De Robert De Niro, por “Touro Indomável”, a Dustin Hoffman, por “Rain Man”, Caio Pimenta analisa o TOP 10 dos vencedores do Oscar de Melhor Ator nos anos 1980.

10. ROBERT DUVALL, por “A FORÇA DO CARINHO”

Em 1984, o Robert Duvall venceu o Oscar pelo trabalho em “A Força do Carinho”. E esse título brasileiro já diz bastante sobre a qualidade do filme. 

Vivendo um cantor country alcoólatra tendo uma nova chance ao encontrar uma família traumatizada, o Duvall coloca dignidade com seu sotaque texano e boa interpretação nas canções em um filme morno e sem grandes momentos.   

Ainda assim, você fica se perguntando o que diabos teve de tão empolgante para ele vencer o Oscar. Talvez, a resposta esteja no ano fraquíssimo: 1984 teve uma das piores seleções do prêmio em todas as categorias. Não é à toa que “Laços de Ternura” venceu sem muita dificuldade. 

9. DUSTIN HOFFMAN, por “RAIN MAN” 

O segundo Oscar do Dustin Hoffman na década aconteceu em 1989 pelo trabalho em “Rain Man”. 

O maior mérito do Hoffman no filme é conseguir interpretar um deficiente mental de forma respeitosa, fugindo da caricatura em um trabalho com a habitual sutileza. A dupla com o Tom Cruise também funciona bem tanto no drama quanto no humor. 

A disputa estava bem forte com o Gene Hackman, por “Mississipi em Chamas” e Tom Hanks, por “Quero Ser Grande”. Mesmo assim, acabou sendo justa essa vitória. 

8. PAUL NEWMAN, por “A COR DO DINHEIRO” 

“A Cor do Dinheiro” pode até ser um filme menor do Scorsese, porém, entrou para a história ao ser o projeto que rendeu o único Oscar da carreira do Paul Newman. 

Nem mesmo toda a energia do Tom Cruise no auge da beleza foi suficiente para eclipsar Newman deliciosamente charmoso e sagaz. Conhecedor único do cinema americano, o Scorsese sabe explorar a elegância de um dos maiores astros da história de Hollywood como poucos. 

Claro que o Paul Newman merecia ter vencido por outros filmes como “Butch Cassidy”, “Golpe de Mestre” ou “O Veredicto”. Mesmo assim, é melhor ele ter ganhado por “A Cor do Dinheiro” do que por nenhum. 

7. BEN KINGSLEY, por “GANDHI” 

Evidente que tinha de ter uma atuação de cinebiografia pelo caminho e ela veio em 1983 com o Sir Ben Kingsley interpretando o maior líder indiano. 

Em contraste à escala épica do filme, Ben Kingsley sabe que a grandeza de Gandhi estava no comedimento e bom senso da sua política de não-violência. Com isso, a tranquilidade acompanhada da firmeza das ações do ícone da Índia é bem defendida pelo ator, tornando a experiência menos tediosa. 

Uma coisa legal que a disputa de Melhor Ator em 83 foi uma das melhores da década: a gente teve o Dustin Hoffman indicado por “Tootsie”, o Paul Newman com “O Verecdito” e o mestre Jack Lemmon por “Desaparecido, um Grande Mistério”. 

6. DUSTIN HOFFMAN, por “KRAMER VS KRAMER” 

O Dustin Hoffman volta aqui na lista na sexta posição pelo desempenho dele em “Kramer Vs Kramer”, pelo qual venceu o Oscar em 1980. 

No ótimo drama do Robert Benton, o Hoffman parece fazer ser fácil a construção de um personagem que poderia ser um vizinho nosso. Isso graças a uma simplicidade e sutileza nos gestos e forma de falar e agir, criando um laço quase natural com o público. “Kramer Vs Kramer” ainda se manter firme como um dos melhores filmes ao tratar sobre o duro processo de separação em muito se deve à essa conexão criada pelo ator junto ao espectador. 

5. HENRY FONDA, por “NUM LAGO DOURADO”    

A história foi feita em 1982 quando o Henry Fonda conquistou o Oscar por “Num Lago Dourado”. 

Seja no humor de um senhor rabugento ou no drama de uma pessoa sentindo a proximidade do fim da vida e as fragilidades impostas pela velhice, o Henry Fonda domina “Num Lago Dourado” transbordando seu tradicional carisma. A química com a Katharine Hepburn completa a receita para um filme delicioso. 

O triste desta história é que, infelizmente, o Henry Fonda não pode comparecer à cerimônia para receber o prêmio: ele já estava muito doente e morreu meses da cerimônia. 

4. MICHAEL DOUGLAS, por “WALL STREET” 

O Michael Douglas levou o Oscar de Melhor Ator em 1987 pelo desempenho excelente em “Wall Street”. 

Semelhante ao que fez Heath Ledger em “Cavaleiro das Trevas”, o Michael Douglas se destaca tanto como Gordon Gekko que a gente nem lembra que, na verdade, ele não era o protagonista do filme – aqui, no caso vivido pelo Charlie Sheen.  A prepotência e arrogância do personagem são gigantes como o ego dele, mas, ao mesmo tempo, essa combinação gera um estranho fascínio, o que cria uma das figuras mais interessantes do cinema americano nos anos 1980. 

Assim como falei do Tommy Lee Jones no vídeo anterior, foi um personagem que caiu tão bem no Michael Douglas que ele acabou repetindo este tipo de persona em projetos anteriores. 

3. WILLIAM HURT, por “O BEIJO DA MULHER-ARANHA” 

Chegamos ao pódio com o William Hurt, vencedor do Oscar em 1986 por “O Beijo da Mulher-Aranha”, dirigido pelo brasileiro Hector Babenco. 

O que poderia dar muito errado pelo tipo físico do ator acaba sendo um acerto brilhante: William Hurt oferece uma delicadeza sem jamais soar exagerado ou caricato ao interpretar o prisioneiro Lucas Molina. Através de um sofisticado jogo de sedução, a dobradinha dele com o Raul Julia carrega “O Beijo da Mulher-Aranha” facilmente com os dois contracenando em um espaço físico reduzido. 

2. F. MURRAY ABRAHAM, por “AMADEUS” 

O F. Murray Abraham conquistou o Oscar em 1985 pela obra-prima “Amadeus”. 

O contraste entre a explosão de vida de Mozart encarnada por Tom Hulce e o silêncio assustador de Abraham como Antonio Saliere é, ao lado da espetacular trilha sonora e da direção de arte irretocável, a alma de “Amadeus”. Abraham consegue ser cômico e trágico, ao mesmo tempo, traduzindo a admiração e inveja que dominam um ser inquieto com as próprias limitações. 

É interessante observar como a Academia, que gosta tanto de atuações mais expansivas, aqui, preferiu ficar com o comedimento do Abraham em uma de suas escolhas mais acertadas. 

1. ROBERT DE NIRO, por “TOURO INDOMÁVEL” 

Se você tinha alguma dúvida que o primeiro lugar iria para o Robert De Niro é porque você, talvez, não tenha visto “Touro Indomável”. 

Vencedor do Oscar de Melhor Ator em 1981, o Robert De Niro faz uma das atuações mais explosivas da história do cinema. A raiva, violência, machismo, intolerância e fúria de Jake LaMotta são palpáveis em cada frame deste clássico do Martin Scorsese. O ator ainda consegue preencher a predileção da Academia por transformações físicas absurdas, inseridas no filme não como um Oscar-bait como tantos e tantos filmes fazem, mas, sim, para dar a dimensão da alma perturbada daquele campeão do boxe. 

Deixo até uma pergunta para vocês comentarem à vontade: seria “Touro Indomável” o melhor papel da carreira do Robert De Niro ou vocês ficam com “Taxi Driver” ou “O Poderoso Chefão 2”? 

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