Algum tempo atrás falamos sobre os grandes críticos de cinema da história. O tempo passa, a tecnologia se expande e novos formatos de comunicação surgem e/ou se aprimoram. Pensando nisso, resolvemos atualizar essa lista com críticos que tem se destacado na última década e merecem nossa atenção.

Fundadora do Cinematecando, Bárbara Demerov elenca atualmente o time de redatores do AdoroCinema. O que chama atenção em suas críticas é a maneira como ela te faz imergir dentro da narrativa e perceber certos aspectos presentes na trama como se estivéssemos no set ao fim da gravação de uma cena.

Se você assiste o “Café com Jornal” ou acompanha a Band News já deve tê-la visto trazendo comentários informativos e opinativos sobre cinema. Editora do TelaTela, Guerra já foi colunista de cinema do Arte1 e repórter do caderno de cultura da Folha de São Paulo. Nos últimos anos, ela tem feito a cobertura de festivais nacionais e internacionais, como de Veneza e Cannes, para o Canal Brasil e o Tela a Tela.

Com tantos canais de cinema no YouTube trazendo críticas dos lançamentos da semana, Arthur Tuoto vai contramão e apresenta um projeto denso e rico em análises bastante aprofundadas de clássicos (“Desencanto”, de David Lean”) e cults (“Desejo e Obsessão”, de Claire Denis). Recentemente, Tuoto vem debatendo o papel e dilemas da crítica de cinema.

Isabel Wittmann foi uma das citadas no nosso artigo sobre mulheres na crítica cinematográfica. Fundadora do Estante da Sala, ela traz análises permeadas pelo viés sociológico e antropológico com recorte especial ao feminismo. Nesse último quesito, destaca-se sua participação no podcast Feito Por Elas, que disseca a filmografia de diretoras dos cinco continentes. Importantíssimo para conhecer o cinema projetado por mulheres e compreender o mercado cinematográfico.

E por falar em cinema feito por mulheres, alguém para estar atento é Luísa Pécora, criadora do site “Mulher no Cinema”. Ela já colaborou para o portal IG e a revista Cult. Suas críticas sempre trazem um viés feminista, com olhar especial à representação de gênero. Para quem gosta de fazer o #52FilmsByWomen e estar por dentro de como a indústria cinematográfica trata as mulheres em seus vários setores, precisa acompanhá-la.

Lully é o nome virtual de Luisa Clasen. Formada em Cinema pela Unespar, com passagens pela New York Academy, Clasen apresenta o “Lully de Verdade”, um canal com mais de 350 mil inscritos. Nele encontram-se análises aprofundadas sobre cenas específicas de clássicos do cinema contemporâneo, além de discussões sobre temas pertinentes a produção cinematográfica brasileira, como sua última playlist abordando a Ancine e seus atributos.

Max Valarezo é a voz e o rosto por trás do EntrePlanos – canal com quase 245 mil inscritos, apresentando pontos interessantes a serem explorados nos filmes. Ele busca temas polêmicos, que despertam curiosidades e faz a análise dos filmes a partir disso. Seus vídeos são orgânicos e possuem uma fluidez visual que consegue alcançar os mais variados públicos que apreciam a sétima arte.

Membro da Associação Cearense de Críticos de Cinema, Raphael PH Santos traz críticas em seu canal de séries e filmes com um viés semiótico, mas sempre de forma compreensível ao público que o acompanha. Algumas de suas análises mais interessantes são aquelas em que disseca as produções quadro a quadro. Vale a pena acompanhá-lo e expandir as sensações causadas pelas obras por meio da semiótica.

Convidado na última edição do Festival Olhar do Norte para ser o mediador dos debates, Juliano Gomes integra a equipe da Cinética, um dos sites mais analíticos e densos sobre cinema feito no Brasil. A recente entrevista dele com o diretor Gabriel Mascaro (“Boi Neon” e “Divino Amor”) é uma das melhores já feitas pelo site (clique aqui).

Crítico de cinema do site B9, Matheus Fiore é o editor-chefe e fundador do ótimo site Plano Aberto. Além de escrever, ele também produz e participa como convidado especial de podcasts, sendo mais um dos retratos da polivalência necessária para a função nos dias de hoje.

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Desde seu longa-metragem de estreia, “O Som ao Redor” (2013), a obra de Kleber Mendonça Filho vem estabelecendo um diálogo afiado com o cenário político do país na época de seus respectivos lançamentos. Em 2016, “Aquarius” virou símbolo de resistência contra o golpe...