De 10 a 30 de abril, o Festival de Cinema das Periferias da Amazônia – Telas em Movimento vai realizar palestras, oficinas, circuito de cineclubes, mostra de filmes e de vídeo mapping trazendo como tema a inclusão digital. A ideia desse ano é trazer à tona a pauta da exclusão digital. “Apontar que existem pessoas que estão à margem da conexão e, portanto, à margem de direitos básicos, principalmente, no cenário de pandemia. Trabalho remoto, aula virtual, auxílio emergencial, todos esses processos dependem do acesso e quem não tem acaba ficando de fora. É desumano”, afirma Joyce Cursino, idealizadora do projeto. 

A programação de abertura do evento é um bate papo virtual que conta com a participação dos atores Babu Santana e Dira Paes. Para a paraense, que com mais de 35 anos de carreira, coleciona personagens marcantes na TV e no cinema, além dos seus trabalhos como atriz, Dira é ativista dos direitos humanos, defensora de causas sociais e ambientais. “É fundamental no Estado do Pará, quando falamos de inclusão digital e inclusão social, a gente sabe que na Amazônia os estados são com terras descontínuas, ou seja, que você não chega por terra. O título [desta edição] do Telas em Movimento faz todo sentido. Navegações porque somos da água e meu olhar como atriz vai muito do meu olhar como cidadã, esse olhar de cidadã me formou como atriz. eu conheço o povo de perto, e isso é fundamental para quem quer ser ator, tem que ter esse contato com o que é de mais humano na vida”, comentou Dira Paes, no bate-papo que vai ao ar no próximo sábado, dia 10 de Abril. Nesta edição o projeto apoia a Campanha Terra Solidária, iniciativa do projeto Tela Firme que busca ajudar famílias em situação de vulnerabilidade social do bairro da Terra Firme, periferia de Belém.  

Cinema nas periferias

O evento também pretende discutir a democratização do acesso ao cinema nas periferias, principal objetivo do projeto Telas em Movimento. Para Babu, “A chegada do cinema às comunidades do Brasil gera reflexão, instiga a imaginação, a interpretação e leitura do mundo através da exposição de histórias, e quando me perguntam o que o cinema pode fazer neste período que estamos vivendo de pandemia, entendo que o cinema poderia moldar a empatia das pessoas, a sensibilidade, influenciar no cuidado mútuo em comunidade, pois o cinema é isso, ajuda na construção do cidadão para refletir, aliviar do cotidianos, entreter e informar”. O ator que começou sua carreira fazendo parte do projeto social de teatro Nós no Morro, no Vidigal (RJ), ganhou grande destaque na mídia após sua participação no reality show Big Brother Brasil 20 e por ser uma figura influente que levanta debates sobre pautas raciais e em defesa da cultura nas favelas. 

No dia 12 de abril, a programação segue com a palestra “O Panorama da Inclusão Digital e a Covid-19 no Norte do Brasil”, que será ministrada pela Cooperação da Juventude Amazônica pelo Desenvolvimento Sustentável, a COJOVEM e funcionará como fomento para a produção da oficina de audiovisual que ocorrerá entre 13 e 16 de abril com jovens das ilhas, quilombos e periferias do Pará atendidos pelo projeto. Além disso, a turma também contará com a participação de alguns jovens do Movimento República de Emaús. 

O debate é de suma importância para a juventude, como explica integrante  da COJOVEM Karla Giovanna Braga, “Temos mais de 4 milhões de nortistas sem acesso a internet,  à margem do exercício pleno da sua cidadania, o que é muito preocupante em meio a pandemia onde a principal medida do combate a Covid-19 é o distanciamento social, e temos uma parte da população que sequer consegue se expressar ou ter acesso à benefícios essenciais para se manter. Por isso, a importância de pautar inicialmente essa reflexão para os participante das oficinas, onde esses jovens que estão inseridos nesse contexto precário de inclusão digital, impossibilitados de exercerem com dignidade seu trabalho de forma remota ou estudar com qualidade, a se questionarem como isso afeta o seu futuro, nas possibilidades de estudo e empregabilidade e na manifestação da sua cidadania, para a partir daí construir sua narrativa audiovisual”. Como resultado das oficinas, será realizada uma mostra com os filmes produzidos pelos jovens que serão divulgados do dia 19 ao dia 23 de abril no Instagram e no canal do YouTube do Telas em Movimento e distribuição via WhatsApp.

Circuito de Cineclubes

Nos dias 13 e 14 de abril, de 17h às 19h, acontece o “Circuito de Cineclubes”, a história dos cineclubes no Brasil e no Pará será tema do bate-papo com Marco Antônio Moreira, presidente da Associação dos Críticos de Cinema do Pará (ACCPA). E ainda, será possível conhecer a história de alguns dos cineclubes da Região Metropolitana de Belém, como: Cineclube da TF, Tela Firme, Cine Guamá, Instituto Bamburusema, Sapato Preto, Cine Ribeirinho e Cine Cabocla, que integram as ações do Telas em Movimento desde 2019. O bate-papo ocorrerá através da plataforma Zoom, aberto ao público com inscrições prévias (clique aqui).

Video-Mapping

Será realizada uma projeção audiovisual com desenhos feitos por crianças e animada por artistas pretos periféricos de Belém. As animações foram resultados de um extenso trabalho realizado pelo projeto em 2020, o “Telas da Esperança”, que reproduziu para o audiovisual o imaginário das crianças sobre o coronavírus a partir dos desenhos das crianças dos bairros do Guamá, Terra Firme e Ilha do Combu . O local e data não serão divulgados para evitar aglomerações. 

Expandindo as conexões com a APAE

Encerrando a programação do evento, a fonoaudióloga Isabel Ventura vai ministrar uma oficina sobre cuidados básicos com a voz para os comunicadores do estúdio de rádio e tv, projeto da Associação de Pais e Amigos do Excepcionais (APAE), que também irão protagonizar o bate papo “TV e Rádio com APAE Belém: inclusão, potencialidades e autonomia”, que vai ao ar no dia 28 de abril. 

A 3ª edição do Festival Telas em Movimento foi contemplada pela Lei Aldir Blanc  através da Secretaria de Cultura do Pará e Secretaria Especial de Cultura do Ministério do Turismo, por meio do edital de Festivais Integrados. As gravações das lives estão seguindo todas as recomendações das autoridades de saúde em virtude da pandemia da Covid-19.

Telas em Movimento

O projeto vem desde 2019 desenvolvendo trabalho nas periferias urbanas e ribeirinhas da Região Metropolitana de Belém do Pará. Com foco na ampliação dos debates e produção cinematográfica e artística com impacto social nessas comunidades. Desde o início, o projeto é realizado pela Negritar Filmes e Produções em parceria com uma rede de colaboradores, cineclubistas e apoiadores que juntos tiveram um papel de cobrança de políticas públicas para as periferias. Durante a pandemia, O Telas em Movimento retomou as comunidades e realizou as ações “Telas contra a Covid” e “Telas da Esperança”, mobilizando alimentos, kits de higiene, difundindo informação acerca da Covid-19 e incentivando as crianças a imaginação criativa através dos seus desenhos. 

com informações de assessoria

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