Caio Pimenta apresenta uma lista com as indicações mais improváveis nas categorias de atuação do Oscar entre 2000 a 2021. 

10. MARINA DE TAVIRA, por “ROMA” 

Depois de levar o Leão de Ouro do Festival de Veneza e chegar com o investimento pesado da Netflix, imaginava-se que “Roma” lideraria as indicações em 2019.

Nas atuações, a Yalitzia Aparicio era um nome cotado e conseguiu a vaga em Melhor Atriz.

A boa surpresa, entretanto, foi para uma colega dela. 

Interpretando a mãe da família deixada pelo marido, a Marina de Tavira foi a grande surpresa das indicações. A atriz mexicana desbancou a estrela Claire Foy, de “O Primeiro Homem”. 

9. ROBERT DOWNEY JR, por “TROVÃO TROPICAL” 

O eterno Tony Stark, Robert Downey Jr tem duas indicações ao Oscar na carreira. A primeira foi para lá de esperada ao interpretar Charlie Chaplin. Já a segunda… 

Em “Trovão Tropical”, o astro interpreta um ator que passa por uma cirurgia de pele para ficar negro e poder fazer um sargento em seu mais novo filme. Evidente que a blackface é um ponto delicado do trabalho no limiar da sátira e do mau gosto, mas, também não dá para negar como Downey Jr zoa as maluquices e os métodos de seus colegas de Hollywood. 

O filme também poderia ter rendido tranquilamente uma indicação para o Tom Cruise que vive um produtor completamente pirado. Ficaria muito bem no lugar do Josh Brolin, de “Milk”. 

8. QUVENZHANÉ WALLIS, por “INDOMÁVEL SONHADORA”

“Indomável Sonhadora” foi uma das gratas surpresas do Oscar 2013: uma produção de pequeno porte dirigida e roteirizada por um estreante com uma história bastante singela. Para completar, ainda tinha uma protagonista incrível. 

Com apenas 9 anos de idade, a Quvenzhané Wallis carrega o filme com uma ternura, simpatia e força comovente de ver. Se acreditamos naquele mundo mágico de “Indomável Sonhadora”, isso se deve a ela. 

Vale dizer que ela não foi indicada nem ao SAG, Globo de Ouro nem ao Bafta. E a Wallis superou gigantes como a Helen Mirren, de “Hitchcock” e Marion Cottilard, de “Ferrugem e Osso”. 

7. MARIA BAKALOVA, por “BORAT 2” 

Por mais que merecesse, o Sacha Baron Cohen não foi indicado ao Oscar 2007 de Melhor Ator. Logo, quando surgiu a confirmação de que haveria uma sequência para o filme, não se imaginava qualquer possibilidade de alguma nomeação nas categorias de atuação.  

Porém, estávamos todos errados. 

“Culpa” da Maria Bakalova. Interpretando a filha do protagonista, ela assume as responsabilidades pelas maluquices que Borat já não conseguiria mais fazer pela fama mundial. O timing cômico, a capacidade de nunca sair da personagem mesmo nos momentos mais arriscados e a coragem dela são fundamentais para o sucesso do filme. 

Durante toda a temporada de premiação, a Bakalova se manteve ali na briga pela estatueta, porém, a Academia resolveu ser mais ‘comportada’ e escolheu a Yuh-Jung Youn, de “Minari”. 

6. CATALINA SANDINO MORENO, por “MARIA CHEIA DE GRAÇA”

Hilary Swank, Imelda Staunton, Kate Winslet e Annette Bening eram nomes previsíveis para o Oscar 2005 de Melhor Atriz. O último nome desta lista é que foi bem inusitado. 

A colombiana Catalina Sandino Moreno deixou a Nicole Kidman e Uma Thurman para trás logo no primeiro trabalho da carreira em “Maria Cheia de Graça”.

No longa, ela interpreta uma adolescente com a missão de transportar dentro do próprio corpo para os EUA. 

5. JOHNNY DEPP, por “PIRATAS DO CARIBE” 

Filme produzido pelo Jerry Bruckheimer baseado em um brinquedo da Disney, “Piratas do Caribe” tinha o intuito inicial de apenas gerar muita grana e iniciar uma franquia milionária. Porém, acabou indo parar no Oscar. 

E não foi apenas nas categorias de efeitos visuais e som não: o Johnny Depp criou um dos personagens mais icônicos dos últimos anos com Jack Sparrow. Usando a dubiedade do anti-herói, ele traz uma figura com jeito de andar e gesticular peculiares – para não dizer, estranho – repleto de charme. Se “Piratas do Caribe” resiste na memória do público até hoje, se deve a ele. 

Pelo Jack Sparrow, o Johnny Depp venceu o SAG de Melhor Ator, o que acabava credenciando-o para chegar com chances no Oscar. Porém, a Academia resolveu ir no mais seguro e deu o prêmio para o Sean Penn, de “Sobre Meninos e Lobos”. 

4. RENÉE ZELLWEGER, por “O DIÁRIO DE BRIDGET JONES” 

O Diário de Bridget Jones 2: No Limite da Razão

Comédias românticas proliferam todos os anos sempre com atrizes lindas, talentosas e carismáticas. Porém, raros são os casos delas conseguirem sequer terem chances no Oscar. Em 2002, uma delas rompeu essa barreira. 

O mérito ficou por conta de Renée Zellweger. Em “O Diário de Bridget Jones”, a texana vai além do manual das mocinhas do gênero, mas, também se despe da vaidade ao ficar um pouco acima do peso, o que a ajuda a se aproximar do público que pode enxergar alguém na tela com quem possamos nos identificar longe dos cansativos e tolos padrões de beleza.  

3. IAN MCKELLEN, por “O SENHOR DOS ANÉIS – A SOCIEDADE DO ANEL” 

O pódio é aberto também pela edição do Oscar de 2002. 

Quando “O Senhor dos Anéis” foi anunciado, a expectativa era que a superprodução até rendesse indicações nas categorias técnicas, direção e filme. Uma indicação para o elenco, porém, soava improvável.

O Ian McKellen, entretanto, ignorou isso e brilhou como o Gandalf em “A Sociedade do Anel”. A voz grave, pesada com outros de doçura e leveza davam o ritmo do filme e guiavam o público na aventura pela Terra Média. 

É impossível não associar a indicação do Ian McKellen com a do Alec Guiness em “Star Wars – Uma Nova Esperança”. Um ator veterano no meio de jovens interpretando o sábio daquela turma. 

2. MELISSA MCCARTHY, por “MISSÃO MADRINHA DE CASAMENTO”

Jerry Lewis, Jim Carrey, Ben Stiller, Tina Fey… Quantos grandes comediantes do cinema americano até hoje não conseguiram suas indicações ao Oscar? Há também aqueles que precisam ir para o drama para serem lembrados como foi o Eddie Murphy. 

Por isso, uma indicação por uma comédia escrachada tem o seu valor, especialmente, se você for uma mulher. 

A Melissa McCarthy é o ponto alto do grande elenco do ótimo “Missão Madrinha de Casamento”. A nomeação dela, aliás, também pode entrar na conta do reconhecimento ao time que conta com a Rose Bryne e Kristen Wiig. 

1. RICHARD JENKINS, por “O VISITANTE” 

A mais inusitada indicação ao Oscar de 2000 para cá vem da cerimônia de 2009. 

A Academia poderia ter optado por Leonardo DiCaprio no seu reencontro magnético com Kate Winslet em “Foi Apenas um Sonho”. Ou ter optado pelo Dev Patel, do favorito da temporada “Quem Quer Ser um Milionário?”.

Porém, a última vaga do Oscar de Melhor Ator ficou com o discreto Richard Jenkins, de “O Visitante”. No meio de trabalhos tão intensos, o ator traz uma bem-vinda leveza. 

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