De “Razão e Sensibilidade” a “Steve Jobs”, Caio Pimenta analisa quais as melhores e piores indicações de Kate Winslet no Oscar.

7. IRIS 

Em 2002, a Kate Winslet disputou melhor atriz coadjuvante por “Iris”. 

No longa do Richard Eyre, ela interpreta a versão mais jovem da escritora Iris Murdoch. A vivacidade, sensualidade e coragem para desafiar os padrões ingleses dos anos pós-guerra servem de contraponto à fragilidade do fim da vida encarnado pela Judi Dench. 

Apesar de bom, não chega a ser um trabalho de encher os olhos. A vitória da categoria acabou indo para a Jennifer Connelly, de “Uma Mente Brilhante”, mas, a estatueta mesmo deveria ter sido da Maggie Smith, de “Gosford Park”. 

6. STEVE JOBS

Sei que muita gente gosta desta atuação, mas, para mim, o desempenho da Kate Winslet em “Steve Jobs” fica aqui no sexto lugar. 

Interpretando Joanna Hoffman, executiva de marketing e braço direito de Steve Jobs, a atriz, ao lado do Michael Fassbender, consegue ter os melhores momentos do irregular filme do Danny Boyle. Por ser a única capaz de bater de frente e ser ouvida pelo protagonista, a personagem acaba gerando os conflitos mais interessantes do filme.

Se a produção fosse somente os dois, teria sido bem melhor. 

A Kate Winslet até poderia ter vencido o Oscar 2016 de Melhor Atriz Coadjuvante, porém, como “Steve Jobs” não empolgou muito e chegou enfraquecido naquela temporada de premiações, a estatueta foi parar no colo da Alicia Vikander, de “A Garota Dinamarquesa”.

Se houvesse justiça no mundo, a ganhadora seria a Rooney Mara, de “Carol”. 

5. RAZÃO E SENSIBILIDADE 

Aos 21 anos de idade, a Kate Winslet foi indicada pela primeira vez. Aconteceu em 1996 no drama “Razão e Sensibilidade”, do Ang Lee. 

Na adaptação do clássico da Jane Austen, ela interpreta a jovem sonhadora e romântica Marianne Dashwood, irmã da compenetrada personagem da Emma Thompson.

A diferença entre as duas marca o filme, mas, aqui, curiosamente de forma complementar. E, como uma boa coadjuvante, a Winslet rouba a cena sempre que aparece. 

Desta vez, a derrota veio para a surpreendente Mira Sorvino, de “Poderosa Afrodite”. Se era para a Kate Winslet não vencer, que pudesse ter sido para a Joan Allen, de “Nixon”. Era bem melhor. 

4.  O LEITOR 

Em 2009, a Kate Winslet foi indicada pelo filme errado, mas, acabou sendo premiada em Melhor Atriz. 

A britânica é a razão de “O Leitor” não ser um filme completamente esquecível. Mesmo traída por um roteiro horroroso e uma direção preguiçosa do Stephen Daldry, a Kate Winslet comove com a fragilidade de uma mulher que sabe do horror que cometeu levada por um ódio que não entendia nem sabia como se instalou nela. 

Pode-se dizer que ela não é protagonista e sim coadjuvante na história. Que a maquiagem não a envelheceu suficientemente. Mas, não dá para negar que seja uma atuação muito boa dela. E naquele Oscar tão fraquinho em que a maior rival era a Anne Hathaway, de “O Casamento de Rachel”, não vejo absurdo algum desta vitória. 

3. PECADOS ÍNTIMOS 

Na melhor categoria de atrizes principais do século, a Kate Winslet foi indicada por “Pecados Íntimos” no Oscar de 2007. 

Novamente, o trabalho da atriz é o ponto alto do filme. A britânica personifica o cansaço da vida suburbana em busca de um pouco mais da vida além da rotina, especialmente, no desejo de se apaixonar e do sexo. Ótima dobradinha com o Patrick Wilson. 

Naquele ano, entretanto, a Kate Winslet não teve a menor chance contra a Helen Mirren, ganhadora por “A Rainha”. 

2. TITANIC 

Novos Clássicos: Titanic crítica

A segunda posição desta lista vem por um dos filmes mais populares da história. 

James Cameron não apenas foi genial pela reconstrução perfeita do Titanic ou por conduzir um clímax de 1h30: escolher dois dos mais talentosos atores de sua geração em início da carreira foi um acerto histórico. Kate Winslet e Leonardo DiCaprio nos pegam pela mão e nos fazem embarcar naquela viagem épica sem pestanejar.

A postura rígida e inocente do início do filme se transforma em uma jovem vibrante e decidida.  Se havia alguma dúvida sobre ela, “Titanic” dissipou totalmente. 

Por mais que seja fã declarado de “Titanic” e, consequentemente, goste demais do trabalho da Kate Winslet como a Rose, acho justa a estatueta da Helen Hunt.

Afinal, “Melhor é Impossível” é o filme delicioso que é por conta do seu elenco, especialmente, os protagonistas. 

1. BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS 

O melhor desempenho pelo qual a Kate Winslet foi nomeada ao Oscar é justamente o mais diferente de todos eles. 

De cabelo azul, vermelho, ruivo, a britânica se torna a paixão tanto do Jim Carrey como do público em “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças“.

Vê-la em cena interpretando uma personagem apaixonante pela personalidade forte e carismática leva o espectador a entender os motivos do sofrimento do protagonista em querer apagá-la da memória, mas, depois, não desejar mais isso para guardar todos os bons momentos. Afinal, é impossível uma vida sem Clementine. 

Outra derrota da Kate Winslet difícil de ficar insatisfeito: a vencedora de Melhor Atriz em 2005 foi a excelente Hilary Swank, de “Menina de Ouro”. 

A MAIOR ESNOBADA – “FOI APENAS UM SONHO” 

Eu poderia fazer aquele suspense todo, mas, na boa, é muito, muito fácil adivinhar qual é a maior esnobada sofrida pela Kate Winslet no Oscar. 

Ao lado do marido Sam Mendes, a Kate Winslet reencontra o Leonardo DiCaprio no doloroso “Foi Apenas um Sonho”. Aqui, ela amplifica os dramas da classe média norte-americano já explorados em “Pecados Íntimos” em uma intensidade angustiante ainda maior. Ter um parceiro de cena ainda melhor e uma personagem mais bem desenvolvida contribuem para o maior desempenho da carreira. 

Era mil vezes melhor vê-la ser indicada e premiada por “Foi Apenas um Sonho” em vez de “O Leitor”. Porém, como ela só podia ser nomeada por um dos trabalhos em Melhor Atriz, a Academia pegou o caminho mais fácil ajudada por um senhor chamado Harvey Weinstein. 

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