De Daniel Day-Lewis, por “Meu Pé Esquerdo”, a Roberto Benigni, de “A Vida é Bela”, Caio Pimenta analisa o TOP 10 dos vencedores do Oscar de Melhor Ator nos anos 1990.

10. ROBERTO BENIGNI, de “A VIDA É BELA” 

Há quem odeie “A Vida é Bela” e o Roberto Benigni. Eu não chego a tanto, mas, sinceramente, a vitória dele em Melhor Ator no Oscar 1999 foi bem exagerada. 

O Benigni, de fato, é a alma do filme italiano com uma animação e energia empolgante através de uma visão de mundo otimista mesmo nos piores momentos. Porém, ao mesmo tempo, essa postura vai cansando ao longo das duas horas do filme e a comparação com Chaplin sempre o deixa em desvantagem. 

Muita gente reclama do Benigni ter impedido o terceiro Oscar da carreira do Tom Hanks, o qual concorria com “O Resgate do Soldado Ryan”. Porém, quem merecia aquele prêmio, sem sombra de dúvidas, era o Edward Norton, de “A Outra História Americana”. 

9. JEREMY IRONS, de “O REVERSO DA FORTUNA” 

O Jeremy Irons venceu o Oscar de Melhor Ator em 1991 por “O Reverso da Fortuna”. 

O legal da atuação do Jeremy Irons é como ele trabalha o minimalismo e intimismo do protagonista, gerando uma dubiedade em relação ao personagem. Logo de início, temos a certeza da culpa dele pela postura de quem parece pouco se importar com a situação da esposa, mas, no decorrer da história, ao entendermos o modo dele de agir, vamos mudando a percepção sobre ele. 

O trabalho do Jeremy Irons somente não é melhor porque o roteiro e a direção do Barbet Schroeder não conseguem extrair mais do filme.  

8. AL PACINO, de “PERFUME DE MULHER” 

O único Oscar vencido pelo Al Pacino veio tardiamente; mais precisamente em 1993 com “Perfume de Mulher”. 

Claro que a atuação dele no filme não chega perto do que fez em “Um Dia de Cão”, “O Poderoso Chefão” ou “Scarface”. Mesmo assim, o Al Pacino domina “Perfume de Mulher” de tal forma que eleva uma produção média em algo digno de ser visto. A cena do tango é icônica. 

E o Al Pacino estava em uma das melhores disputas da década concorrendo contra o Clint Eastwood, de “Os Imperdoáveis”, e o Denzel Washington, de “Malcolm X”. 

7.  TOM HANKS, de “FORREST GUMP” 

O segundo Oscar da carreira do Tom Hanks veio em 1995 com Forrest Gump”. 

Aqui, o Tom Hanks consegue conciliar o drama que se dedicou a parte dos anos 1990 com a veia cômica do início da carreira. O tom perfeito desta combinação faz com que Forrest não seja uma caricatura bobona e sim uma figura sensível, esperta dentro de suas limitações e cativante. 

Gosto demais do Tom Hanks em “Forrest Gump”, mas, para mim, o Oscar deveria ter ido para o John Travolta em “Pulp Fiction” ou até mesmo para o Morgan Freeman, de “Um Sonho de Liberdade”. 

6. NICOLAS CAGE, de “DESPEDIDA EM LAS VEGAS” 

Para quem só conhece o Nicolas Cage dos últimos anos nem deve lembrar que ele já foi um ator de primeira a ponto de vencer o Oscar. Foi em 1996 com “Despedida em Las Vegas”. 

Interpretando um alcóolatra, ele vai ao fundo do poço em um trabalho que transmite toda a angústia e desespero de quem enfrenta este grave problema. Saudades deste Nicolas Cage que ainda conseguia bons papéis. 

Ajudou também a concorrência que não era das mais fortes, tendo como principais rivais o Anthony Hopkins, por “Nixon” e o Sean Penn, de “Os Últimos Passos de um Homem”. 

5. TOM HANKS, de “FILADÉLFIA” 

O primeiro Oscar do Tom Hanks veio com “Filadélfia” em 1994. O drama do Jonathan Demme representou a virada total da carreira do ator, antes conhecido pelas comédias juvenis e românticas. De fato, ele agarra a oportunidade com todas as forças em um desempenho completo – físico e dramático. 

Diga-se de passagem, “Filadélfia” foi uma produção muito importante na época por falar da AIDS em uma época que a doença era cercada de muito preconceito e tabus. Você se associar a um projeto deste naquele período, especialmente, um cara como o Tom Hanks que tinha uma outro tipo de perfil, é de aplaudir de pé. 

4. GEOFFREY RUSH, de “SHINE – O BRILHANTE” 

Em 1997, no Oscar dos independentes, Geoffrey Rush saiu da Austrália, cruzou o mundo para vencer Melhor Ator com “Shine – O Brilhante”. 

Sabe aqueles filmes que dependem dos seus atores para se destacar? É o caso de “Shine” em que o Geoffrey Rush está absurdo com uma atuação agitada, urgente. Isso ajuda a construir a figura perturbada e genial do pianista David Helfgott. 

1997 pode não ter sido das atuações mais excepcionais, mas, teve boas atuações indicadas, entre elas, do Woody Harrelson, em “O Povo Contra Larry Flynt” e Tom Cruise, por “Jerry Maguire”. 

3.  JACK NICHOLSON, de “MELHOR É IMPOSSÍVEL”

No Oscar de “Titanic”, o Jack Nicholson conquistou o prêmio de Melhor Ator por “Melhor é Impossível”, em 1998. 

Em uma rara vitória de um trabalho em comédia, o Jack Nicholson faz de Melvin Udall um verdadeiro ‘Meu Malvado Favorito’: apesar de bocudo, mal humorado, machista e intrusivo, o charme dele e a incapacidade de se controlar criam uma estranha empatia dele com o público. Mestre em interpretar figuras excêntricas, Nicholson tira de letra o desafio e, para variar, brilha como sempre. 

O maior concorrente do Nicholson era o Matt Damon no início da carreira em “Gênio Indomável”. Vale lembrar que, em 1998, o Leonardo DiCaprio foi esnobado pelo desempenho em “Titanic”, o que levou a nem ir para a cerimônia. 

2. DANIEL DAY LEWIS, de “MEU PÉ ESQUERDO” 

Quem acompanha o canal sabe que não tenho muita paciência para atuações de cinebiografias ou para aqueles trabalhos de mudanças físicas impressionantes. Porém, vou quebrar aqui as minhas restrições e colocar o Daniel Day-Lewis em segundo lugar por “Meu Pé Esquerdo”. 

Vencedor em 1990, o Day Lewis transporta para a tela toda a luta do protagonista para conseguir ter uma vida normal e ser visto como tal mesmo com as limitações físicas. Essa luta travada contra o próprio corpo é feita com uma entrega corporal absurda da cabeça aos pés literalmente. É impossível não se comover diante de tamanho esforço. 

E o Daniel Day-Lewis não venceu qualquer um não: entre os concorrentes estavam o Robin Williams, de “Sociedade dos Poetas Mortos”, Morgan Freeman, por “Conduzindo Miss Daisy”, e Tom Cruise, por “Nascido em Quatro de Julho”. 

1.  ANTHONY HOPKINS, de “O SILÊNCIO DOS INOCENTES” 

Um dos mais fascinantes vilões de todos os tempos não podia deixar de estar em primeiro lugar desta lista. Claro que  falando de Hannibal Lecter, interpretado por Anthony Hopkins, em “O Silêncio dos Inocentes”. 

São apenas 20 minutos em cena, mas, quando se tem uma figura tão fascinante, nem se precisa de mais. Hopkins magnetiza a tela e gela a espinha sempre quando a câmera de Jonathan Demme fecha nele em closes poderosos. A dobradinha com Jodie Foster completa a receita perfeita em um jogo de gato e rato que suspenses anualmente buscam repetir, mas, nunca conseguem. 

Em 1992, o Hopkins tinha gente como Robert De Niro, por “Cabo do Medo”, e o Warren Betty, de “Bugsy”, mas, ele estava tão disparado que podiam tê-lo premiado logo nas indicações. 

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