O Cine Set não poderia deixar de prestar homenagens ao grande presidente da Fifa, Joseph Blatter. Após ficar apenas 17 anos à frente da federação de futebol, o dirigente suíço renunciou ao cargo em meio a um pequeno escândalo de corrupção na entidade.

Com essa lista que segue, pretendemos mostrar a Joseph Blatter que a vida é feita de escolhas e, às vezes, não muito bem-sucedidas. O cinema e seus astros também erram com desistências ou renúncias.

Força Blatter!
Quem sabe você não volte à Fifa e fique mais um pouquinho para continuar esse excelente trabalho!

Desistências de Marlon Brando e George C. Scott no Oscar

1) Marlon Brando e George C. Scott no Oscar

Ganhar o Oscar é a glória para todos que trabalham no cinema americano, certo?

Bem, nem sempre.

George C. Scott, por exemplo, esnobou a premiação três vezes. Indicado em 1959 pelo filme “Anatomia de um Crime” na categoria de melhor ator coadjuvante, ele simplesmente recusou a nomeação. A Academia, mesmo assim, não quis saber e o manteve na disputa. Dois anos depois, a história se repetiu com a produção “Desafio à Corrupção”. Quando venceu, em 1970, com “Patton – Rebelde ou Herói?”, Scott disse que preferiu ficar em casa assistindo hóquei.

Marlon Brando fez a clássica “pegadinha do Mallandro”: o ator recusou o Oscar recebido pelo trabalho em “O Poderoso Chefão”. O discurso foi feito por uma suposta indígena que protestou contra o tratamento dado aos nativos americanos. Depois, descobriu-se que a jovem, na verdade, era a atriz Marie Louise Cruz.


Charlton Heston em Ben-Hur

2) Marlon Brando rejeita Ben-Hur

Antes de zoar com o Oscar, Marlon Brando foi sacaneado pelo destino. O então fenômeno do cinema americano com clássicos como “Uma Rua Chamada Pecado” e “Sindicato de Ladrões” teve a chance de protagonizar um épico aí chamado “Ben-Hur”. Ele não quis nem saber: recusou o projeto a ser dirigido por William Wyler.

Marlon Brando, pelo menos, não ficou sozinho nessa: Burt Lancaster foi outro astro a ignorar “Ben-Hur”.

Charlton Heston resolveu o problema, encarnou o herói bíblico e virou um astro imortal. Oscar de Melhor Ator. Já Marlon Brando viu a carreira retrair com uma série de escolhas erradas até ser resgatado por Francis Ford Coppola naquele filme de mafiosos italianos nos EUA.

Conhece?


Amy Pascal deixa a Sony

3) Amy Pascal deixa a Sony

A briga entre a Coreia do Norte e a Sony custou o cargo da presidente do estúdio. Amy Pascal não resistiu ao vazamento de dados após a polêmica causada pelo filme “A Entrevista”, sátira ao ditador Kim Jong-un estrelada por James Franco e Seth Rogen.

E-mails vazados colocaram a executiva em maus lençóis: ela  se referiu à atriz Angelina Jolie como “criança mimada e sem talento” e trocou piadinhas com tom racista sobre o Presidente Barack Obama com o produtor Scott Rudin.

Com tantos comentários infelizes, não adiantou Amy ter comandado o estúdio em uma época lucrativa para a Sony com sucessos como “Homem-Aranha” (2002), “O Código DaVinci” (2006), “A Rede Social” (2010), “Anjos da Lei” (2012) e “A Hora Mais Escura” (2012).


Matthew Vaughn e X-Men

4) Matthew Vaughn e X-Men

A relação entre Matthew Vaughn e a turma dos X-Men é feita de idas e vindas. E, claro, desistências.

Após a saída de Bryan Singer para fazer o sonolento “Superman – O Retorno”, Vaughn chegou a ficar muito perto de ser o diretor do terceiro “X-Men” (aquele da fase antiga). O cineasta, porém, não fechou contrato e sobrou para Brett Ratner encerrar a trilogia inicial dos mutantes.

O destino, porém, uniu novamente Matthew Vaughn e os X-Men: o inglês acabou sendo o escolhido para recomeçar a série no elogiado “Primeira Classe”. Sucesso de bilheteria e altos elogios da crítica indicavam que o cineasta voltaria fácil para a sequência.

Só que não. Matthew Vaughn recusou a direção de “Dias de um Futuro Esquecido”“O projeto não me empolgou. A única coisa que seria emocionante em retornar era trazer todos esses atores para trabalharem juntos. Que elenco grandioso. Mas eu já trabalhei com vários grandes atores, e pensei: Eu tenho que fazer um filme meu. Eu achei o roteiro de ‘X-Men: Dias de um Futuro Esquecido’ ótimo, mas eu tinha recebido a proposta de dirigir ‘Kingsman’. E sempre achei que a franquia pertencia a Bryan Singer. Foi um círculo completo”, afirmou.

Bryan Singer não se fez de rogado, aproveitou a oportunidade para voltar a ser nome forte em Hollywood e “Dias de um Futuro Esquecido” se tornou uma das produções mais elogiadas de 2014.

Próximo!


Sean Connery e o vai-não vai com James Bond

5) Sean Connery e o vai-não vai com James Bond

James Bond era (e ainda é, para muitos) sinônimo de Sean Connery. O sotaque inglês, o cinismo aliado ao bom humor e a elegância foram marcas registradas pelo ator nos seis primeiros filmes da série. “007 Contra o Satânico Dr. No” e “007 Contra Goldfinger” foram os grandes momentos dessa fase.

E eis que chegou a vez de gravar “007 – A Serviço Secreto de Sua Majestade”. Os altos pedidos salariais de Sean Connery levaram a MGM a desistir do astro. Arranjaram o durão George Lazenby e o público acabou rejeitando a nova persona do agente secreto.

Sean Connery decidiu dar mais uma chance para James Bond e apareceu em “007 – Os Diamantes São Eternos”. Quando as negociações para “007 – Viva e Deixe Morrer” começaram, o ator inglês pediu um salário de US$ 5,5 milhões (fortuna para época). A MGM não quis saber mais de conversa e chamou Roger Moore.

Pensa que acabou?

Em 1983, Sean Connery resolveu se aventurar em fazer mais um filme como James Bond. Dessa vez, porém, fora da série oficial e sem o investimento de outrora. A vitalidade também já tinha ido para o espaço e o público rejeitou a produção. Sorte que sucessos como “Highlander”, “Robin e Marian”, “O Nome da Rosa” e “Indiana Jones e a Última Cruzada” salvaram o britânico.

Para encerrar, o ator ainda recusou fazer Gandalf na adaptação de “O Senhor dos Anéis”, de Peter Jackson.

Quanto vacilo, hein Connery!


Michelle Pfeiffer não quis "O Silêncio dos Inocentes"

6) Michelle Pfeiffer não quis “O Silêncio dos Inocentes”

Parece impensável outra pessoa que não Jodie Foster como Clarice Starling no suspense “O Silêncio dos Inocentes”. A ideia original para a personagem, porém, era outra.

Grande estrela e musa do fim dos anos 1980, Michelle Pfeifer vinha em um ótimo momento com “As Bruxas de Eastwick”, “Ligações Perigosas” e “Susie e os Baker Boys”, sendo a escolha preferencial do diretor Jonathan Demme para “O Silêncio dos Inocentes”. A atriz, porém, recusou a personagem. O motivo? Não se sabe.

Meg Ryan e Laura Dern chegaram a ser cogitadas até Jodie Foster ter a chance de fazer o teste. Mesmo assim, Demme não se mostrava animado com a atriz. “Você sabe, não acho que Jodie Foster seria boa no papel. Ela é uma pessoa da Califórnia… Não acreditava no sotaque de Boston dela. Eu a vi ‘atuando’ por aí [no filme Acusados, de 1988] e não fiquei impressionado”, afirmou.

Foster, porém, ficou com a personagem e o resto é história.


Emily Blunt deixa Viúva Negra para Scarlett Johansson

7) Emily Blunt deixa Viúva Negra para Scarlett Johansson

Emily Blunt ficou perto, duas vezes, da mina de ouro do cinema americano da atualidade: os filmes da Marvel Studios. A atriz revelou ter recebido convite para interpretar a Viúva Negra em “Os Vingadores” e a agente Peggy Carter em “Capitão América”.

“Nunca era o momento certo, na verdade, e não deu para encaixar na minha agenda esses dois papéis”, disse Emily Blunt. Restou à inglesa participações no ótimo “Looper”, no bom “No Limite do Amanhã”, nos esquecíveis “Amor Impossível”, “Cinco Anos de Noivado” e “Os Muppets” e no fraquinho “Caminhos da Floresta”.

Não perde o bonde na próxima, Emily!


You Must Remember This, Hedy Lamarr

8) You Must Remember This, Hedy Lamarr

Uma das mais belas atrizes da história do cinema, Hedy Lamarr poderia ter ido mais longe. Sem um agente para administrar a carreira e observar os projetos capazes de gerar filmes importantes, a atriz deixou boas oportunidades passarem.

Nenhuma delas foi mais sentida do que a chance de ter sido a protagonista de “Casablanca”. Hedy Lamarr recusou o filme por não ter recebido o roteiro completo. Baita erro!

Ingrid Bergman resolveu se arriscar e formou um dos maiores pares românticos da história do cinema com Humphrey Bogart. E pôde ter a linda música “As Time Goes By” associada à ela.


Heath Ledger quase foi o Homem-Aranha e Batman

9) Heath Ledger quase foi o Homem-Aranha e Batman

O saudoso Heath Ledger gostava de se arriscar. Afinal, quem em sã consciência recusaria viver Homem-Aranha e Batman nos cinemas? Quem diria não à oportunidade de trabalhar com sujeitos como Sam Raimi e Christopher Nolan? Quem deixaria a oportunidade de se tornar ultra-mega-super-inoxidavelmente milionário?

Heath Ledger disse não. Talvez ele pressentisse que os heróis não eram com ele.

Em “Batman – O Cavaleiro das Trevas” veio a resposta em uma atuação memorável como Coringa, eternizando Legder como um dos grandes atores da atual geração.


Lynne Ramsay desiste no primeiro dia de filmagem de Jane Got a Gun

10) Lynne Ramsay desiste no primeiro dia de filmagem

Se Joseph Blatter ganhou a eleição da Fifa no dia 29 de maio e abdicou do cargo no dia 2 de junho, a cineasta Lynne Ramsay resolveu quebrar o recorde. A diretora abandonou as filmagens de “Jane Got a Gun” logo no primeiro dia de filmagem.

A razão para tal escolha não chegou a ser explicada, porém, o estrago se tornou ainda maior quando o protagonista, Jude Law, também resolveu abandonar o barco. A bucha ficou nas mãos de Gavin O’Connor conduzir o elenco liderado por Natalie Portman ao lado de Joel Edgergton, Ewan McGregor e Rodrigo Santoro.

“Jane Got a Gun”tinha estreia prevista para agosto de 2014, mas a The Weinstein Company mudou a data para apenas setembro deste ano. Resta ver no que deu.

P.S.: deixe sua colaboração de outras renúncias e desistências no cinema nos comentários!

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