Baixinho, nem fortão nem magrelo, muito menos um símbolo sexual de parar avenidas.  

O Dustin Hoffman poderia ser uma antítese daquilo que Hollywood consagrou como uma estrela do cinema, porém, é justamente essa capacidade do público enxergar nele uma pessoa como seu vizinho ou um amigo que o imortalizou nas telas. Isso, claro, graças a muito talento e versatilidade. 

Como não poderia deixar de ser, a Academia reconheceu Hoffman com sete indicações e duas vitórias no Oscar. Neste vídeo/post, eu faço um balanço destas nomeações da pior para a melhor, além de citar outra atuação que poderia ter sido indicada. 

 7. MERA COINCIDÊNCIA 

A última indicação, pelo menos até agora, da carreira do Dustin Hoffman foi justamente com a atuação menos memorável. Ainda assim, um trabalho bem divertido. 

Em “Mera Coincidência”, o ator interpreta Stanley Motss, um cineasta contratado para criar uma guerra fictícia e mudar o foco da crise que atinge o presidente dos EUA. O Hoffman forma uma divertida dobradinha com o Robert De Niro e utiliza a seriedade do personagem como dispositivo para o humor graças à falta de noção de um cineasta preocupado em entregar um trabalho de primeira independente sobre os efeitos sociais do que faz. 

O filme marcou o retorno da parceria do Hoffman com o Barry Levinson, diretor de “Rain Man”, que vai aparecer na lista daqui a pouco.

Por “Mera Coincidência”, ele foi indicado a Melhor Ator em 1998, porém, perdeu para o Jack Nicholson, de “Melhor é Impossível”. Um resultado, diga-se de passagem, justo. 

6. TOOTSIE

Dirigido pelo Sydney Pollack, o Dustin Hoffman voltou com tudo para as comédias em “Tootsie”. O sucesso rendeu uma indicação a Melhor Ator em 1983. 

No longa, ele interpreta um ator desesperado por um emprego. Certo dia, ele decide se vestir de mulher para participar de um teste para uma novela. Não apenas consegue o personagem como começa a fazer um sucesso absurdo. A questão, claro, é como manter o segredo. 

O bonito do trabalho do Dustin Hoffman é a forma natural como ele arranca risadas do público; em nenhum momento, soa forçado, exagerado, tornando aquela trama crível por mais incrível que possa ser. A interpretação dele ainda realça aspectos do machismo no mercado de trabalho de forma, digamos, até avançadas para a época.  

Se “Tootsie” é um filme lembrado até hoje, muito disso, se deve ao ator. 

No Oscar de 1983, ele perdeu a disputa de Melhor Ator para o Ben Kingsley, de “Gandhi”, mais um resultado sem ter o que contestar. 

5. LENNY 

De todos os trabalhos do Hoffman indicados ao Oscar, “Lenny” é o menos conhecido. É uma pena porque é um filmaço com uma atuação excelente dele. 

Com direção do Bob Fosse, a produção traz o Hoffman interpretando Lenny Bruce, um comediante conhecido por shows contestadores, pesados e que cutucavam a sociedade norte-americana. “Lenny” adota o formato de um falso documentário, casando bem com o estilo mais ousado do protagonista. 

Em 1975, o Hoffman perdeu o Oscar de Melhor Ator para o Art Carney, de “Harry, o Amigo de Tonto”. Ali, a Academia pisou feio na bola, pois, tinha também o Al Pacino, de “O Poderoso Chefão 2” 

 4. KRAMER VS KRAMER 

O primeiro Oscar da carreira do Dustin Hoffman veio na edição de 1980 com “Kramer Vs Kramer”.  

 O drama traz o ator como um sujeito lidando com os afazeres domésticos e os cuidados com o filho pequeno após a esposa vivida pela Meryl Streep ir embora em busca do divórcio. Após meses, os dois entraram em uma batalha judicial para definir quem ficará com a guarda do garoto. 

De todos os personagens do Dustin Hoffman, nenhum deles chegou tão próximo ao homem comum do que em “Kramer Vs Kramer”. A atuação contida, sem grandes picos dramáticos, não diminui nenhum pouco o drama do personagem e a nossa empatia com aquela família.  

A vitória veio em cima de nomes como Peter Sellers, de “Muito Além do Jardim”, Al Pacino, por “Justiça Para Todos”, Jack Lemmon, de “Síndrome da China”, e Roy Scheider, por “All That Jazz”. Tais rivais só abrilhantam a conquista do Hoffman. 

3. RAIN MAN 

Se o hoje o autismo é visto com mais respeito e compreensão na opinião pública, parte deste esforço histórico se deve ao trabalho brilhante do Dustin Hoffman em “Rain Man”. 

Afinal, no longa do Barry Levinson, o ator constrói, ao lado do excelente roteiro do Ronald Bass e Barry Morrow, um personagem longe dos estereótipos forçados ao apostar na leveza, sensibilidade e inteligência do irmão de Tom Cruise na trama. Aliás, a dupla com o então galã do momento de Hollywood funciona precisamente sendo a alma do filme. 

“Rain Man” rendeu o segundo Oscar da carreira do Dustin Hoffman. Aqui, a vitória foi mais fácil ao superar nomes como o Gene Hackman, de “Mississipi em Chamas”, e o Tom Hanks, por “Quero Ser Grande”. 

2. A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM 

Os deuses do cinema sorriram para o Dustin Hoffman logo de cara, afinal, um dos primeiros trabalhos dele foi apenas ao lado do Mike Nichols na obra-prima “A Primeira Noite de um Homem”. 

Na clássica comédia romântica de 1967, o Hoffman faz um sujeito apaixonado por uma garota, mas, que acaba seduzido pela sogra Mrs. Robinson. A indecisão, angústia, a tentação, a pureza, o dilema amor ou sexo estão estampados no rosto do ator em um desempenho que baseou todos os que se aventuraram pela comédia romântica dali em diante. 

Por “No Calor da Noite”, o Rod Steiger foi o vencedor de Melhor Ator no Oscar 1968. Um erro da Academia até porque, além do Hoffman, tinha o Warren Beatty, de “Bonnie & Clyde”, e o Paul Newman, de “Rebeldia Indomável”. 

1. PERDIDOS NA NOITE 

O melhor trabalho do Dustin Hoffman indicado ao Oscar vem da cerimônia de 1970 pelo genial “Perdidos na Noite”. 

O Hoffman interpreta um vigarista amoral da pior espécie, mas, que conquista o público pela sua fragilidade e miséria. Os contrastes em todos os sentidos da dupla formada ao lado do Jon Voight em vez de afastá-los os aproxima neste Dom Quixote urbano e sujo novaiorquino. 

A vitória da lenda John Wayne, por “Bravura Indômita”, mostra como Hollywood ainda não compreendia muito bem aquela nova geração de atores e diretores surgindo com uma ousadia rara para o cinema americano de então. Só isso para justificar as derrotas seja do Hoffman ou do Jon Voight. 

A INDICAÇÃO QUE NÃO VEIO – “MARATONA DA MORTE” 

Agora, qual foi a grande atuação do Dustin Hoffman não indicada ao Oscar? Na minha opinião, ela vem de 1976. 

Não, não estou falando de “Todos os Homens do Presidente”, mas, sim de “Maratona da Morte”. Novamente trabalhando com o John Schlesinger, de “Perdidos na Noite”, ele faz um estudante de História na faculdade acaba parando no meio de uma conspiração internacional após a chegada de seu irmão. 

Pelo filme, o Dustin Hoffman chegou a ser indicado a Melhor Ator em Drama no Globo de Ouro de 1977, porém, no Oscar, não teve vez em uma disputa que trazia o Robert De Niro, por “Taxi Driver”, o Sylvester Stallone, em “Rocky”, e o ganhador Peter Finch, por “Rede de Intrigas”. 

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