O Woody Allen compareceu apenas uma vez à cerimônia do Oscar: foi em 2002 para introduzir um curta de Nora Ephron sobre os filmes rodados em Nova York, cidade que se recuperava dos traumáticos atentados de 11 de setembro do ano anterior. 

Apesar de nunca aparecer nas festas, o Woody Allen nunca era deixado de lado pela Academia: ao longo da carreira, acumulou 24 indicações com quatro vitórias.  

Neste vídeo, me concentro nas sete nomeações dele a Melhor Direção, elegendo da pior à melhor, além da maior esnobada.  

7. BROADWAY DANNY ROSE 

A indicação mais fraca da carreira do Woody Allen vem justamente do filme menos conhecido da lista. 

Em 1985, o novaiorquino conseguiu uma inesperada nomeação por “Broadway Danny Rose”. Contando com uma fotografia excelente do Gordon Willis, o Woody Allen brinca com os filmes de máfia e o showbusiness enquanto reflete sobre remorsos e pesos na consciência em relação às nossas atitudes. 

Apesar de ser um trabalho bem descontraído, não tinha como o Woody Allen sequer sonhar em vencer o Milos Forman pelo clássico “Amadeus”. 

6. TIROS NA BROADWAY 

Por “Tiros na Broadway”, o Woody Allen foi indicado a Melhor Direção em 1995. 

Aqui, o diretor consegue desenvolver melhor a história do que fizera em “Danny Rose”, produção com temática semelhante ao falar do mundo das artes envolvido com a máfia. Para completar, consegue tirar o melhor de um ótimo elenco com nomes como John Cusack e Dianne Wiest. 

Perdeu para o Robert Zemeckis, de “Forrest Gump”, em um Oscar em que o vencedor moral foi o Quentin Tarantino, de “Pulp Fiction”. 

5. INTERIORES 

O Woody Allen provou que poderia sim fazer drama muito bem com “Interiores” e conseguiu a indicação ao Oscar de 1979. 

O novaiorquino não esconde beber completamente da fonte de Ingmar Bergman e, ainda que soe engessado em determinados momentos, consegue extrair uma história densa sobre as angústias de pessoas incapazes de atingir as altas metas e desejos colocados por elas mesmas a si próprias. 

O Oscar de 1979 ficou nas mãos do Michael Cimino, de “O Franco-Atirador“, uma vitória justa demais. 

4. MEIA-NOITE EM PARIS 

A última indicação do Woody Allen em Melhor Direção veio por um dos filmes mais espirituosos dele. 

“Meia-Noite em Paris” parte de uma reflexão clichê – a idealização do passado maravilhoso contra o presente pobre – para ser uma grande brincadeira e jogo de criatividade com mestres da arte. Tem uma sagacidade misturada com leveza que Woody Allen não encontrava em muito tempo e também não mais conseguiu repetir. 

No Oscar 2012, ele ganhou o Oscar que deveria ter vencido: Melhor Roteiro Original. Porém, em Direção, era para ter perdido para o Martin Scorsese, de “Hugo Cabret”, em vez do Michel Hazanavicius, de “O Artista”. 

3. HANNAH E SUAS IRMÃS 

O pódio abre com a indicação dele por “Hannah e Suas Irmãs”, em 1987. 

Aqui, o Woody Allen já demonstra ter encontrado o tom em seus dramas ao mesclar a complexidade à la Bergman com seu cinismo e bom humor. No longa, ainda consegue criar algumas das melhores cenas da carreira como a explosão do personagem de Max Von Sydow e a declaração de amor do personagem de Michael Caine. 

Nova derrota, desta vez, para o Oliver Stone, de “Platoon”. Não consigo dizer que é um resultado absurdo, mas, se o Oscar tivesse ido para o Woody Allen estaria em boas mãos também. 

2. CRIMES E PECADOS 

A medalha de prata deste ranking fica com o meu filme favorito do Woody Allen. 

No excepcional “Crimes e Pecados”, acompanhamos duas histórias de traição: uma mais leve e bem-humorada com o Woody Allen e a segunda mais dramática com o excelente Martin Landau. O equilíbrio entre estas duas partes demonstra a habilidade do diretor em conduzir uma história como poucos extraindo delas questões complexas sobre a psiquê humana. 

O Woody Allen voltou a perder para o Oliver Stone, de “Nascido em Quatro de Julho”. Tão injusto quanto este resultado é “Crimes e Pecados” não ter sido nomeado a Melhor Filme, perdendo a vaga para “Campo dos Sonhos” e “Conduzindo Miss Daisy”. 

1. NOIVO NEURÓTICO, NOIVA NERVOSA 

Quantos ganhadores do Oscar podem ser colocados como premiações fora da curva, fora do tradicional? 

Perdidos na Noite”, “O Silêncio dos Inocentes”, “Moonlight”, “Parasita” são bons exemplos. 

Nesta lista também dá para incluir tranquilamente “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”. 

Afinal, temos uma comédia urbana, engraçada, rápida, cínica, intelectual, mas, sem ser pedante e dialogando com todo público. Ainda consegue ser capaz de oferecer quebras narrativas eficientes sem perder o foco da história principal e, tudo isso, com uma universalidade cativante sobre o auge e decadência de um relacionamento amoroso. 

“Annie Hall” aproveitou os últimos suspiros do auge da Nova Hollywood para vencer este Oscar. Em qualquer outra época, provavelmente, as estatuetas de Filme e Direção teriam ido para “Julia” e o Fred Zinnemann. 

MAIOR ESNOBADA – A ROSA PÚRPURA DO CAIRO 

Evidente que sete indicações parecem pouco para tantos grandes filmes pelo Woody Allen. Ele poderia sido nomeado tranquilamente por “A Última Noite de Boris Grushenko”, “Manhattan”, “Zelig”, “Desconstruindo Harry” e “Match Point”. A maior esnobada, entretanto, veio nos anos 1980. 

Em “A Rosa Púrpura do Cairo”, o diretor traz um de seus filmes mais inspirados ao falar do fascínio do cinema causado em nós, cinéfilos inveterados. Somente as sequências dos personagens do filme dentro do filme dialogando com a personagem de Mia Farrow e entrando e saindo da tela já valeriam a nomeação. 

No Oscar 1986, dava para tirar tranquilamente o Peter Weir, de “A Testemunha”, John Huston, de “A Honra do Poderoso Prizzi” e até mesmo o vencedor Sydney Pollack, de “Entre Dois Amores” para colocar o Woody Allen.  

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