De Christopher Nolan a David Fincher, Caio Pimenta traz as primeiras previsões sobre os possíveis indicados ao Oscar de Melhor Direção em 2021. 

CHANCES PEQUENAS 

Grandes nomes do cinema americano não aparecem muito cotados para o Oscar 2021. 

O Christopher Nolan, por exemplo, passou longe de salvar o cinema com “Tenet” e, para piorar, o filme não teve uma reação das mais empolgadas por parte da crítica. Se for indicado, será uma boa vontade extrema da Academia. Com “Soul”, o Pete Docter tenta quebrar a sina de um diretor de animação não ser indicado na categoria. Mas, é bem improvável que aconteça.  

O Ryan Murphy chega com “The Prom” e vai tentar transferir o sucesso dos prêmios da TV para os cinemas. Por enquanto, ainda é um azarão. Já o Ridley Scott e o Joel e Ethan Coen são grandes dúvidas: ninguém sabe se “O Último Duelo” e “A Tragédia de Macbeth” ficam ou não prontos a tempo do Oscar. O Tom McCarthy, diretor de “Spotlight”, chega com “Stillwater”, porém, até agora, não surge na lista dos favoritos de ninguém assim como o Taika Waititi, de “Next Goal Wins”. 

Entre as mulheres, a Liesl Tommy, de “Respect”, terá que apresentar algo além de uma cinebiografia tradicional para conseguir a indicação. Nos últimos anos, trabalhos do tipo não tiveram tanta chance na categoria. Já a Eliza Hittman, de “Never Rarely Sometimes Always” e a Kelly Reichardt, de “First Cow”, dependerão de estratégias de campanha dos seus estúdios para chegarem fortes na briga. No momento, estão para trás. A Halle Berry pode crescer com “Bruised” comprado por US$ 30 milhões pela Netflix. 

O Mike Mills, de “C´MonC´Mon”, Azazel Jacobs, de “A Saída Francesa” também surgem como azarões e, por fim, a turma que será eclipsada por suas atrizes. 

Bastante divisivo em seu lançamento, “Ammonite” deve render indicações para a Saoirse Ronan e Kate Winslet, agora, para o Francis Lee, é bem mais difícil. A mesma situação se encontra o Emerald Fennell de “Promising Young Woman” em que a Carey Mulligan rouba a cena. 

CHANCES MÉDIAS 

Vamos para quem tem chances médias de aparecer entre os indicados. Três diretores negros estão aqui. 

É o caso do Spike Lee, de “Destacamento Blood”, que pode render a segunda indicação da carreira dele. O George C. Wolfe, de “Ma Rainey´s Black Bottom”, e o Shaka King, de “Judas e o Messias Negro” também podem chegar lá. 

Vencedor do Oscar por “Uma Mente Brilhante”, o Ron Howard chega com “Hillbilly Elegy” dirigindo ‘apenas’ Amy Adams e Glenn Close, enquanto o Paul Greengrass retoma a parceria com o Tom Hanks em “News of the World”.  

O Aaron Sorkin com “Os Sete de Chicago” vem colecionando elogios e cresceu nos últimos dias, porém, ainda não dá para cravá-lo entre os finalistas. As expectativas são bem altas para o retorno da Sofia Coppola com “On the Rocks”. Já o Denis Villeneuve com “Duna” é uma incógnita: vai repetir o feito de “A Chegada” ou será esnobado como ocorreu com “Blade Runner 2049”? Se o Florian Zeller, de “The Father”, parece mais consistente na corrida, o Kórnel Mundruzcó pode ser uma surpresa com “Pieces of a Woman”. 

Duas dúvidas fecham estes candidatos com as chances médias: primeiro, se “The French Dispatch”, o novo filme do Wes Anderson, vai disputar o Oscar ou vai aguardar Cannes 2021. É uma possibilidade que começar a surgir muito forte nos últimos dias. Temos também o Lee Isaac Chang, de “Minari”: o filme será a grande aposta da A24, porém, será que a Academia voltará a focar em uma produção sul-coreana logo após o estouro de “Parasita”? Tenho minhas dúvidas. 

CHANCES ALTAS 

Claro que é sempre bom ressaltar está bem distante do Oscar, mas, eu acho que tem três nomes garantidos em Melhor Direção. O primeiro deles é a Regina King que estreia na direção com “One in Night in Miami”. O filme foi comprado pela Amazon Studios e rendeu altos elogios para a estrela vencedora do Emmy nos festivais de Veneza e Toronto. 

Porém, o Oscar de direção caminha para ser polarizado entre dois nomes. 

De um lado, tem Chloe Zhao, de “Nomadland”. Conta a favor dela o histórico dos últimos anos em que diretores premiados em Veneza conquistaram a categoria no Oscar. Foi assim com o Guillermo Del Toro, em “A Forma da Água”, e o Alfonso Cuáron, por “Roma”. Além disso, há o aspecto feminista da gente voltar a ver uma mulher a vencer a categoria.

Porém, o oponente dela é David Fincher. Ele chega com “Mank”, filme sobre o duelo entre Orson Welles e o roteirista Herman Mankiewicz nos bastidores de “Cidadão Kane”. Aqui, pesa o fato dele, um dos maiores cineastas americanos da atualidade, nunca ter vencido o Oscar. 2021 pode ser a grande oportunidade. 

Nesta previsão inicial, eu acho que os indicados serão o David Fincher, Chloe Zhao, Regina King, Aaron Sorkin e o Shaka King. 

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