Caio Pimenta apresenta o que podemos esperar no contexto geral da temporada de premiações rumo ao Oscar 2021. 

TEMPOS DE COVID-19 

O Oscar 2020 foi um dos últimos grandes eventos do cinema mundial a ser presencial. Com estes novos tempos de Covid, teremos uma cerimônia bem diferente do que nos habituamos. 

A Academia já informou que o evento do dia 25 de abril será realizado ao vivo, de forma presencial, porém, em vários locais. Logo, além do Kodak Theater em Los Angeles, provavelmente, devemos ver também algo em Nova York e, talvez, Londres. 

Vale lembrar que o Oscar, entre 1953 a 1957, era feito em Nova York e Los Angeles, mas, pelo desafio técnico enorme para conseguir dar conta da cerimônia, resolveram concentrar tudo mesmo em Hollywood. Esse esquema será utilizado no Globo de Ouro deste ano em que a Tina Fey estará em Nova York e Amy Poehler em LA. 

Será, sem dúvida, menos emocionante, afinal, não vamos poder ver o tapete vermelho, as reações dos ganhadores e perdedores nem aqueles aplausos de consagração. E isso em um ano em que a Glenn Close pode vencer o Oscar pela primeira vez fará bastante falta. 

STREAMING X CINEMA 

O Oscar 2021 pode até ter um formato diferente por conta da COVID-19, porém, será palco novamente de uma batalha recente: streaming x cinema. 

Do lado do streaming, a Netflix busca a vitória na categoria máxima com “Os Sete de Chicago”, “Mank” e “A Voz Suprema do Blues”, enquanto a Amazon chega com “Uma Noite em Miami” e “O Som do Silêncio”. Dos estúdios tradicionais, a Searchlight Pictures, agora ligada à Disney, se apresenta com o favorito “Nomadland”, a Warner vai de “Judas e o Messias Negro” e a Sony coloca as fichas em “Meu Pai”. Da turma dos independentes, tem a A24 com “Minari” e a Focus Features com “Bela Vingança”. 

Ainda que o streaming tenha sido fundamental para a indústria não parar, a Academia sempre mostrou resistência para premiar com Melhor Filme projetos que não passaram pela janela de exibição tradicional. Por outro lado, neste ano, a entidade abriu uma exceção nas regras justamente pelo fechamento dos cinemas por conta da pandemia. 

Independente de resistências de setores da Academia, os filmes do streaming não conseguiram se firmar na disputa até agora. “Os Sete de Chicago” e “Uma Noite em Miami” parecem os melhores posicionados após o flop de “Mank”, porém, nenhum deles chega como páreo para superar “Nomadland”.  

Tudo indica que o jejum deve continuar. 

HORA DAS MULHERES E DOS NEGROS  

Lumena mandou avisar que vai ter diversidade sim no Oscar 2021. E não vai ser pouca não. 

Pela primeira vez, teremos, pelo menos, duas mulheres indicadas a Melhor Direção: a Chloé Zhao, de “Nomadland” e a Regina King, de “Uma Noite em Miami”, estarão lá. E podemos ter uma terceira: a Emerald Fennell, de “Bela Vingança”. A nomeação da Regina King, aliás, será histórica se acontecer: ela vai se tornar a primeira mulher negra na categoria. 

Falando em artistas negros, devemos ter muitos indicados nas categorias de atuação, inclusive, dois com grandes de vitória. 

Em Melhor Atriz, a Viola Davis está garantida e a Andra Day briga pela última vaga. Caso aconteça, repete o feito de 1973 quando Diana Ross e Cicely Tyson foram nomeadas na categoria. Já em Melhor Ator, o Chadwick Boseman é o grande favorito para vencer o Oscar e se juntar a Sidney Poitier, Denzel Washington, Jamie Foxx e Forest Whitaker. Em Ator Coadjuvante, o Leslie Odom Jr e o Daniel Kaluuya são os mais cotados para vencer. Dois intérpretes negros só disputaram o prêmio no mesmo ano em 1988 e 2005. 

Infelizmente, não há atrizes negras com muitas chances de serem indicadas em coadjuvantes. Por fim, os asiáticos estão fortes com “Minari” e, aqui, o elenco deve ser nomeado ator, atriz e atriz coadjuvante, corrigindo as esnobadas de “Parasita” no ano passado. 

PRÊMIOS HISTÓRICOS 

O Oscar 2021 pode render estatuetas históricas. Começando em Melhor Direção, afinal, a Chloé Zhao tem tudo para se juntar a Kathryn Bigelow, de “Guerra ao Terror”, como as únicas mulheres a vencerem a categoria. 

Nas atuações, o Chadwick Boseman, de “A Voz Suprema do Blues”, é o favorito para vencer Melhor Ator. Caso aconteça, repete o feito de Peter Finch, de “Rede de Intrigas”, que ganhou a estatueta na cerimônia de 1977 dois meses de morrer. E, se vier a ser indicada por “Era uma vez um Sonho”, a Glenn Close deve acabar com a sequência de sete derrotas para conquistar a estatueta de Atriz Coadjuvante. 

Claro que tem a Diane Warren: a compositora já perdeu o Oscar em 11 vezes. Agora, ela deve ser nomeada por “Rosa e Momo”. Para vencer, entretanto, vai precisar combinar com o Leslie Odom Jr, favorito à estatueta pela canção de “Uma Noite em Miami”, “Speak Now”. 

IMPREVISIBILIDADE 

Esta será uma temporada de premiações bastante incomum. Aqueles jantares e festas marcados para promover um filme ou um intérprete, repleto de puxa-saquismos, não vão acontecer.  

As campanhas dos estúdios vão precisar se adaptar aos meios disponíveis – a Warner, por exemplo, está investindo pesado em emplacar o Jared Leto, por “Pequenos Vestígios”, graças a estratégias online e, até agora, se deu bem com nomeações ao SAG e Globo de Ouro. 

Além disso, como estará o clima da Academia em meio à tragédia da Covid-19? Dá para focar só em cinema, friamente para escolher os melhores, ou o clima pesado que a pandemia trás, repleto de insegurança e medo sobre o futuro, não acaba tendo alguma influência? Não pode ser justamente isso que esteja fazendo o Oscar olhar com mais carinho para uma possível vitória da Glenn Close em Atriz Coadjuvante? 

Além disso, a seleção de filmes deste ano não é das mais empolgantes. Temos ótimas produções como “Bela Vingança”, “Nomadland” e “Destacamento Blood”, mas, longe de serem unanimidades como “Parasita” ou divisivas como “Coringa” e “Era uma Vez em Hollywood”. Tudo indica uma corrida focada em diversos nichos. Logo, será possível a criação de um clima para uma ou outra produção vencer? 

Apesar do favoritismo de “Nomadland”, a corrida de Melhor Filme tem tudo para ser bastante imprevisível. 

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