O Cine Set prossegue com as entrevistas dos candidatos à Prefeitura de Manaus nas eleições 2020 com Coronel Menezes. 

O candidato do Patriota tenta chegar pela primeira vez à Prefeitura de Manaus. Ex-superintendente da Zona Franca de Manaus, a Suframa, Coronel Menezes surge na esteira da onda bolsonarista com apoio público do atual presidente da República. 

Conforme estabelecido junto a todas as chapas, as perguntas são idênticas para todos os candidatos e feitas na mesma ordem. 

Cine Set – Qual deve ser o papel do Estado no setor cultural e qual será o foco da sua gestão no setor? 

Coronel Menezes – O papel do Estado é resgatar a cultura. Sempre digo que um povo sem passado é um povo sem futuro. No nosso plano de governo, contemplamos o resgate do edital de cultura.

Isso porque o edital da cultura faz com que a gente possa atrair investimentos tanto para artistas quanto para produtoras culturais. O município já possui uma lei de incentivo à cultura e o que precisamos fazer é dar uma destinação correta a ela. Em linhas gerais, essa é a nossa visão sobre a cultura. 

Temos pela cidade vários movimentos folclóricos, zumba. O que os artistas têm me pedido é que haja uma valorização deles nos grandes eventos realizados em feriados e datas festivas. 

Cine Set – Como tornar a Lei Municipal de Incentivo à Cultura mais eficiente em sua proposta?  

Coronel Menezes – Nós, brasileiros, gostamos muito de leis. Para qualquer problema, coloca-se uma lei, porém, não se consegue fiscalizar se está sendo cumprida, fora que o gestor público não consegue ter a ação de comando, ou seja, ele não tem o pulso forte para fazer com que a lei tenha a sua eficácia. 

Logo, para esta regulamentação específica, falta ação de comando, pulso forte para que ela se realize, além de dar a prioridade devida para este tema. 

Cine Set – Como a Prefeitura pode estimular a iniciativa privada a apoiar e investir na cultura local?  

Coronel Menezes – A primeira coisa que a Prefeitura precisa fazer para conseguir isso é estabelecer um calendário de eventos. Inicialmente, o poder público tem que apresentar um planejamento, justamente a área na qual fiz mestrado, doutorado e passei 30 anos no Exército focado nisso.  

Como superintendente da Zona Franca de Manaus, eu vi o desejo de muitos diretores e executivos de grandes empresas em investir na cultura, mas, eles diziam: ‘não nos chamam para os eventos, mas querem dinheiro’.  

Então, repito: o que o poder público precisa apresentar é um planejamento com o nosso foco para a cultura com o calendário de eventos para chamar a iniciativa privada e perguntar qual o tipo de parceria que a empresa pode fazer. Isso é realizado em outras cidades  

Cine Set – Como a Prefeitura de Manaus pode ajudar a descentralizar as atividades culturais para que elas cheguem nas regiões periféricas, especialmente, nas zonas norte e leste da capital? 

Coronel Menezes – Visitei recentemente um grupo de zumba na zona leste que veio nos apoiar. Eu não conhecia a dimensão do trabalho deles e me dispus a buscar recursos, inclusive do governo federal, para que iniciativas de pequenos artistas como essas sejam desenvolvidas.  

Porém, não é só colocar o recurso lá: a presença do comandante, como dizemos nas Forças Armadas, causa um impacto muito grande. O prefeito precisa ir lá prestigiar para que a população sinta que aquilo é importante. Dentro disso, o gestor tem que dar a cota dele de participação e vamos caminhar nessa linha se fazendo presente em toda cidade de Manaus. 

Cine Set – Políticas de editais públicos para o setor cultural como, por exemplo, “Conexões Culturais” e arranjos regionais em parceria com a Ancine, serão mantidas? Se sim, como poderão ser aprimoradas? 

Coronel Menezes – Vou ser muito franco: neste exato momento, eu não tenho uma leitura profunda deste tema para te dar uma opinião abalizada. Não tenho e reconheço isso.  

O que posso dizer é o seguinte: tudo o que for de política pública de Estado que estiver sendo muito bem realizada será mantida e ampliada. 

Cine Set – Artistas amazonenses quando precisam realizar atividades formativas ou cursos, mesmo de curta duração, muitas vezes, precisam sair de Manaus para fazer estas atividades, pois, elas não existem por aqui, sendo inviável para muita gente. Como a Prefeitura pode contribuir neste aspecto formativo do setor? 

Coronel Menezes – Qualquer ente do Executivo precisa estar dentro de um programa de política pública de Estado. Não pode ser simplesmente algo de um governo ou uma promessa de campanha a ser esquecida. Algo que me preocupa no meio político, em que estou me inserindo agora, é perceber que as ações mais estancam hemorragias momentâneas do que pensar soluções a longo prazo com o paciente sempre dependente do Estado. 

Em primeiro lugar, vamos colocar uma pessoa da área para que a gente possa desenhar planos. Mas, sim, o Estado pode apoiar até porque, em 2019, a Prefeitura gastou R$ 11 milhões por mês com Comunicação Social. Já empreendedorismo ficou com apenas R$ 700 mil mensalmente e a cultura com 0,13% do orçamento, quase nada.  

Logo, precisamos pegar este recurso de publicidade e destinar para a cultura. Assim, teremos como ajudar este artista, afinal, não conseguimos chegar em nenhum lugar sem capacitação ou treinamento. 

Cine Set – O senhor pretende ter uma secretaria ou fundação destinada exclusivamente à cultura ou ela estará associada junto a algum outro setor? Por quê? 

Coronel Menezes – Pelo que eu vi, atualmente, a cultura está junto com o turismo. Neste primeiro momento, a minha ideia é manter. Só mudarei minha visão se chegar alguma outra contribuição que mude meu pensamento.  

Darei uma ênfase muito grande para o turismo aliado à cultura. Por exemplo: quando você vai em São Paulo, a feira faz parte da cultura daquele Estado. Aqui em Manaus, porém, as feiras estão abandonadas. Melhorá-las está no meu plano de governo para que os turistas e as pessoas daqui possam visitar. Logo, você vê que a cultura não é só cultura, pois, se entrelaça com outros temas também. 

Vou além: como um homem republicano, fizemos uma pesquisa que apontou as demandas prioritárias da sociedade manauara. Predominaram o transporte público, segurança, educação, moradia, regularização fundiária. A cultura é importante, com certeza, mas, então, diante disso, eu não serei proselitista nem político de dizer ‘claro que vamos fazer’. Não, não será assim.  

Cine Set – O senhor conhece alguma obra do cinema amazonense? Já assistiu? Tem algum que o senhor mais gosta? 

Coronel Menezes – Não, eu não tenho conhecimento. Não conheço porque não assisti. Não vou ser demagogo de mentir e dizer que assisti e que conheço. Simples assim. Eu sou um cara franco e verdadeiro, aberto a tudo. Vi uns documentários quando eu visito lá o museu, mas, dizer que eu sei, quem são e que vi estaria mentindo. Não vou fazer isso. 

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