Eu não achava possível que a Pixar pudesse fazer um filme insosso. Mesmo em produções menos brilhantes como “Carros 2”, dava para ver resquícios da criatividade que o estúdio vem imprimindo há 20 anos em obras como a trilogia “Toy Story” e “Wall-E”. Pois bem, a nova empreitada da empresa de animação não só não cativa o público, como também é de uma grande confusão visual.

Dado ao pouco que sabemos sobre eles, os dinossauros são personagens irresistíveis e, em universos bem construídos na ficção, críveis a ponto de não questionarmos em nenhum momento se realmente poderia ser possível um “Jurassic Park” ou até mesmo um bebê dinossauro irritante, porém, divertidíssimo, nos animatronics de Jim Henson na série “Família Dinossauro”.

Logo, não é de se surpreender que a Pixar também tenha investido nesses personagens. Afinal, estamos falando de um estúdio que nos encantou ao nos levar ao mundo de brinquedos que falam, robôs com sentimento, insetos que vivem em hierarquia e, mais recentemente, às emoções de uma adorável garotinha. A esse ponto, compraríamos qualquer história que a produtora pertencente ao Walt Disney Studios quisesse nos vender. Se “A Era do Gelo”, da Fox, deu para arrancar risadinhas, imagina então como seria com a Pixar?!

No entanto, isso não acontece com “O Bom Dinossauro”. A sinopse até propõe a dinâmica entre os animais pré-históricos e os seres humanos em uma linha do tempo alternativa. Aqui, acompanhamos o jovem dinossauro Arlo, de 11 anos, que: 1) tenta voltar para casa após se perder; 2) faz amizade com uma criança, também perdida; e 3) quer provar ser tão corajoso quanto os pais e os irmãos.

A premissa não é lá tão inovadora e já decepciona quem ainda está sob o efeito da genialidade do lindo “Divertida Mente”, mas o que pega mesmo é a execução. O filme é permeado por clichês e histórias já batidas e que já foram melhor realizadas em produções como “O Rei Leão” e “Dumbo”, por exemplo. Os vilões mais assustam que ameaçam (em cenas desnecessariamente violentas, vale ressaltar), enquanto o desfecho parece tão preguiçoso que dizer que foi um “deus ex machina” seria elogio.

O mais decepcionante, porém, é o visual. Parece que estamos assistindo a um filme de um estúdio genérico que quer ser Dreamworks (nada contra, juro!). Os ambientes são belos e interessantes, porém não há coesão com os personagens, que parecem ter saído de uma animação tradicional feita décadas atrás.

“O Bom Dinossauro” tem lá suas boas tiradas quando o assunto é roteiro, mas o que se tira é que foi um tema desperdiçado. Pesado quando não deveria ser (é um filme infantil, afinal) e sem personagens carismáticos para criar conexão com adultos e crianças, é uma produção medíocre e que mostra que até os gigantes, como a Pixar, podem tropeçar feio.

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