Cate Blanchett: o ideal de atriz de uma geração. 

Essa era o título de um artigo do Cine Set sobre a carreira desta australiana feito pelo Renildo Rodrigues. O link está na descrição. 

E cá entre nós, o título de modo algum parece exagerado: a Cate Blanchett, ao lado da Kate Winslet, se tornou a maior atriz dos últimos anos do cinema americano emendando uma série de grandes filmes ao lado de diretores extraordinários. 

No Oscar, ela já teve sete indicações com duas vitórias. Neste vídeo, eu analiso todas as nomeações elencando da pior até a melhor. 

7. ELIZABETH: A ERA DE OURO 

A indicação mais fraca da Cate Blanchett veio em 2008 com um repeteco da primeira nomeação dela. 

Em “Elizabeth: A Era de Ouro”, a atriz volta a interpretar a rainha britânica encarando, desta vez, as pressões da Igreja Católica a partir do rei da Espanha, Filipe II. Apesar de ter mais uma atuação excelente, a Cate Blanchett sofre com um filme que nunca empolga repetindo os problemas do original. 

Vencido pela Marion Cotillard, de “Piaf”, o Oscar 2008 de Melhor Atriz não foi dos mais empolgantes, o que contribuiu para a nomeação da Cate Blanchett. Na comparação com as demais indicadas – a Laura Linney, de “A Família Savage”, Julie Christie, por “Longe Dela”, e Ellen Page, por “Juno” – a australiana era a candidata mais fraca. 

6. NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO 

A atuação menos badalada da Cate Blanchett indicada ao Oscar vem da cerimônia de 2007. 

Por “Notas sobre um Escândalo”, ela foi indicada a Melhor Atriz Coadjuvante. No longa, ela interpreta uma professora chantageada pela personagem da Judi Dench por conta de um relacionamento com um estudante adolescente. Esse duelo entre as duas vale o filme em que o desespero da Blanchett fica palpável a cada nova situação, envolvendo o público na história. 

O prêmio acabou indo para a Jennifer Hudson, de “Dreamgirls”. Apesar de gostar da Blanchett no filme, acho que seria um exagero a vitória dela pelo filme. 

5. ELIZABETH 

A Cate Blanchett se firmou definitivamente na carreira com “Elizabeth”, em 1998, conseguindo a primeira indicação ao Oscar de Melhor Atriz. 

Se algo realmente funciona no insosso drama de época dirigido pelo Shekhar Kapur está em sua protagonista. Do alto de seus 29 anos, a Blanchett coloca vivacidade na figura da Rainha Elizabeth I e como ela vai se moldando ao cargo que ocupa com todas as pressões ao seu redor. 

Naquele fatídico o Oscar 99 de Melhor Atriz, era evidente que o trabalho mais completo era da Fernanda Montenegro, de “Central do Brasil”. Porém, ela jamais venceria. A única com chances de tirar aquela estatueta da Gwyneth Paltrow, de “Shakespeare Apaixonado”, era justamente a Blanchett.

Infelizmente, a Academia optou pelo caminho mais fácil. 

4. CAROL 

Carol, com Cate Blanchett

Aqui, o nível se eleva demais com a nomeação da Cate Blanchett por “Carol” em 2016. 

No longa do Todd Haynes, ela vive uma mulher casada que se apaixona por uma balconista de uma loja em Nova York em pleno anos 1950. A Blanchett realça a elegância da personagem enquanto transita entre a sensualidade no romance com a Rooney Mara e as agruras de viver este amor em um tempo ainda muito preconceituoso. 

Não tivesse sido vencedora do Oscar tão recentemente com “Blue Jasmine”, certamente a australiana entraria como grande candidata a Melhor Atriz em 2016.

Perdeu para a Brie Larson, de “O Quarto de Jack”. 

3. O AVIADOR 

A atriz com mais Oscars de todos os tempos ajudou a Blanchett a conquistar a sua primeira estatueta. 

Em “O Aviador”, a Cate Blanchett interpreta a Katharine Hepburn em seu relacionamento de idas e vindas com o Howard Hughes. A intensidade, o jeito rápido de falar, o sotaque carregado do nordeste dos EUA e a impetuosidade da estrela de “Núpcias de um Escândalo” são captados à perfeição pela australiana em um desempenho arrasador. 

No Oscar de atriz coadjuvante de 2005, a Cate Blanchett superou a atuação maravilhosa da Natalie Portman, por “Closer”. Coisas do destino vermos duas interpretações soberbas nomeadas no mesmo ano. 

2. BLUE JASMINE 

Demorou, mas, a Cate Blanchett finalmente conquistou o Oscar de Melhor Atriz em 2013 por “Blue Jasmine”. 

Nesta ótima comédia, ela faz uma divertida e melancólica mulher encarando o fato de voltar a viver na pobreza após o divórcio do marido milionário. A Blanchett se equilibra na persona típica dos protagonistas do Woody Allen com leves traços da Vivian Leigh, de “Uma Rua Chamada Pecado” conseguindo, ao mesmo tempo, criar algo novo e cheio de personalidade. 

Era um Oscar tão esperado que foi indiscutível a vitória dela sem dar a menor chance para a Amy Adams, por “Trapaça”, ou a Sandra Bullock, de “Gravidade”. 

1. NÃO ESTOU LÁ 

A melhor atuação da Cate Blanchett indicada ao Oscar foi por um gigante da cultura pop. 

Sendo uma das intérpretes de Bob Dylan em “Não Estou Lá”, a Blanchett estabelece de uma vez por todas a aura enigmática do músico ao encarnar tão bem a forma de falar e os gestos dele a partir de uma figura andrógina. Quando surge em cena como June Quinn, tudo para e parece menor, inclusive, seus parceiros de cena. 

Curiosamente, em 2008, ela perdeu o Oscar de Atriz Coadjuvante para a Tilda Swinton, outra intérprete que pisa nesta barreira de gênero em relação a personagens. Não fico chateado pelo prêmio, pois, a Tilda é uma das minhas atrizes favoritas e, dificilmente, ganhará outro Oscar tão cedo, mas, se fosse só por interpretação, aquela estatueta deveria ser da Blanchett. 

A ESNOBADA – “OSCAR E LUCINDA” 

Falamos das sete indicações, mas, qual grande trabalho não teve esta honraria, mas, merecia a nomeação? O meu escolhido é de 1997. 

Antes de “Elizabeth”, a Cate Blanchett estrelou “Oscar e Lucinda”. No longa dirigido pela Gillian Armstrong, ela faz a personagem-título, uma empresária australiana que desafia a sociedade.

Certo dia, durante um jogo de cartas, ela encontra Oscar, um homem religioso vivido pelo Ralph Fiennes.

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