De Broderick Crawford a David Niven, Caio Pimenta apresenta o TOP 10 dos vencedores do Oscar de Melhor Ator nos anos 1950. 

10. WILLIAM HOLDEN, por “Inferno Número 17”

O primeiro e único Oscar da carreira do William Holden veio em 1954 com “Inferno Número 17”. 

No irregular filme do Billy Wilder, ele interpreta um militar americano preso em um campo de concentração que se dá bem pelas boas negociações com outros detidos e os soldados nazistas. Por mais que se destaque no elenco numeroso, o Holden traz uma atuação apenas correta sem maior brilho. 

Essa vitória do Holden pode se justificar pelas indicações do Burt Lancaster e Montgomery Clift, ambos por “A um Passo da Eternidade”. Com a divisão de votos entre eles, o astro de “Inferno Número 17” veio por fora e levou o prêmio. 

9. HUMPHREY BOGART, por “UMA AVENTURA NA ÁFRICA” 

Sabe aquele Oscar que vai mais pelo conjunto da carreira do que necessariamente pela atuação no filme? Foi o que ocorreu com o Humphrey Bogart em 1952 com “Uma Aventura na África”. 

No longa dirigido pelo John Huston, o Bogart faz uma boa dobradinha com a Katharine Hepburn em uma atuação mais leve do que costumamos vê-lo nos cinemas. Mais risonho do que o habitual, o astro parece se divertir em cena, contribuindo para o clima agradável da aventura. 

Por outro lado, o Bogart esteve mil vezes melhor em clássicos como “Casablanca” e “O Tesouro de Sierra Madre”. A vitória aqui é exagerada, especialmente, se levarmos em conta contra quem ele concorria como o Montgomery Clift, de “Um Lugar ao Sol”, e, especialmente, o Marlon Brando, de “Uma Rua Chamada Pecado”. 

8. YUL BRYNNER, DE “O REI E EU” 

Pense em um Oscar questionável: essa é a estatueta do Yul Brynner, ganhador de Melhor Ator em 1957 por “O Rei e Eu”. 

Sem dúvida, o Brynner domina o personagem com a experiência vinda dos palcos da Broadway. O carisma dele, a alegria contagiante em cena e a química com a Deborah Kerr carregam o filme tranquilamente. 

Por outro lado, a caricatura da representação é que faz o filme envelhecer muito mal. Soa preconceituoso o aspecto bobão da abordagem de Brynner e os exageros cansam em determinado momento.

Esse desequilíbrio gritante é que faz o astro de “O Rei e Eu” aparecer aqui na oitava posição. 

7. JOSÉ FERRER, DE “CYRANO DE BERGERAC”

Primeiro ator de origem latina a sair premiado no Oscar, o José Ferrer recebeu a estatueta em 1951 por “Cyrano de Bergerac”. 

Logo na primeira cena, o Ferrer demonstra que foi a escolha certa para viver o célebre personagem do teatro francês, afinal, dosa muito bem a coragem, valentia e também o bom humor e sagacidade dele.

Consegue segurar tranquilamente uma produção irregular pelo seu excessivo tom teatral sem fazer uma boa transposição para os cinemas. 

6. DAVID NIVEN, DE “VIDAS SEPARADAS” 

O feito da atuação vencedora do Oscar de Melhor Ator com menor tempo em cena cabe ao David Niven, premiado em 1959 por “Vidas Separadas”. 

São apenas 23 minutos e 39 segundos presente no filme dirigido pelo Delbert Mann, mas, o David Niven domina a tela e traz a história mais interessante de “Vidas Separadas”. A classe de um major com passado nebuloso cria uma figura dúbia em que o espectador fica na dúvida se o repele ou o abraça pela humanidade emprestada pelo ator ao personagem. 

Interessante que o Niven faz um trabalho tão bom que ele tira o protagonismo do Burt Lancaster, astro com muito mais tempo de cena em “Vidas Separadas”. Uma curiosidade é que o ator britânico também era o apresentador do Oscar de 1959. 

5. ALEC GUINESS, POR “A PONTE DO RIO KWAI” 

Os Jedis também têm seu Oscar e eu posso provar. 

Em 1958, o Alec Guiness recebeu o prêmio de Melhor Ator por “A Ponte do Rio Kwai”.

Diferente do que ocorre com o William Holden em “Inferno Número 17”, aqui, o Guiness domina as atenções mesmo em meio a um grande elenco.

A bravura, honra e resistência dele simbolizam a luta e força daqueles soldados britânicos aprisionados pelos japoneses. 

4. BRODERICK CRAWFORD, POR “A GRANDE ILUSÃO” 

Kirk Douglas, Gregory Peck e John Wayne já eram grandes estrelas em 1950, mas, nenhum deles superou um ator mais conhecido por papéis de coadjuvante. 

Em “A Grande Ilusão”, o Broderick Crowford faz a atuação de uma vida ao interpretar um político idealista que vai se perdendo à medida em que ganha mais poder.

As nuances e transformações muito bem pontuadas sendo o ponto alto do ganhador de Melhor Filme. 

E pensar que o Sean Penn não conseguiu repetir o feito no remake de 2006… 

3. GARY COOPER, por “MATAR OU MORRER”

O pódio chega com o Gary Cooper, ganhador merecido do Oscar de Melhor Ator em 1953 por “Matar ou Morrer”. 

Nesta obra-prima do faroeste comandada pelo Fred Zinneman, o Cooper encarna à perfeição a via-crucis de um delegado não encontrando apoio para enfrentar um perigoso criminoso prestes à chegar à cidade.

O cansaço misturado com a solidão, desesperança e o intacto senso de justiça do personagem são traduzidos pelo ator em uma jornada angustiante e desesperada.  

Vale lembrar que “Matar ou Morrer” faz alusões ao medo da sociedade norte-americana devido ao macarthismo, sendo o Cooper simbólico nesta luta contra este sistema opressor. Um filme e um trabalho geniais. 

2. ERNEST BORGNINE, por “MARTY” 

Como dá para perceber nesta lista, a Hollywood nos anos 1950 foi palco para personagens masculinos heroicos, fortes, galãs, capazes de realizarem grandes proezas. Porém, um deles destoou desta turma. 

O Oscar de Melhor Ator em 1956 foi parar nas mãos do Ernest Borgnine, de “Marty”. Longe do padrão de beleza, ele reproduz os medos comuns a todos nós de ser rejeitado e as inseguranças sobre si próprio em uma atuação repleta de delicadeza e sensibilidade. 

Parece clichê esses dois adjetivos hoje em dia, porém, para os anos 1950, uma atuação masculina ser marcada por isso era transgressor. 

1. MARLON BRANDO, por “SINDICATO DE LADRÕES” 

Nem era tão difícil imaginar que a melhor atuação vencedora do Oscar nos anos 1950 iria, claro, para o Marlon Brando, de “Sindicato de Ladrões”. 

O Brando consolida de uma vez por todas seu método de atuação proveniente das ideias de Constantin Stanislavski e ensinadas no Actors Studio, em Nova York.

Temos uma atuação carregada de intensidade, fúria e, ao mesmo tempo, fragilidade e insegurança, trazendo uma complexidade ao personagem compatível com a delicada situação dele no filme e muito bem-vinda para uma época em que Hollywood entregou produções bastante simplistas. 

A vitória deu uma amenizada na injusta derrota do Marlon Brando em Melhor Ator por “Uma Rua Chamada Pecado” para o Humphrey Bogart, em 1952. 

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