Sabe aqueles trabalhos muitos bons de atores consagrados indicados ao Oscar, mas, que, na hora da festa, a gente sabe que não vão levar o prêmio?

Separei 10 casos dos últimos 20 anos neste novo vídeo do Cine Set. 

ELLEN BURSTYN, por “RÉQUIEM PARA UM SONHO”

Premiada em 1975 por “Alice Não Mora Mais Aqui”, a Ellen Burstyn chegava à sexta indicação da carreira em 2001 com um trabalho excepcional. 

Interpretando uma usuária de drogas à beira da loucura, a veterana faz um desempenho visceral em “Réquiem Para um Sonho” a ponto de não ser absurdo dizer que é a melhor atuação da carreira dela. Além do Oscar, também foi indicada a Melhor Atriz no Globo de Ouro e no SAG. 

Porém, o Oscar daquele ano era da Julia Roberts. Afinal, Hollywood não deixaria de premiar sua maior estrela da época pela primeira vez no ótimo desempenho em “Erin Bronkovich”. 

Ainda assim, a sensação de injustiça é grande. 

KATE WINSLET, por “BRILHO ETERNO DE UMA MENTE SEM LEMBRANÇAS”

Como disse no vídeo anterior, “Menina de Ouro” conseguiu uma virada impressionante no Oscar 2005, o que permitiu a vitória tranquila da Hilary Swank em Melhor Atriz. 

O resultado, porém, foi uma pena para uma atriz que já merecia o Oscar naquela época. 

Com “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças”, a Kate Winslet chegava à quarta indicação da carreira. E pelo papel mais diferente da carreira: uma jovem de cabelos coloridos, cheia de personalidade em um relacionamento turbulento com o Jim Carrey capaz de iluminar a tela toda vez em que aparece. 

A Kate Winslet só foi vencer o Oscar quatro anos depois com “O Leitor”, justo em um ano em que ela merecia o prêmio por outro filme: “Foi Apenas um Sonho”. 

JOHNNY DEPP, por “Em Busca da Terra do Nunca” 

O Oscar 2005 também trouxe outro querido do público em um grande papel, mas, sem chances de levar o prêmio. 

 Mais contido do que o comum, o Johnny Depp comove o público no excelente “Em Busca da Terra do Nunca”. Interpretando o escritor James Matthew Barrie, autor de “Peter Pan”, o astro faz uma dobradinha excelente com o novato Freddie Highmore e a própra Kate Winslet.

Infelizmente, a corrida de Melhor Ator já estava pesada demais com Leonardo DiCaprio, por “O Aviador”, Clint Eastwood, de “Menina de Ouro” e o vencedor Jamie Foxx, por “Ray”. 

GARY OLDMAN, por “O Espião que Sabia Demais”

Chega a ser impressionante como um ator do naipe do Gary Oldman só foi indicado ao Oscar pela primeira vez em 2012. 

E aconteceu com “O Espião que Sabia Demais”, um ótimo suspense de espionagem baseado no livro de John Le Carré. No filme, o Oldman traz uma delicadeza rara a este tipo de personagem com um comedimento e senso apurado de observação aliada à discrição. A cena da borboleta é simbólica. 

Aquele Oscar, entretanto, estava entre o George Clooney, de “Os Descendentes”, e o ganhador Jean Dujardin, de “O Artista”, o filme da temporada. 

ROONEY MARA, por “Millennium” 

O Oscar 2012 também viu o reconhecimento de uma das atrizes mais interessantes surgidas na década passada. 

A Rooney Mara se agiganta como Lisbeth Salander em “Millenium”. A fúria dela em cena e toda a caracterização da personagem fazem a produção do David Fincher subir de patamar. É uma personagem tão fora do comum do que o Oscar acaba reconhecendo que foi uma surpresa vê-la na lista de Melhor Atriz. 

Infelizmente, naquele Oscar, a Rooney era a azarã da azarã, bem atrás das favoritas Meryl Streep, de “A Dama de Ferro”, e Viola Davis, de “Histórias Cruzadas”. 

ELENCO DE “O MESTRE” 

o mestre philip seymour hoffman paul thomas anderson

“O Mestre” é uma das obras-primas da carreira do Paul Thomas Anderson e rendeu ao elenco principal indicações ao Oscar. Mas, nenhum deles tinha condições de vencer naquele ano. 

Quem mais teve chances foi o Philip Seymour Hoffman em Ator Coadjuvante correndo por fora atrás do Tommy Lee Jones, de “Lincoln”, e do vencedor Christoph Waltz, por “Django Livre”.

Amy Adams ganhou experiência ao perder para a favoritaça Anne Hathaway, por “Os Miseráveis”.

Falando em favoritos, o Daniel Day-Lewis, por “Lincoln”, dominou a temporada de premiações todinha sem dar chances para o Joaquin Phoenix. 

BRUCE DERN, por “Nebraska” 

Demorou 35 anos, mas, em 2014, veio a segunda indicação da carreira do Bruce Dern ao Oscar. 

Protagonista de “Nebraska”, ele concilia o drama de um personagem cansado com uma relação mal resolvida com o filho e também o humor com tiradas ácidas e cortantes em parceria com a ótima June Squibb. 

Naquele Oscar, entretanto, o Bruce Dern não tinha a menor chance pela concorrência de astros do momento como Matthew McConaughey, de “Clube de Compras Dallas”, Leonardo DiCaprio, de “O Lobo de Wall Street” e Chiwetel Ejiofor, de “12 Anos de Escravidão”. 

MARION COTILLARD, por “DOIS DIAS, UMA NOITE”

dois dias, uma noite marion cotillard

Já falei que aqui que não sou fã do trabalho da Marion Cotillard em “Piaf”? Na minha opinião, o Oscar da francesa deveria ter vindo em 2015. 

Em “Dois Dias, uma Noite”, a Marion Cotillard traz um dos registros mais humanistas sobre depressão já feitos no cinema em meio a uma história sobre a decadência das relações trabalhistas na Europa.  

Em um Oscar de atuações femininas fracas, ela acabou perdendo injustamente para a Julianne Moore, vencedora muito mais pelo conjunto da obra do que pelo desempenho em “Para Sempre Alice”. 

CHARLOTTE RAMPLING, por “45 Anos”

Em 2016, a Brie Larson dominou a disputa em Melhor Atriz de ponta a ponta. Porém, tinha uma candidata que merecia mais atenção. 

A Charlotte Rampling não foi nomeada ao Globo de Ouro, Bafta nem ao SAG, mas, obteve a surpreendente indicação por “45 Anos”.

A maneira como constrói as angústias e incertezas da personagem após ter a vida e suas memórias abaladas é fascinante por revelar tudo gradualmente e de forma muito sóbria. A cena final é memorável. 

CHRISTOPHER PLUMMER, por “TODO O DINHEIRO DO MUNDO”

Em 2018, Hollywood já não era mais a mesma graças às denúncias do #MeToo. Kevin Spacey foi um dos nomes que caíram em desgraça e o Ridley Scott tomou uma atitude histórica. 

Semanas antes do lançamento de “Todo o Dinheiro do Mundo”, o diretor resolveu sacar Spacey do elenco e chamar às pressas Christopher Plummer para a vaga. Mesmo de última hora, o veterano entrega a competência e o talento de sempre, sendo, de longe, um dos pontos altos do irregular policial. 

Até gosto do Sam Rockwell, vencedor por “Três Anúncios Para um Crime”, mas, quem deveria ter vencido aquele Oscar de Ator Coadjuvante era o Willem Dafoe. Como não deu, por que não ter visto o Plummer ser ovacionado pelo talento e também pelo fator histórico? 

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