De “De Volta Para o Futuro” até as exclusões de Barbra Streisand e Steven Spielberg em Melhor Direção, Caio Pimenta traz as 10 maiores esnobadas do Oscar nos anos 1980.

10. DE VOLTA PARA O FUTURO 

Os anos 1980 viram a Nova Hollywood perder a força após o fracasso de “O Portal do Paraíso” e a era dos blockbusters dominar as bilheterias. O Oscar, porém, não resolveu abraçá-los e deixou muita coisa boa de fora. “De Volta Para o Futuro” foi um deles. 

A viagem pelo tempo protagonizada por Michael J. Fox e Christopher Lloyd é uma das melhores aventuras da história do cinema. Tem humor, ótimos efeitos visuais e cenas de ação na dose equilibrada para agradar toda a família e cinéfilos de todos os tipos. 

O primeiro filme conseguiu 2 Oscars em 5 indicações em 1986, porém, dava para ter disputado a categoria máxima no lugar do policial “A Testemunha” estrelado pelo Harrison Ford. 

9. FOREST WHITAKER, por “BIRD” 

Em 1989, “Bird” foi uma das grandes decepções no Oscar: conseguiu apenas uma indicação. Venceu em Melhor Som. Mas, uma das esnobadas mais sentidas veio na categoria de Melhor Ator. 

Interpretando a lenda do jazz, Charlie Parker, o Forest Whitaker tinha vencido o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes em 1988. Também foi indicado ao Globo de Ouro. Logo, uma indicação no Oscar parecia o caminho mais provável, porém, acabou não acontecendo. 

O Forest Whitaker precisou esperar 22 anos para, finalmente, concorrer ao Oscar. E deu sorte: venceu Melhor Ator por “O Último Rei da Escócia”. 

8.  SERGIO LEONE, por “ERA UMA VEZ NA AMÉRICA” 

Parece inacreditável, mas, um dos maiores cineastas da história do cinema mundial nunca foi indicado ao Oscar nem de Melhor Filme nem de Direção. Eu  falando do Sergio Leone. 

A última oportunidade dele disputar o Oscar veio com épico da máfia “Era uma vez na América”. A Academia, porém, preferiu obras bem inferiores como “Um Lugar no Coração”, “A História de um Soldado” e “Passagem para Índia”. 

7. R. LEE ERMEY, por “NASCIDO PARA MATAR”

“Nascido Para Matar” foi outro filme completamente esnobado nos anos 1980. No evento de 1988, conseguiu ser indicado apenas a Roteiro Original. Entre todas as ausências, a mais sentida foi em Melhor Ator Coadjuvante. 

O insano Sargento Hartman do R. Lee Ermey é a figura central para entender toda a loucura e o ambiente de degradação humana dos soldados rumo à guerra na primeira parte do filme. Com certeza, tinha vaga para ele ou lugar do Morgan Freeman ou no do Vincent Gardenia. 

6. SIGOURNEY WEAVER, POR “ALIEN – O OITAVO PASSAGEIRO”

Uma mulher protagonista de um filme de ficção científica parecia algo improvável nos anos 1980, porém, a Sigourney Weaver quebrou esta escrita em “Alien – O Oitavo Passageiro”. Esse feito, entretanto, não convenceu a Academia. 

A Weaver perdeu a vaga no Oscar de 1980 para atuações pouco marcantes como Marsha Manson, em “Capítulo 2”, e a Jill Clayburgh, de “Encontros e Desencontros”. A esnobada foi tão que a Academia acabou revendo a decisão e, em 1987, a indicou pela continuação de “Aliens”. 

5. DENNIS HOPPER, por “VELUDO AZUL”

O David Lynch nunca teve muita sorte no Oscar: só um filme dele, “O Homem Elefante”, foi indicado na categoria máxima. Nisso, quem se deu mal foi o Denis Hopper em “Veludo Azul”. 

Hopper foi esnobado no Oscar de 1987 na categoria de Melhor Ator Coadjuvante. O curioso é que a Academia preferiu o desempenho dele em “Momentos Decisivos” para indicá-lo ao prêmio, enquanto o papel mais importante da carreira acabou de fora. Vai entender… 

4. BLADE RUNNER – O CAÇADOR DE ANDRÓIDES

“Blade Runner – O Caçador de Andróides” é um dos filmes mais marcantes da década de 1980. Desde a concepção visual extraordinário por personagens marcantes até chegar naquele final ainda enigmático. E, mesmo assim, o Oscar não quis saber dele. 

O filme do Ridley Scott conseguiu apenas duas indicações: Melhores Efeitos Visuais e Direção de Arte. Perdeu ambas, respectivamente, para “E.T” e “Gandhi”. Além de Melhor Filme, “Blade Runner” poderia ter concorrido fácil a Melhor Roteiro Adaptado, Figurino, Direção de Fotografia e nas categorias de Som. 

Essa esnobada, pelo menos, foi compensada no segundo filme. Blade Runner 2049” foi indicado a 6 Oscars em 2018 e venceu duas categorias: Melhores Efeitos Visuais e Direção de Fotografia, dando a primeira estatueta da carreira do Roger Deakins. Porém, merecia ter pegado uma indicação a Melhor Filme. 

3. AL PACINO, POR “SCARFACE” 

scarface al pacino

Antes de vencer com “Perfume de Mulher”, o Al Pacino sofreu no Oscar que nem o Leonardo DiCaprio. A esnobada em “Scarface”, talvez, tenha sido o capítulo mais absurdo de todos. 

Afinal, qual a justificativa da Academia não indicá-lo e colocar, por exemplo, o Tom Conti, de “Amor e Boemia”? O Pacino despeja toda a fúria em Tony Montana, transformando um personagem em um dos anti-heróis mais queridos da história do cinema. 

“Scarface”, é bom lembrar, não foi indicado a nada no Oscar de 1984, para mim, a edição mais fraca da história. Também vale destacar aqui que o Brian de Palma, cara que “Carrie – A Estranha”, “Os Intocáveis”, “Dublê de Corpo”, nunca foi nomeado para Melhor Direção. É um negócio inexplicável. 

2. STEVEN SPIELBERG, por “A COR PÚRPURA” 

Não que seja o trabalho mais brilhante do Steven Spielberg, mas, o que fizeram com ele em “A Cor Púrpura” foi uma maldade. 

O filme estrelado pela Whoopi Goldberg conseguiu 11 indicações, liderando a corrida empatado com “Entre Dois Amores”. Porém, “A Cor Púrpura” sofreu um baita revés com a não-indicação do Spielberg à Melhor Direção. Ele foi o único dos cineastas dos filmes indicados na categoria máxima de fora da disputa.  

Depois, a Academia resolveu completar a obra e deixou “A Cor Púrpura” sem nenhuma estatueta. Muito dessa rejeição se deve à visão que predominava na época do Spielberg ser um Peter Pan, ou seja, um cara mais ligado aos filmes de fantasia do que nos dramas mais sérios. Isso só foi mudar com “A Lista de Schindler” nos anos 1990. 

1. BARBRA STREISAND, POR “YENTL” 

A maior esnobada do Oscar nos anos 1980 vem carregada de machismo. 

No melhor estilo da Nova Hollywood, a Barbra Streisand assumiu diversas funções em “Yentl”: foi diretora, atriz, roteirista e produtora. O filme arrancou elogios da imprensa internacional e venceu o Globo de Ouro de Melhor Comédia/Musical e também Direção para a Barbra. Porém, o Oscar ignorou solenemente “Yentl”: exceto Amy Irving em atriz coadjuvante, as quatro indicações foram em categorias técnicas, levando apenas trilha sonora. 

Segundo uma do Washington Post, membros da Academia admitiram que o estilo incisivo da Barbra Streisand nos bastidores de Hollywood pesou nessa rejeição para que o filme fosse esnobado. A fonte do jornal até que disse que ela poderia tirar uma lição dessa rejeição.  

Agora, é engraçado isso:  quando é um diretor homem nesse papel para manter as suas ideias – como fizeram, por exemplo, Francis Ford Coppola ou o James Cameron – são vistos como visionários. Se for por truculência, por que o Harvey Weinstein durou tanto tempo? Agora, se for uma mulher, ela é geniosa, teimosa, incapaz de respeitar os demais. Ainda tem gente que diz que somos todos os iguais. Tá bom. 

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