MELHOR SÉRIE: FLEABAG – 3 VOTOS

Caio Pimenta – Fleabag 

Adoraria prestigiar “Segunda Chamada” e “Sob Pressão”, mas, preciso ser sincero e não há como tirar “Fleabag” do topo de Melhor Série de 2019. Com apenas duas temporadas, Phoebe Waller-Bridge criou uma das produções mais atuais e inteligentes dos últimos anos. É impossível não se apaixonar perdidamente por todo o universo, personagens, quebras da quarta parede, etc, etc. Não é absurdo colocá-la entre maiores séries de todos os tempos ao lado de “Os Sopranos”, “Mad Men” e “Breaking Bad”. Por que não?

Camila Henriques – Fleabag 

Não teve jeito. 2019 foi o ano de Phoebe Waller-Bridge e a explosão verborrágica de sua “Fleabag”. A segunda temporada da série foi um sucesso estrondoso e, felizmente, o hype não era para menos: os diálogos ácidos, as participações espirituosas de Olivia Colman e Kristin Scott-Thomas, a nova direção que a série terminou após o tom amargo da primeira temporada e, claro, o padre gato interpretado por Andrew Scott (tá combinado que ele foi o crush do ano, né?) fizeram desta a grata surpresa da temporada.

Menção honrosa: “Fosse/Verdon” – pouco vista no Brasil, a minissérie que deu o Emmy a Michelle Williams é um deleite para os amantes de musicais e da obra de Bob Fosse, além de apresentar pra muita gente a maravilhosa Gwen Verdon, dançarina icônica da Broadway que era muito mais do que a “sombra” do parceiro famoso.

Danilo Areosa – CHERNOBYL 

Não foi uma decisão fácil escolher apenas uma série em virtude da ótima safra que tivemos em 2019. Por ser amante do horror, Chernobyl acabou caindo nas graças do meu gosto pessoal. A minissérie criada por Craig Mazin foi o melhor entretenimento de horror do ano passado. Ao retratar a maior tragédia nuclear da história da humanidade, ela soube administrar o forte tom documental e impressionar pelo roteiro dramático consistente, além do realismo em expor o caos do desastre nuclear na antiga União Soviética. Ainda que goste do terror sendo guiado por monstros sobrenaturais, não há nada mais assustador do que a própria natureza humana, quando em nome da política, decide ser um monstro estritamente assustador. De certa maneira, Chernobyl revela que o horror é o mais verídico possível e esta no meio de nós através das mentiras e omissões.

Diego Alexandre – SEGUNDA CHAMADA 

Escrita por Carla Faour e Julia Spadaccini, com direção geral e artística de Joana Jabace, ambas estreantes em suas respectivas funções, “Segunda Chamada” retrata o dia a dia de professores de uma escola pública e seus alunos, jovens e adultos de diferentes idades e perfis.

Com um talentoso elenco encabeçado pela veterana Débora Bloch (numa das maiores atuações do ano), a série da Globo em coprodução com a O2 Filmes acerta ao discutir o tema da educação no Brasil. Os professores enfrentam problemas como a péssima infraestrutura da escola, o abandono institucional e, mesmo com a falta de reconhecimento do seu trabalho, seguem determinados a mostrar aos seus alunos o poder de transformação social da educação.

Os episódios terminam com depoimentos reais que mostram que nunca é tarde para uma segunda chance. Com uma direção certeira, “Segunda Chamada” caiu no gosto do público e da crítica e, merecidamente, ganhará mais uma temporada em 2020. Uma série imperdível e necessária!

Henrique Filho – WATCHMEN 

Quase não assisti séries em 2019, admito. E pra piorar e queimar a minha língua, a série que mais me impressionou nesse ano e até conquistou o Obama, foi justamente uma que eu estava bastante cético. “Watchmen”, para mim, é um gibi delicado para se mexer: convenhamos a obra de Alan Moore e Dave Gibbons é redondinha e voltar àquele mundo sem o mínimo cuidado me soa apenas como um caça-níquel.

Então, vem Damon Lidelof e me cala, não apenas apresentando uma continuação digna e rica em conteúdo e, o melhor, honrando a obra original. Dentre as novidades estão a apresentação de um contexto político mais intenso em um tema absolutamente atual: fascismo e racismo, além de não arregar para ficção cientifica da mente do autor britânico que detesta ver suas obras adaptadas e apresentar a Lula Gigante para o mundo. E o que dizer da zoeira com a estética de Zack Snyder na série que os personagens assistem? Obrigado HBO.

O destaque fica para o episódio 6. Esse além do roteiro instigante é visualmente o mais bonito e produzido pra TV esse ano.

Ivanildo Pereira – CHERNOBYL 

Num ano em que a HBO viu o seu maior fenômeno, Game of Thrones, chegar ao fim, o alto nível da qualidade da programação se manteve com Succession, Barry, Watchmen, vários documentários e outras séries e atrações, que continuaram fazendo da HBO obrigatória para quem busca programação de TV de qualidade. Mesmo assim, sobre tudo isso pairou Chernobyl, a assustadora minissérie sobre o maior desastre atômico da história. Com seu ritmo tenso, roteiros precisos e atuações fortes, principalmente de Jared Harris e Stellan Skarsgård, Chernobyl extraiu força das duas faces da humanidade, a estupidez que tornou possível o acidente, e a inteligência movida a desespero daqueles que evitaram o mal maior. Ao final, a minissérie representou uma experiência sufocante que não sairá de nossas mentes tão cedo.

LUCAS PISTILLI – ARCHER

Vou ser sincero: não assisti às séries mais aclamadas do ano, apesar de vários lançamentos terem parecido interessantíssimos. Do que vi, a décima temporada de “Archer” não só se recuperou dos deslizes da nona, como também provou que é possível manter a vitalidade em uma narrativa que fecha a sua primeira década. Com o gancho final fazendo uma grande promessa para a próxima leva de episódios, o seriado tem tudo para continuar sendo um sucesso de público e crítica para o canal FXX.

Pâmela Eurídice – WATCHMEN

Em um ano com “Chernobyl” e “Olhos Que Condenam”, destaquei “Watchmen” por conseguir, de certa forma, trazer tudo aquilo que despertou curiosidade e empatia por essas grandes produções. A série criada por Damon Lindelof surgiu como um produto indagador e altamente relevante para o contexto atual. Falando sobre legado, a cada semana, a produção entregava um episódio que se consagrava como o melhor da série, ao mesmo tempo em que resgatava o clima inquietante e perturbador da HQ durante a exibição, o que nos levava a questionar e teorizar o que víamos em cena. Lindelof conseguiu ampliar o cânone desse universo e discutir questões esquecidas da história norte-americana. Tudo isso contando com um elenco espetacular e com uma equipe técnica apurada, que foi capaz de criar um dos episódios mais bem feitos da TV: “This Extraordinary Being”.

Rebeca Almeida – FLEABAG

Mesmo que ‘Dark’ seja a minha escolha óbvia nesta categoria, este ano decidi ficar com a “simplicidade” de ‘Fleabag’. Afinal, perto de tantas produções grandiosas como ‘Watchmen’ e ‘The Crown’, a série de Phoebe Waller-Bridge nos apresenta a trama da segunda temporada com apenas uma protagonista e seus dramas cotidianos, os quais dialogam muito bem com seu público em poucos minutos de episódio. Apesar do humor utilizado na série não ser o meu favorito, ele funciona perfeitamente na dramédia que é a vida da Fleabag e de tantos espectadores do seriado. O melhor de tudo na produção talvez seja esta real inclinação à simplicidade: sim, a série foi finalizada em apenas duas temporadas de forma até satisfatória e não tem nada errado com isso.

Menções honrosas: Dark, Coisa Mais Linda, Sex Education, Bandidos na TV, 3%, Chernobyl, Watchmen, Irmandade, The Crown.

Walter Franco – GLOW 

A terceira temporada da série da Netflix consegue dar seguimento as tramas pessoais das personagens sem cair em desgastes e provocando uma sensação de “falta do que falar”. Trazendo mais problemas, e focando mais ainda no teor pessoal de suas personagens e seus relacionamentos, a série deixa suas raízes da comédia e do ridículo que era o contexto das lutas em rings para se aproximar mais e mais em um drama mais reflexivo sobre o relacionamento, amizade e perdão. Que a próxima, e última temporada, consiga dar um excelente desfecho para uma série tão incrível como GLOW.

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