEL CAINE, por “REGRAS DA VIDA 

O Michael Caine é um cara super legal e com talento para dar e vender. Não é à toa que segue uma carreira de sucesso há cinco décadas. Agora, com todo o respeito, não era para ele ter vencido o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em 2000. 

De fato, o Caine é o grande destaque do elenco de “Regras da Vida” e emociona o público nos principais momentos do filme. Porém, não dá para comparar com o Tom Cruise em “Magnólia”. No último grande do trabalho do astro nos cinemas, ele se supera como um guru do sexo com traumas familiares. 

Lá no site do Cine Set, eu já falei como não aceito o Tom Cruise somente fazer filme de ação. Eu acho que dava para ele conseguir mesclar projetos com grandes diretores como ele fazia nessa época. E “Magnólia” é o melhor trabalho dele disparado nos cinemas. 

9. SEAN PENN, por “MILK” 

O Sean Penn venceu dois Oscars nos anos 2000: o primeiro veio com “Sobre Meninos e Lobos” e depois com “Milk”. E é justamente por este filme que eu acho que ele não deveria ter vencido o prêmio. 

Claro que o Sean Penn está ótimo no filme do Gus Van Sant em uma atuação longe da caricatura, uma armadilha que ele foge muito bem. Porém, o Mickey Rourke simples arrasa em “O Lutador”. É um papel que somente ele poderia fazer até pela forma como o personagem se entrelaça com a vida real do ator. Assim como Randy Robinson, o Rourke sabia que essa seria a último grande oportunidade dele e, por isso, se entrega tanto à obra do Darren Aronofsky. 

8. MARCIA GAY HARDEN, por “POLLACK”

Eu adoro quando uma surpresa no Oscar, porém, essa não é uma das minhas favoritas. 

Em 2001, a Kate Hudson vinha forte para conquistar o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo trabalho em “Quase Famosos” após vencer o Globo de Ouro. A Judi Dench, porém, venceu o SAG por “Chocolate”, enquanto a Julie Walters levou o Bafta por “Billy Elliot”. No Oscar, a Marcia Gay Harden passou na frente de todas e levou o prêmio. 

Aqui, para mim, o Oscar deveria ter ido para Kate Hudson que está perfeita como a Penny Lane, a groupie da banda Stillwater. Até hoje, a gente lembra da personagem; o mesmo não dá para dizer sobre a Marcia Gay Harden em “Pollack”. 

7. CHICAGO 

Eu adoro “Chicago”: acho os números musicais criativos para driblar a resistência de quem não gosta do gênero, as músicas são deliciosas e o trio protagonista – Renée Zellweger, Richard Gere e Catherine Zeta-Jones – mandam bem. Mesmo com tudo isso, o Oscar 2003 deveria ter ido para outro filme. 

O verdadeiro vencedor tinha que ter sido a obra-prima do Roman Polanski, “O Pianista”. O filme tinha tudo para dominar o evento já que levou os Oscars de Melhor Direção, Ator com Adrien Brody e Roteiro Adaptado, porém, de última hora foi surpreendido por “Chicago” na categoria principal. 

“O Pianista” é um dos pontos altos da carreira do Polanski no mesmo patamar de clássicos como “O Bebê de Rosemary” e “Chinatown”. Isso já diz bastante sobre a grandeza do filme. 

6. TILDA SWINTON, por “CONDUTA DE RISCO” 

Cruel dizer que o Oscar da Tilda Swinton foi injusto, mas, acho que ela mesmo não teria votado nela. 

Afinal de contas, a Tilda Swinton é conhecida por personagens esquisitões, diferentes e, muitas vezes, confundindo o masculino e feminino. E foi justamente isso que a Cate Blanchett faz em “Não Estou Lá” ao interpretar Bob Dylan. Entre tantos nomes gigantes como Christian Bale e Heath Ledger, ela é quem melhor incorpora o genial músico. 

Porém, a Academia preferiu a atuação mais “careta” da carreira da Tilda Swinton, o que diz bastante sobre o Oscar. 

5. MAR ADENTRO 

Em 2005, a Espanha venceu o Oscar de Melhor Filme em Língua Não-Inglesa por “Mar Adentro”. 

O filme do Alejandro Amenábar estrelado pelo Javier Bardem emociona o público com uma história real de um tetraplégico que luta pelo direito de morrer. Mas, não dá para comparar com o candidato alemão “A Queda”. A produção mostra com uma precisão absurda e sufocante os últimos dias das lideranças nazista com um show de atuação do Bruno Ganz. 

Enquanto “A Queda” segue na mente de todo cinéfilo até hoje, “Mar Adentro” perdeu bastante da força, principalmente, após o lançamento de “O Escafandro e a Borboleta”, um filme sobre a mesma temática, mas, ainda muito melhor. 

4. RON HOWARD, por “UMA MENTE BRILHANTE”

Poderia até ter colocado a vitória de “Uma Mente Brilhante” sobre “O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel” e “Moulin Rouge”, mas, a categoria de Melhor Filme foi mais escandalosa. 

Operário-padrão do cinema americano, Ron Howard faz um trabalho bastante correto à frente de “Uma Mente Brilhante” seguindo a cartilha das cinebiografias. Porém, não se aproxima do brilhantismo de Peter Jackson na adaptação quase perfeita do mundo da Terra Média, da elegância de Robert Altman no ótimo “Assassinato em Gosford Park” e muito menos na genialidade de David Lynch no intrigante “Cidade dos Sonhos”. 

3. FALCÃO NEGRO EM PERIGO 

Continuando no Oscar 2002, a categoria de Melhor Montagem teve um resultado que o tempo mostrou ser um grande equívoco. 

Repleto de grandes sequências de ação e trazendo a urgência da guerra, “Falcão Negro em Perigo”, de fato, tem uma montagem muito boa, mas, muito longe da excelência atingida por “Amnésia”. Grande parte do sucesso deste suspense que impulsionou a carreira do Christopher Nolan está na forma como a história é contada, de trás para frente, sendo os personagens ressignificados a todo momento pelas descobertas feitas ao longo do filme. 

Essa vitória, aliás, poderia ter sido uma forma da Academia reconhecer um filmaço que foi praticamente esnobado no Oscar. 

2. JULIA ROBERTS, POR “ERIN BROCKVICH”

Essa é uma crítica de 11 entre 10 cinéfilos: a vitória da Julia Roberts, por “Erin Brockvich”, em Melhor Atriz. 

A Julia Roberts era uma das atrizes mais queridas e rentáveis de Hollywood sem um Oscar em 2001. A oportunidade perfeita veio neste filme do Steven Soderbergh em que ela pode mostrar a habilidade dela em transitar pelo drama e humor. Porém, o que faz a Ellen Burstyn está em outro patamar: o desespero do vício é latente desde o visual até os gestos e falas de uma pessoa que já perdeu a luta contra as drogas. 

Este poderia ter sido o segundo Oscar da carreira da Ellen Burstyn: ela venceu o prêmio de Melhor Atriz em 1975 com “Alice Não Mora Mais Aqui”. Já a Julia Roberts, talvez, continuaria sem uma estatueta até hoje. 

1. CRASH – NO LIMITE

O primeiro lugar deste TOP 10 é outra unanimidade: a vitória inexplicável de “Crash” no Oscar 2006. 

Quando “Brokeback Mountain” foi surpreendido na categoria máxima do Oscar após Ang Lee vencer o prêmio de Direção, a Academia escancarou seu conservadorismo total. Optou por premiar “Crash”, um projeto que busca falar de diversos tipos de preconceitos, mas, de modo generalista e colocando todos estes problemas sociais no mesmo saco.  

O Oscar só foi premiar uma produção com um viés LGBT recentemente 2017 com “Moonlight – Sob a Luz do Luar”. Ainda muito, muito pouco para um mundo que busca mais inclusão. 

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