O Cine Set prossegue com as entrevistas dos candidatos à Prefeitura de Manaus nas eleições 2020 com Ricardo Nicolau.     

O candidato do PSD tenta chegar pela primeira vez à Prefeitura de Manaus. Ricardo Nicolau foi eleito para Assembleia Legislativa do Amazonas nos anos de 2010, 2014 e 2018. 

 Conforme estabelecido junto a todas as chapas, as perguntas são idênticas para todos os candidatos e feitas na mesma ordem.  
  

Cine Set – Qual deve ser o papel do Estado no setor cultural e qual será o foco da sua gestão no setor?   

Ricardo Nicolau – O Estado tem papel fundamental de fomentar, incentivar e valorizar a cultura. O incentivo, aliás, deve ser tanto para os profissionais já estabelecidos no setor quanto para as pessoas que passem a curtir e busquem se inserir neste mercado.     

Dentro disso, o trabalho nas escolas é extremamente importante. Na medida em que você leva movimentos artísticos para a rede municipal de ensino começa a criar uma cultura dentro dos alunos de serem também bons profissionais no futuro. Além disso, faz com que estes jovens deem valor à arte produzida no Amazonas. Nossa ideia é fazer a cultura ter destaque e, com isso, gerar renda. Afinal, muitas pessoas vivem e trabalham de um sonho seu, uma manifestação pessoal.   

Por fim, cito um projeto do nosso plano de governo que visa levar, em horários pré-estabelecidos, os alunos da rede municipal para os cinemas. Temos muitas salas em Manaus que estão subutilizadas. Uma grande quantidade dos alunos de baixa renda nunca entraram em uma sala de cinema na vida. Com isso, pretendemos dar este acesso a estes garotos e garotas para criar o hábito em se interessar pela cultura. 

Cine Set – Como tornar a Lei Municipal de Incentivo à Cultura mais eficiente em sua proposta?  

Ricardo Nicolau – Precisa ter um trabalho de tornar a lei conhecida. Depois, é necessário incentivar os empresários a investirem na forma de patrocínio ou doação. Eu dei uma lida na lei e, salvo engano, você pode doar 2% do ISS (Imposto Sobre Serviço) do ano passado. Por exemplo: o valor era de R$ 100 mil do total, logo, você pode destinar R$ 2 mil para um projeto cultural.   

Acredito que seja necessário dar uma revisada neste percentual, afinal, somente empresas muito grandes poderiam dar um valor significativo. Analisando a situação do setor de serviços de Manaus, acho que poderíamos aumentar o percentual. Com isso, o empresário teria uma margem para poder investir em projetos que venham trazer benefícios. 

Cine Set – Como a Prefeitura pode estimular a iniciativa privada a apoiar e investir na cultura local?   

Ricardo Nicolau – Volto a citar a divulgação da lei mostrando os benefícios dela através de ampla divulgação. Há também uma questão política. A Prefeitura pode ser protagonista de levar os projetos até o empresário. Você tem, por exemplo, a Coca-Cola com recursos voltados para isso, o Bradesco também.  

Confesso que não tenho conhecimento de quantos projetos já foram bancados por investimentos privados através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Precisamos ter uma estratégia junto com o Conselho e os artistas para abrir portas.  

Trata-se de um processo de planejamento, seleção e sair do gabinete. Afinal, o poder público tem um acesso maior, por exemplo, ao Bradesco que o cidadão comum sozinho. 

Cine Set – Como a Prefeitura de Manaus pode ajudar a descentralizar as atividades culturais para que elas cheguem nas regiões periféricas, especialmente, nas zonas norte e leste da capital?  

Ricardo Nicolau – Esse projeto de levar os alunos das escolas municipais para os cinemas estimulando este hábito pode ser um projeto interessante. Com isso, criamos amantes do cinema e da cultura. Há também uma proposta chamada ‘Escola de Portas Abertas’, a qual prevê a utilização de espaços como quadras e auditórios dos colégios para abrigar eventos culturais, envolvendo a juventude e as famílias. Isso pode trazer essa descentralização mais rápido. 

Temos também poucas peças de teatro, logo, acho que dá para incentivar mais. Outra ideia é levar música aos mais diversos pontos da cidade.  

As zonas leste e norte, especificamente, quase não possuem áreas culturais e de lazer. Há um projeto antigo do Oscar Niemayer, na Ponta das Lajes, que não foi executado. Ali, tem uma área extremamente bonita que pode ter uma grande vocação cultural, sendo capaz de atrair tantos os manauaras quanto os turistas. 

Agora, acredito que precisamos focar em uma cultura para todos. Sou defensor da cultura popular. Infelizmente, Manaus está atrasada na questão cultural como um todo. Precisamos criar mecanismos para despertar o interesse das pessoas em conhecer e se apaixonar pela nossa cultura. 

Cine Set – Políticas de editais públicos para o setor cultural como, por exemplo, “Conexões Culturais” e arranjos regionais em parceria com a Ancine, serão mantidas? Se sim, como poderão ser aprimoradas?  

Ricardo Nicolau – Sim, todo projeto que estiver dando certo precisa continuar. Até porque os projetos não pertencem ao prefeito. Tem que acabar com esse negócio de um novo gestor querer reinventar a roda quando assume o cargo. Pode ser melhorado? Claro que pode, mas, sou defensor da continuidade de bons projetos. É um compromisso que devemos ter com a cidade. 

Cine Set – Artistas amazonenses quando precisam realizar atividades formativas ou cursos, mesmo de curta duração, muitas vezes, precisam sair de Manaus para fazer estas atividades, pois, elas não existem por aqui, sendo inviável para muita gente. Como a Prefeitura pode contribuir neste aspecto formativo do setor?  

Ricardo Nicolau – A gente precisa incentivar, preparar e elevar a qualidade. Podemos criar mecanismos com regras muito claras. O município não tem recursos suficientes para mandar todos aqueles que tem interesse. Por isso, é necessário disciplinar e criar regras. 

Se Deus permitir, chegando à Prefeitura, pretendo lançar um concurso de arquitetura para escolher o melhor projeto para a modernização da Manaus Moderna. De moderno ali, só há o nome: é uma bagunça generalizada, apesar de ser um ambiente rico pelo rio logo ao lado. Acredito que ficará para a história e será um novo cartão postal da cidade.  

A partir desta ideia, pretendemos fazer outros concursos também remunerados.  

Cine Set – O senhor pretende ter uma secretaria ou fundação destinada exclusivamente à cultura ou ela estará associada junto a algum outro setor? Por quê?  

Ricardo Nicolau – Existe já a Manauscult que tem uma função de turismo e cultura. Será preciso rever todo o organograma dela. A cultura é muito ampla com diversos segmentos e eles precisam ter setores com gente especializada que conheça a realidade e possa fazer uma avaliação crítica e técnica.  

A questão cultural e intelectual precisa ter uma avaliação bem criteriosa, afinal, nem todas as pessoas estão preparadas para fazer uma análise crítica de uma arte como um todo.  

Cine Set – O senhor conhece alguma obra do cinema amazonense? Já assistiu? Tem algum que o senhor mais gosta?  

Ricardo Nicolau – Cheguei a ir, como deputado estadual, em algumas edições do Amazonas Film Festival. Não lembro o último qual foi, não sei se teve no ano passado. Vi alguns filmes na internet. Também já vi o cenário do Amazonas em vários filmes. Temos muitos artistas amazonenses em filmes de fora. Mas, confesso que não lembro de ver um filme ou documentário 100% feito em Manaus em uma sala de cinema.

 

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