Com entrevista exclusiva de Sérgio Andrade, Caio Pimenta fala sobre a nova geração do cinema do Amazonas surgida no Amazonas Film Festival.

Com uma câmera leve ou um celular, muitos realizadores audiovisuais encontraram formas de baratear os meios de produção de um filme. 

Dos equipamentos pesados e caros do século XX, a digitalização e portabilidade destes meios abriram novos portas. 

Um bom exemplo dessa mudança foi a criação em 2002 do Festival Um Amazonas, dedicado a filmes de um minuto.

Na primeira edição do Amazonas Film Festival, 70 produções exibidas em terminais de ônibus da cidade de Manaus, algo que se repetiu nas edições posteriores, incluindo também a exibição de filmes feitos por adolescentes participantes do programa Jovem Cidadão. 

MOSTRA COMPETITIVA

amazonas film festival

Porém, foi a partir de 2005 que tivemos a primeira mostra competitiva de filmes locais.

Ao todo, 96 produções do Amazonas, sendo 95 curtas e um longa-metragem disputaram prêmios em categorias internacionais, nacionais e locais. 

A participação dos filmes locais aumentou tanto que, nas duas últimas edições, foram criadas categorias para curtas-metragens de ficção e curtas de documentário. 

Entre os destaques estão “A Incrível História de Coti: O Rambo do São Jorge” e “Picolé do Aranha”, ambos dirigidos por Anderson Mendes. Além de premiados pelo júri popular, os protagonistas se tornaram novos ícones pops da região e ganharam destaque nacional. O documentário “Uma Janela Para o Outro”, de Michelle Andrews e Sávio Stoco, sobre um dos maiores estudiosos do cinema no Amazonas, o saudoso Narciso Lobo, saiu premiado em 2009, justamente no ano em que ele nos deixou.

O diretor Aldemar Matias foi premiado em todos os três documentários que lançou no festival – “A Profecia de Elizon”, “Parente” e “Anos de Luz”.  Do infantil “Nas Asas do Condor”, de Christiane Garcia ao policial “A Última no Tambor”, de Ricardo Manjaro, até o drama de “A Segunda Balada”, de Rafael Ramos, e às referências hollywoodianas de “Et Set Era”, da turma do Planos em Sequência, o cinema do Amazonas mostrou uma diversidade de narrativas e temáticas ao longo do festival ainda que também apresentasse limitações naturais de uma produção incipiente e, até então, sem cursos locais no setor.  

‘MOMENTO DE TRANSIÇÃO DO AUDIOVISUAL NO AMAZONAS’

Cine Set – Sérgio, você lançou o seu primeiro curta-metragem na direção, “Criminosos”, no Amazonas Film Festival 2007. Depois, participou com “Um Rio Entre Nós” (AFF 2009) e “Cachoeira” (AFF 2011). Por fim, você exibiu o primeiro longa-metragem amazonense financiado em um edital público federal, “A Floresta de Jonathas”, em 2012. Qual foi a importância do festival para o início da tua carreira?

Sérgio Andrade – Naquela época, o festival era algo muito bom para quem estava iniciando suas produções, como era o meu caso. O evento legitimava o Amazonas como um espaço voltado ao audiovisual, ao cinema. De repente, começou a ter muita repercussão do que acontecia por aqui e todo mundo lá fora disputava para vir ao festival. Logo, o Amazonas Film Festival deu uma visibilidade imediata para essa geração. 

Cine Set – Quais as caacterísticas do cinema amazonense produzido durante o festival tanto no modo de produção quanto nas temáticas abordadas por estas obras?

Sérgio Andrade – O festival impulsionou um momento de transição no audiovisual amazonense. Antes, tínhamos algo mais amador e não tão exigente em relação ao aparato técnico, como eram os casos dos filmes do minuto. Com o AFF, os realizadores locais começaram a buscar o caminho do profissionalismo com um melhor acabamento de suas obras. 

Cine Set – Durante o Amazonas Film Festival, tínhamos o glamour do tapete vermelho com estrelas do cinema e dos famosos convidados. Também havia o destaque para as produções nacionais e internacionais na programação. Como você observava o cinema do Amazonas dentro deste cenário? Ele ficava em segundo plano ou aos poucos conseguiu ganhar o seu espaço?

Sérgio Andrade – Claro que os holofotes todos da imprensa nacional e internacional eram voltados para estes medalhões. Porém, o fato deles terem que topar com filmes do Amazonas na programação também despertou interesse. Acho que houve um esforço interessante da organização do festival em colocar os realizadores locais em contato com estes profissionais de fora. Considero que houve sim um estímulo para dar visibilidade à produção feita em Manaus e no interior do Estado. O problema foi a recorrente questão da continuidade: após o término do AFF, toda aquela movimentação para o cinema amazonense ficou ao Deus dará, sem políticas públicas e editais regulares, tanto na esfera municipal quanto estadual. 

Cine Set – Para você, qual foi o principal legado e a maior falha do festival para o cinema do Amazonas?

Sérgio Andrade – O principal legado foi trazer esta noção de profissionalismo e da indústria do audiovisual tanto para o público quanto para os realizadores locais. Todos somos tocados pela grande indústria do entretenimento seja indo ao cinema ou assistindo um filme na Netflix, mas, muitas vezes, esquecemos todo o processo por trás disso. Além de trazer esta visão, o Amazonas Film Festival foi um estímulo para que começassem a perceber que temos grandes locações, histórias fantásticas, um imaginário a ser explorado, além de ter revelado talentos locais. O Begê Muniz é um bom exemplo disso: ele foi premiado em Melhor Ator por “A Floresta de Jonathas”. A grande falha foi mesmo a descontinuidade de não ter projetado para o futuro aquilo que se faz no presente. Poderiam ter aproveitado a oportunidade do evento para lançar uma lei perene que obrigasse todos os anos a ter editais ou até mesmo a criação de uma Lei de Incentivo à Cultura. 

CONHEÇA OS VENCEDORES AMAZONENSES DO PRÊMIO DO JÚRI OFICIAL:

 

Confira alguns dos filmes amazonenses premiados no festival:

“A Incrível História de Coti: O Rambo do São Jorge”, de Anderson Mendes 

“Picolé do Aranha”, de Anderson Mendes

“Nas Asas do Condor”, de Christiane Garcia

“Criminosos”, de Sérgio Andrade

“A Última no Tambor”, de Ricardo Manjaro 

“Uma Janela para o Outro”, de Michelle Andrews e Sávio Stoco

“Et Set Era”, de Rodrigo Castro e Emerson Medina

“Parente”, de Aldemar Matias

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