De Steven Spielberg, por “Tubarão”, a Martin Scorsese, por “Taxi Driver”, Caio Pimenta traz as 10 maiores esnobadas do Oscar nos anos 1970. 

10. MELHOR ATOR COADJUVANTE – JOHN CAZALE, por “UM DIA DE CÃO” 

O John Cazale teve uma carreira muito curta, morreu cedo demais aos 42 anos, e, infelizmente, nunca foi indicado ao Oscar, inclusive, por um trabalho excepcional em “Um Dia de Cão”. 

No policial dirigido pelo Sydney Lumet, o Cazale interpreta um sujeito que não sabemos exatamente porque está executando o crime, mas, que repete a todo momento não ser homossexual. Esse mistério torna o personagem fascinante e casa perfeitamente com a expansiva figura vivida por Al Pacino. 

Além de “Um Dia de Cão”, o Cazale ainda fez obras-primas como “O Poderoso Chefão 1 e 2”, “A Conversação” e “O Franco-Atirador”. 

9. MELHOR FILME – A NOITE AMERICANA 

François Truffaut e a Nouvelle Vague foram uma inspiração para a Nova Hollywood, mas, a única vez que a Academia deu espaço para além da categoria de Melhor Filme em Língua Não-Inglesa veio com uma homenagem ao cinema. 

No Oscar de 1974, “A Noite Americana” venceu o prêmio entre as produções internacionais como previsto. Porém, na edição seguinte, a produção foi além e consegue indicações a Truffaut em Melhor Direção, Roteiro Original e Atriz Coadjuvante com Valentina Cortese. 

A esnobada ficou por conta da ausência de “A Noite Americana” em Melhor Filme no lugar, por exemplo, de “Inferno na Torre” e “Lenny”. Uma oportunidade desperdiçada. 

8. MELHOR ATRIZ – BARBRA STREISAND, por “ALÔ, DOLLY!” 

Depois de conquistar o Oscar por “A Garota Genial” em 1969, a Barbra Streisand parecia a nova queridinha da Academia. O ano seguinte, porém, mostrava que não era bem assim. 

Afinal, a Barbra Streisand ficou inexplicavelmente fora da lista das indicadas de Melhor Atriz no Oscar de 1970 por “Alô, Dolly!”. E é uma atuação que não deve em nada aos melhores momentos dela no cinema, cantando com imenso talento e um carisma de encher a tela. 

A Barbra Streisand poderia ter ficado com a vaga da Liza Minnelli pelo desempenho no pouco lembrado “Os Anos Verdes”. 

7. MELHOR DIREÇÃO – STEVEN SPIELBERG, por “TUBARÃO” 

“Tubarão” deu o pontapé inicial para os blockbusters igual conhecemos hoje e alçou para o estrelato a carreira de um jovem chamado Steven Spielberg. 

A Academia, porém, deixou o diretor fora da lista de indicados a Melhor Direção. No lugar dele, ficou o genial Federico Fellini, por “Amarcord”, em uma seleção que ainda incluía Forman, Kubrick, Lumet e Altman. 

Era uma indicação considerada tão certa que o Spielberg se permitiu filmar assistindo as indicações e ficou com cara de bunda a ser esnobado. 

6. MELHOR MONTAGEM – O PODEROSO CHEFÃO 2 

Al Pacino em O Poderoso Chefão - Parte 2

Apesar das importantes vitórias, a saga “O Poderoso Chefão” enfrentou situações inexplicáveis no Oscar. Uma delas veio na cerimônia de 1975. 

O segundo filme da família Corleone não foi indicado na categoria de Melhor Montagem, algo completamente absurdo para um filme de 202 minutos com uma fluidez narrativa impressionante. “O Poderoso Chefão 2” consegue passar pelo drama familiar com um Michael Corleone se afundando na escuridão, ampliando o raio de ação da máfia para questões da política internacional dos EUA até mostrar a origem de Don Corleone. 

Quando a gente pega lista de indicados com “Banzé no Oeste”, “Golpe Baixo”, “Terremoto” e o vencedor “Inferno na Torre” é para ficar revoltado. 

5. MELHOR FILME – EASY RIDER: SEM DESTINO 

Certos filmes têm uma importância histórica muito maior até do que sua qualidade. Representam um retrato de uma época ou geração. Easy Rider – Sem Destino” é símbolo das transformações sociais provocadas pela contracultura e pelo desmantelamento do mito do american way of life. 

A Academia, entretanto, resolveu não embarcar totalmente nesta revolução cultural e deixou o clássico do Dennis Hopper de fora da lista de Melhor Filme. No lugar, ficaram produções como o musical “Alô, Dolly” e o drama de época “Ana dos Mil Dias”. 

Pelo menos, o Oscar de 1970 deu espaço para o transgressor “Perdidos na Noite”, o excepcional drama político “Z” e o irreverente faroeste “Butch Cassidy”. 

4. MELHOR ATOR COADJUVANTE – JOHN HUSTON, POR “CHINATOWN” 

O John Huston era um canastrão, mas, em “Chinatown”, ele tinha que ser indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em 1975. 

Nome ligado ao surgimento do cinema noir, o John Huston encarna um dos vilões mais abomináveis da história neste clássico do Roman Polanski. Por melhor que sejam os trabalhos do Jack Nicholson e da Faye Dunaway, o Huston é o grande nome do elenco de “Chinatown” e a cena final já está imortalizada. 

Como advogado do diabo, a Academia estava em uma situação difícil porque tinha o elenco coadjuvante brilhante de “O Poderoso Chefão 2” e o Fred Astaire, em “Inferno na Torre”. Mas, eu teria tirado o Jeff Bridges, de ‘O Último Golpe”, para colocar o Huston na lista. 

3. MELHOR ATOR – MALCOLM MCDOWELL, por “LARANJA MECÂNICA” 

Crítica: Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick

A medalha de bronze do TOP 10 dos esnobados no Oscar nos anos 1970 vai para a ausência do Malcolm McDowell em Melhor Ator por “Laranja Mecânica”. 

McDowell encarna à perfeição anárquico protagonista da obra-prima do Stanley Kubrick. Ele transborda a rebeldia, loucura e insanidade da primeira parte passando para uma postura mais de obediência na reta final de “Laranja Mecânica”. Repleta de ironia, a atuação e a imagem dele ficou imortalizada, sendo símbolo da cultura pop. 

Caso ele tivesse sido indicado, o Malcolm McDowell poderia, quem sabe, competir de igual para igual com o Gene Hackman, de “Operação França”, na disputa pelo prêmio. 

2. MELHOR DIREÇÃO – MARTIN SCORSESE, por “TAXI DRIVER” 

Martin Scorsese

O Martin Scorsese concorreu 10 vezes na categoria de Melhor Direção do Oscar. Porém, nenhuma delas é pelo trabalho que mais marcou a carreira dele. 

Sim, por incrível que pareça, a Academia esnobou o Scorsese na categoria de Direção por “Taxi Driver”, no Oscar de 1977. Nem mesmo a histórica vitória do filme com a Palma de Ouro do Festival de Cannes no ano anterior, ser uma obra-prima elogiadíssima pela crítica pelo caráter transgressor e uma obra com sequências inesquecíveis na mente cinéfila até hoje foram suficientes para convencer os votantes. 

Mesmo que seja incrível a gente ter visto a Lina Wertmuller ser a primeira mulher indicada ao Oscar de Direção e o Bergman também, não dá para aceitar a ausência do Scorsese. 

1. MELHOR TRILHA SONORA E CANÇÃO ORIGINAL – OS EMBALOS DE SÁBADO À NOITE 

A trilha sonora mais vendida da história do cinema e símbolo da era disco não teve espaço no Oscar. 

Em “Os Embalos de Sábado à Noite”, o Bee Gees estava para lá de inspirado e criou hits tocados ainda hoje quando se podia fazer. Todo mundo um dia na vida já escutou “How Deep is Your Love?”, ‘Stayin Alive” e “Night Fever”. O Oscar, porém, foi insensível a estes clássicos pops e ignorou todas as canções e a trilha do filme. 

Mas, os Bee Gees não foram únicos esquecidos neste Oscar de Canção Original em 1978. 

“New York, New York” era a música-tema do filme de mesmo nome dirigido por Martin Scorsese. Mesmo com a energia típica e o vozeirão de Liza Minnelli, a canção também ficou fora da disputa. 

Depois, a música se tornou um clássico imortalizado por Frank Sinatra e um símbolo da maior cidade do mundo. 

Ah, a vencedora do Oscar de canção original foi a música-tema do filme “Luz da Minha Vida”. Alguém lembra? 

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