A vitória de “O Barco e o Rio” com cinco Kikitos no Festival de Gramado 2020 simbolizou os avanços do cinema amazonense cada vez mais presente em eventos nacionais e internacionais. Um vácuo, entretanto, insiste em permanecer: a ausência de um curso regular do setor em uma instituição de ensino superior em Manaus ou no interior do Estado. A última iniciativa do tipo chegou ao fim após a formação da segunda turma, em março de 2018, do curso de Tecnologia em Produção Audiovisual da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). 

Três anos depois, usando um linguajar cinematográfico, a iniciativa pode passar por um reboot: tramita um processo para analisar a retomada do curso na Pró-Reitoria de Ensino de Graduação da Universidade do Estado do Amazonas (Prograd/UEA). Diretor do Casarão de Ideias e atual coordenador do programa de Pós-Graduação Lato sensu em Gestão Produção Cultural da UEA, João Fernandes está à frente do projeto e conversou com o Cine Set contando detalhes da proposta. 

Pelo projeto, o novo curso de audiovisual será ofertado ainda em caráter especial para 30 alunos – 10 a menos do número da turma inicial de 2013 – com expectativa de já ser inserido no próximo vestibular para começo das aulas em 2022, segundo João. A proposta readaptou o conteúdo programático para focar menos em áreas da Comunicação e mais em audiovisual, entrando, por exemplo, acessibilidade nas telas e cinema e gênero. Disciplinas tradicionais como direção, roteiro, direção de fotografia, áudio estão mantidas. 

SUCESSO DOS FILMES AMAZONENSES INFLUIU NO PROCESSO 

Parceria vencedora do Festival de Gramado entre Bernardo Abinader e Valentina Ricardo começou durante o curso de audiovisual da UEA.

A iniciativa de uma retomada do curso de audiovisual na UEA surgiu durante o segundo semestre de 2020, especialmente, com a conquista de “O Barco e o Rio” em Gramado. Premiado no mais tradicional festival de cinema do Brasil, o diretor Bernardo Ale Abinader e a diretora de fotografia Valentina Ricardo são egressos da universidade e formados na segunda e última turma, onde decidiram criar a produtora Fita Crepe Filmes. 

Toda a repercussão gerada pela conquista fez João Fernandes realizar um recorte de várias matérias, reportagens sobre o filme e outras produções realizadas no curso ou pelos ex-alunos. A ideia era apresentar para o reitor da UEA, Cleinaldo Costa, como um resultado da iniciativa da universidade.  

“O reitor foi de extrema importância: ele recebeu a proposta com entusiasmo e pediu para que víssemos como viabilizar este retorno. A Reitoria mandou uma solicitação para a ESAT (Escola Superior de Artes e Turismo) do que era preciso. Feito este levantamento, começamos todo o trâmite inicial, colocando na pauta do Conselho Universitário para apresentação, apreciação e aprovação, obtendo o ‘ok’ em dezembro do ano passado”, disse.  

Caberá à Prograd analisar a viabilidade da proposta, o que deverá ocorrer em breve. “Sendo aprovado, vamos partir para a etapa de pensar a redistribuição de espaços, mapear quem poderão ser os professores, construir uma coordenação”, completou. 

EQUIPAMENTOS E CORPO DOCENTE 

Equipamentos chegaram à UEA em 2014 na época em que a Abrahim Baze Jr era o coordenador do curso.

Em agosto de 2014, a UEA adquiriu um então moderno acervo de equipamentos para o curso de audiovisual. Foram 64 itens, entre eles, seis ilhas de edição, equipamentos de iluminação com tecnologia LED e digital, três ilhas de finalização, incluindo, oito iMAC, quatro iMAC Pro, além de dois MacBook Pro. Também foram adquiridas 11 câmeras com tecnologia Full HD e Full-Freum de 35mm, cinco GoPro Hero 3+, três Canon 5D Mark III, três Sony Nex Ea50h, carrinhos de movimento e o Skater Dolly. 

De acordo com João Fernandes, durante este período sem o curso, todo material continuou nas dependências da ESAT. Para a proposta, o levantamento e o status de funcionamento dos equipamentos foram feitos; agora, as câmeras e computadores estão organizados em uma sala com uma pessoa responsável por eles. “Neste início, não deve ter investimento em maquinário. Compreendemos que certos equipamentos estão ultrapassados, mas, teremos que usar o que temos”, disse. 

Quanto ao corpo docente, a proposta prevê contar inicialmente com um grupo de professores da própria ESAT. A ideia, segundo João, é oferecer, pelo menos, no primeiro período disciplinas mais teóricas como filosofia da arte e dramaturgia, já disponíveis nos cursos de arte: “Ter essa possibilidade de iniciar com o que temos pode ajudar a obter o aval para o processo seletivo nas áreas técnicas como auxiliar de câmera e alguém para a manutenção, por exemplo”. 

Ao todo, o novo curso deverá ter 10 professores, sendo cinco da UEA e outros cinco contratados via processo seletivo, e mais três técnicos. “A ideia é que estes docentes tenham contrato de, no mínimo, um ano. Com isso, poderemos ter um planejamento de, pelo menos, dois semestres para sabermos quais disciplinas serão ofertadas”, declarou João, acrescentando que, feita a turma especial, começa a luta para tornar o curso regular. 

ENTRAVES NO MEIO DO CAMINHO 

Última turma de audiovisual da UEA recebeu os diplomas em março de 2018.

O caminho, entretanto, não será fácil: procurada pelo Cine Set, a UEA confirmou que a proposta está na Prograd, mas, o aval para o projeto seguir em frente vai muito além da instituição. “A universidade não possui autorização do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) para a abertura de novos cursos, nem na modalidade especial, nem regular. Outros cursos na modalidade especial e regular, também estão no aguardo para essa autorização”, explicou, em nota, a assessoria de imprensa da universidade. 

“Como o Estado do Amazonas, atualmente, encontra-se no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), a UEA fica impossibilitada de realizar qualquer tipo de contratação. Para os cursos em andamento, a instituição fez um termo de ajustamento de gestão, onde foi possível a realização de concurso público para atender as demandas de professores, especificamente para os cursos atuais e em andamento, não comprometendo assim a continuidade dos mesmos. Para novos cursos, necessitamos esperar a LRF baixar, de forma que possamos abrir novas contratações, que possibilitem a abertura de novos cursos”, completa o comunicado. 

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