Após o sucesso que “Obeso Mórbido” está tendo ao receber prêmios e participando de diversas mostras de cinema pelo Brasil, o diretor Diego Bauer já tem em mente seu próximo curta-metragem. Trata-se de “Enterrado no Quintal”, uma adaptação de um conto escrito pelo amazonense Diego Moraes e que deve ser lançado a partir do próximo ano em festivais e mostras de cinema do país.

Projeto da Artrupe Produções Artísticas, o filme já tem no elenco a atriz Isabela Catão, nome que, nos últimos meses, vem despontando no audiovisual manauara. Ela arrancou elogios como protagonista de “A Goteira”, de Bernardo Ale Abinader, sendo um dos destaques na Mostra Olhar do Norte deste ano por seu excelente trabalho carregado de sutilezas no papel principal.

Em “Enterrado no Quintal”, Catão será novamente a protagonista, desta vez vivendo uma mulher que jura vingança contra o seu pai, que está desaparecido e, no passado, agredia a filha e a esposa. Sobre Catão, Bauer diz que a escolheu por ser uma oportunidade de trabalhar com uma excelente atriz e ser um “privilégio porque a Isabela é um tipo de talento que não vai demorar para alçar voos maiores e mais condizentes com a capacidade dela”.

PRESENTE DE DIEGO MORAES

Para Diego, o que lhe chamou a atenção para “Enterrado no Quintal” foi o estilo de escrita de Diego Moraes. “Já é um filme quase pronto. Da maneira como está descrito em primeira pessoa, é bastante visual. Acho que tem uma coisa bem amazônica”. Dentre os temas que busca trabalhar, a principal é a violência contra a mulher e, para Isabela Catão, esta é uma das razões que a atraiu para o curta.

“Existem minúcias que podem ser captadas com muita potência, além de abordar assuntos como a violência doméstica e as consequências que esses atos irresponsáveis podem causar na vida das pessoas que sofrem direta e indiretamente com essas questões”, declarou a atriz.

As filmagens têm previsão para iniciar em setembro e Diego Bauer e Isabela Catão dizem estar bastante ansiosos para as gravações. “Enterrado no Quintal” irá apresentar novos desafios para o diretor amazonense começando pela questão de ser uma adaptação e não um roteiro original. Mesmo assim, Bauer sabe que isso é uma exceção e não regra dentro do audiovisual local. “Eu estou aprendendo a aceitar que se eu quiser fazer um filme, provavelmente vou ter que criá-lo. Dificilmente eu vou receber um presente, como esse do Diego Moraes de oferecer um material de altíssima qualidade para que eu passe o meu olhar de diretor”.

INFLUÊNCIA MINEIRA ENCONTRA O LÍRIO DO VALE

Todo o filme será rodado no bairro Lírio do Vale, na zona oeste de Manaus, local onde o diretor mora e em que pretendia contar uma história. O projeto se encaixou dentro do que estava procurando. Influenciado pelo trabalho do cineasta mineiro André Morais Oliveira, de obras como “Temporada”, “Ela Volta na Quinta” e “Quintal”, Bauer busca trazer para o seu curta “o bairro como contador de histórias” e uma “periferia mais verde”. Ele também acredita que as imagens do Lírio do Vale irão criar um contraste com o tom de suspense alcançado a partir de soluções sonoras.

“Enterrado no Quintal” será produzido com recursos próprios da Artrupe sem esperar financiamentos via edital. Ao realizar “Obeso Mórbido”, Diego conta que o filme só foi aprovado em edital de financiamento após as filmagens. Ele resolveu fazer o mesmo desta vez e acredita que as produções em Manaus devem começar a seguir este caminho. “Temos a consciência que precisamos nos mexer para produzir de forma barata e com qualidade, sem paternalismo, como é feito em outras partes do Brasil. As condições ideais não existem e a gente pensa em fazer na raça, de forma barata”, comenta Bauer.

A equipe de “Enterrado no Quintal” conta, até o momento, com Ítalo Almeida na assistência de direção, César Nogueira na direção de fotografia, Eduardo Resing na montagem e Francisco Ricardo como Diretor de Arte. O resto do elenco e da equipe ainda será definido.

‘Sol, Pipoca e Magia’: série resgata Joaquim Marinho e a história cultural de Manaus

A websérie documental “Sol, pipoca e magia” se debruça sobre a história de Joaquim Marinho, um dos grandes nomes da cultura amazonense, tendo trabalhado em várias áreas artísticas como agitador e produtor cultural. A obra apresenta a trajetória de Marinho desde a...

‘Sidney Rezende: Meu Enquanto Canto’: doc. frio de lenda do boi-bumbá

O documentário “Sidney Rezende: Meu Enquanto Canto” introduz o espectador à história de um dos principais compositores de toadas, bastante identificado com o boi Garantido (mas também com passagem pelo Caprichoso) que empresta seu nome ao título da obra. O filme é,...

‘A Hespanhola’: choque da alegoria restrita à mesma bolha

Em 2018, lembro-me de discutir com meu então mentor do programa para formação de críticos do Talent Press Rio, o português Luis Oliveira. O tópico: “Infiltrado na Klan”, de Spike Lee. Na ocasião, ele defendia que o filme não era bom por ser isento de qualquer sutileza...

‘O Colar’: pedaços de grande filme ficam pelo caminho

O Festival Olhar do Norte acompanha com lupa a trajetória de Romulo Souza. Afinal, em todas as edições do evento, há um filme do jovem diretor e roteirista amazonense atualmente radicado em Santa Catarina. Na primeira edição foi “Personas”, documentário para além da...

‘Mestres da Tradição na Terra do Guaraná’: tema fascinante perde-se em pequenos excessos

O curta documentário “Mestres da Tradição na Terra do Guaraná”, com direção de Ramon Morato, foca nos músicos que mantêm vivos os ritmos de cancioneiro interiorano amazonense. São canções e ritos comunitários, cujas raízes remontam a culturas indígenas e...

‘Reflexos da Cheia’: uma viagem às origens do cinema dentro do Teatro Amazonas

Durante os nove minutos de “Reflexos da Cheia”, o público do Teatro Amazonas vivenciou uma oportunidade de viajar no tempo na terceira noite do Festival do Olhar do Norte. Engana-se quem deduz que este retorno faz referência apenas ao espantoso período de subida...

‘Cercanias / Gatos’: o universo felino e pitoresco de um condomínio de Manaus

“A Terra Negra dos Kawá” deixou a clara impressão de que Sérgio Andrade estava se repetindo em temas já abordados em “A Floresta de Jonathas” e “Antes o Tempo Não Acabava”. Parecia que os caminhos traçados até ali tinham se esgotado, tornando-se urgente e necessário...

‘Stone Heart’: frieza tira potência da mensagem

Vou abrir meu coração, caro leitor: “Stone Heart” me deixa diante de um impasse. De um lado, impossível não ressaltar o que o filme representa um avanço técnico inegável para o ainda incipiente setor da animação no Amazonas, especialmente, do ponto de vista técnico –...

‘A Bela é Poc’: afeto como resposta à violência manauara

Chega a ser sintomático como a violência de Manaus ganha protagonismo nas telas neste grande ano do cinema amazonense. Na brutalidade do marido contra a esposa em “O Buraco”, de Zeudi Souza, passando pela fúria surrealista de “Graves e Agudos em Construção”, de Walter...

‘Kandura’: documentário formal para artista nada comum

 Tive a honra de entrevistar duas vezes Selma Bustamante: a primeira foi na casa dela sobre o lançamento de “Purãga Pesika”, curta-metragem em documentário dirigido por ela em parceria com César Nogueira. A segunda foi para o programa “Decifrar-te”, da TV Ufam, no...