De Sophia Loren a Sidney Poitier, chegou a hora de listar os 10 maiores momentos do Oscar na década de 1960.  

10. CERIMÔNIA QUASE CANCELADA 

Você já pensou faltar três horas para o início do Oscar e não saber se a festa iria ocorrer ou não? 

Foi o caso de 1967 quando a Federação americana dos Artistas de Rádio e Televisão entrou em greve e quase inviabilizou a realização da cerimônia.

O assunto só foi resolvido faltando pouco mais de três horas para o início do Oscar. 

O apresentador da festa, Bob Hope, aproveitou para tirar onda com a situação durante o monólogo de abertura do Oscar vencido por “O Homem que não Vendeu Sua Alma”. 

9. CANÇÃO GREGA PREMIADA

Canção do filme grego “Nunca aos Domingos”, “Ta Paidia tou Piraia” foi a primeira música não falada em inglês o Oscar, em 1960.

Fato semelhante só foi ocorrer 44 anos depois com “Al Otro Lado Del Río”, de “Diários de Motocicleta”. 

8. APARIÇÃO DE PATRICIA NEAL 

Patricia Neal venceu o Oscar de Melhor Atriz merecidamente por “O Indomado” em 1964. Porém, a vida dela nos anos 1960 foi marcada por tragédias familiares. 

Com apenas quatro meses, o filho dela, Theo, sofreu lesões cerebrais em decorrência de um acidente de trânsito. Depois, foi a filha de sete anos, Olivia, morrer de encefalite. Durante a última gravidez, a Patricia Neal ficou entre a vida e a morte ao sofrer um aneurisma cerebral. 

Por todo esse histórico e a força por sempre se reerguer, ao surgir no Oscar de 1967 para a apresentar a categoria de Melhor Filme em Língua Não-Inglesa, ela foi ovacionada no palco do Dorothy Chandler Pavilion. 

7. VITÓRIA DE SOPHIA LOREN 

Em 1962, a Academia fez uma escolha ousada em Melhor Atriz. 

Mesmo com a possibilidade de premiar estrelas hollywoodianas do naipe de Audrey Hepburn, por “Bonequinha de Luxo”, ou Natalie Wood, de “Clamor ao Sexo”, o Oscar foi para a Sophia Loren, do excelente “Duas Mulheres”.

Foi a primeira vez em que uma interpretação vinda de um filme não falado em inglês saiu premiada. 

6. A VITÓRIA DE JOHN WAYNE 

Se o faroeste é o gênero mais marcante do cinema americano, o John Wayne foi a imagem dele. O homem corajoso, íntegro, valente e leal simbolizava também aquilo que os EUA gostariam de vender como marcas de suas supostas qualidades para o planeta inteiro. 

Esta persona, muitas vezes, fazia com que os personagens dele não apresentassem tanta variação de um para o outro. Ter sido indicado apenas uma vez ao Oscar durante o auge da carreira mostra muito bem isso. 

Porém, a Academia sempre dá um jeito de consagrar as principais estrelas da história de Hollywood. 

Apesar de não esbanjar a vitalidade de outrora, o Wayne segue sendo o herói americano perfeito com uma pontinha de anti-herói e o ponto alto do fraco “Bravura Indômita”. O Oscar, entretanto, veio mais pelo conjunto da obra do que pela atuação em si. 

Afinal, em um mundo justo, o Dustin Hoffman ou o Jon Voight deveriam ter sido os ganhadores por “Perdidos na Noite”. 

5. O DISCURSO DE ALFRED HITCHCOCK 

Toda lista das maiores injustiças da história do Oscar que se preze traz o nome de Alfred Hitchcock. Afinal, o mestre do suspense chegou a ser indicado por obras-primas como “Rebecca”, “Janela Indiscreta” e “Psicose”, porém, nunca venceu Melhor Direção. 

Em 1968, a Academia resolveu homenageá-lo com o prêmio Irving G Thalberg. E Hitchcock fez um dos discursos mais memoráveis da história do evento. 

Ganhador de dois Oscars naquela década com clássicos dos musicais como “Amor Sublime Amor” e “A Noviça Rebelde”, o Robert Wise ressaltou a carreira do diretor e o chamou ao palco. Todo elegante e com seu jeito peculiar de andar, o Hitchcock recebe o prêmio e inspirado diz: ‘THANK YOU’. E vai embora.

Precisa de mais? 

4. ADIAMENTO POR MARTIN LUTHER KING

O assassinato do reverendo e líder do movimento negro dos EUA, Martin Luther King, no dia 4 de abril de 1968, fez a Academia mudar os planos da cerimônia daquele ano. 

Inicialmente, a festa seria realizada no dia 8 de abril, porém, como o funeral estava marcado para o dia 9, a decisão foi adiar a festa para 10 de abril. Mesmo assim, o clima não era dos melhores. 

Logo no início da cerimônia, o Gregory Peck subiu ao palco para dar as boas-vindas e prestou solidariedade aos familiares de Martin Luther King, exaltando a importância dele nos EUA. Também citou como a seleção de filmes daquele ano tocava, entre outros assuntos, no racismo como visto em “No Calor da Noite” e “Adivinhe quem vem para Jantar?”. Também pedindo união através da compaixão e como o cinema como espaço para celebrar a dignidade humana independente de qualquer diferença de raça, crença ou nacionalidade.  

3. EMPATE ENTRE KATHARINE HEPBURN E BARBRA STREISAND

Seis empates aconteceram na história do Oscar. E um deles reuniu duas lendas de Hollywood. 

Em 1969, a Barbra Streisand estreou nos cinemas de maneira brilhante com “Funny Girl”, enquanto a Katharine Hepburn esbanjava ironia e cinismo em “Um Leão no Inverno”, um dos melhores trabalhos dela na carreira. As duas tiveram 3030 votos e dividiram a estatueta.

A única diferença é que a Barbra foi na festa. Já a Hepburn manteve a tradição de não ir. 

2. VITÓRIA DE SIDNEY POITIER 

Para hoje vermos brilharem astros como Denzel Washington, Forest Whitaker ou Daniel Kaluuya foi porque alguém abriu esse caminho lá atrás.

E o nome foi Sidney Poitier, o primeiro homem negro indicado a vencer o Oscar. 

A estatueta veio na edição de 1964 quando ele foi premiado por sua contagiante atuação em “Uma Voz nas Sombras”.

A alegria do anúncio feito pela Anne Bancroft, a corrida de felicidade até chegar ao palco e o sorriso de orelha a orelha do Poitier tornam este momento inesquecível. 

1. FIM DA ERA DO PRETO E BRANCO 

Competindo com a televisão no fim dos anos 1950 e início dos 1960, o cinema americano abraçou de vez o colorido, deixando o preto e branco em segundo plano. O Oscar refletiu bem essas mudanças. 

Em 1961, “Se o Meu Apartamento Falasse”, do Billy Wilder, se tornou o último longa daquela era em preto e branco a sair ganhador de Melhor Filme. Isso só foi se repetir em 1994 com “A Lista de Schindler”, e 2012 com “O Artista”. 

A própria cerimônia não ficou fora da transformação tecnológica. 

Em 1966, o Oscar foi transmitido em cores pela primeira vez, permitindo ao público ver com mais detalhes o tapete vermelho e o palco da cerimônia que tinha 42 fontes borrifando água.  

Dois anos depois, a cerimônia decidiu unificar as categorias de Direção de Arte, Fotografia e Figurino sem mais divisão entre filmes coloridos e preto e branco. 

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