Caio Pimenta analisa quais produções indicadas ao Oscar de Melhor Filme poderiam ter ficado na lista entre 2010 a 2021.

OSCAR 2010 

O primeiro Oscar que permitiu novamente 10 filmes indicados na categoria máxima após quase sete décadas trouxe uma lista bem questionável, mas, o pior de todos era unânime. 

Nem mesmo todo o carisma de Sandra Bullock consegue ser suficiente para fazer de “Um Sonho Possível” um filme interessante.

O drama dirigido pelo John Lee Hancock vai fundo no white salvior ao trazer um personagem negro resvalando no bobão sendo salvo para uma mulher branco altruísta.

Não consegue nem emocionar nem rir; só chatear. 

“Um Homem Sério”, dos irmãos Coen, e “Preciosa”, do Lee Daniels, também eram outros filmes que a Academia forçou a barra indicando para Melhor Filme.

No lugar, teria dado mais espaço para o cinema internacional com o argentino “O Segredos dos Seus Olhos” e o austríaco “A Fita Branca”. 

OSCAR 2011 

o vencedor david o. russell

2011 teve uma seleção fantástica: “Toy Story 3”, “A Rede Social”, “Cisne Negro” e “A Origem” eram os carros-chefes da corrida vencida pelo competente, ainda que nada inovador, “O Discurso do Rei”.

Mesmo assim, o Oscar teve espaço para uma produção para lá de superestimada. 

Para quem já viu clássicos sobre boxe como “Rocky” e “Touro Indomável”, “O Vencedor” não dá nem para o começo de conversa.

Exceto pelo elenco realmente de alto nível, a produção não apresenta nada demais seja como um filme sobre o esporte ou um drama familiar.

Pior de tudo: marcou o início da era em que David O. Russell caiu nas graças da Academia de maneira incompreensível. 

Apesar de não ser muito superior, “Atração Perigosa”, do Ben Affleck, funcionava mais como thriller do que “O Vencedor” como drama. 

OSCAR 2012 

No Oscar 2012, a Academia resolveu ser mais flexível e passou a permitir de cinco a dez indicados. Foi uma decisão acertada visto que tinha muito filme que não precisava estar ali. 

O mais dispensável de todos, sem dúvida, era “Histórias Cruzadas”. Igual acontecera com “Um Sonho Possível”, o white salvior volta a ganhar destaque e de forma pior, afinal, aqui, a Emma Stone dá voz e “salva” uma comunidade negra de empregadas domésticas. Apesar de ótimas atuações de Viola Davis e Octavia Spencer, é um filme todo errado. 

Eu adicionaria ainda nesta lista de filmes dispensáveis, mas indicados, “Tão Perto, Tão Forte”, “O Homem que Mudou o Jogo” e “Cavalo de Guerra”.

No lugar, ficaria com o iraniano “A Separação” e o último episódio de Harry Potter até como forma de homenagear a série. 

OSCAR 2013 

O ano de “Argo” teve nomes gigantes do cinema norte-americano na disputa – Ang Lee, Steven Spielberg, Quentin Tarantino – além do Michael Haneke. Porém, é claro, tinha aquele que não era preciso. 

Em 2013, os musicais foram representados por “Os Miseráveis”. A adaptação do clássico escrito por Victor Hugo, infelizmente, passa longe de emocionar pela incapacidade do Tom Hopper em criar números empolgantes e nem dar dinamismo à história diante de tantos personagens importantes.

Hugh Jackman e Anne Hathaway até se saem bem, enquanto ouvir Russell Crowe cantar é desafio aos fortes. 

Também abriria mão na lista de “Lincoln”, um drama político em que novamente o Spielberg exagera demais nas tintas. Meus substitutos seriam “Skyfall” e “O Mestre”. 

OSCAR 2014 

Philomena Dia das Mães Cine Vídeo Tarumã

Para mim, o Oscar 2014 foi um dos melhores dos últimos anos com grandes filmes como “O Lobo de Wall Street”, “Ela”, “12 Anos de Escravidão” e “Gravidade”. Apesar disso, não é tão difícil imaginar quem poderia ficar de fora. 

“Philomena” é o tradicional candidato britânico que a Academia insiste em dar vaga ano após ano: um drama familiar correto sem muito brilho ou momentos de destaques, segurando toda sua força no talento de Judi Dench.  

Junto com “Philomena”, teria tirado sem dó “Trapaça”, outro filme do David O. Russell. Triste é que tinha tanto filme para colocar no lugar como, por exemplo, “Inside Lleywn Davis”, “Blue Jasmine” e “Frozen”. 

OSCAR 2015 

Meu escolhido para deixar a lista do Oscar 2015 seria “O Jogo da Imitação”. Aqui, é mais um caso daqueles dramas britânicos de época e cinebiografias tradicionais com boas atuações, mas, sem absolutamente nada novo a oferecer.

Pior que a história do Alan Turing tinha tudo para render um filmaço com um pouco mais de ousadia no roteiro e na direção. 

Foxcatcher”, do Bennett Miller, seria uma escolha dentro da zona de conforto da Academia ainda que mais interessante. Porém, caso o Oscar quisesse trazer algo diferente mesmo, teria optado por “Vício Inerente”. 

OSCAR 2016 

'Brooklyn': romance com cara de Oscar

Foram oito indicados a Melhor Filme no Oscar 2016 e a seleção foi tão boa que não consigo ver nenhum absurdo entre os nomeados.  

O mais fraco de todos era “Brooklyn”, um drama muito competente dirigido pelo John Crowley com uma ótima atuação da Saoirse Ronan.

“Ponte dos Espiões”, do Steven Spielberg, também era outro que dançaria sem fazer tanta falta.  

Para a vaga, seria muito bom ver “Divertida Mente”. 

OSCAR 2017 

No ano da histórica treta “La La Land” e “Moonlight”, o Oscar 2017 teve uma seleção razoável. Os dois principais candidatos eram os melhores com ”Manchester à Beira-Mar” e “A Chegada” elevando o nível também. Dois, entretanto, destoavam dos demais. 

O primeiro era “Até o Último Homem”: o drama de guerra do Mel Gibson até prende o público conta com uma boa atuação do Andrew Garfield e a violência chama a atenção, mas, cá entre nós, quantos filmes de guerra do mesmo tipo vimos por aí ao longo do tempo com bem mais impacto do que este?

O principal indicado sem necessidade de estar ali, entretanto, era “Lion”, um drama familiar com um primeiro ato muito interessante, mas, que cai na vala comum dos dramas na segunda parte, sendo bastante arrastado. 

Minhas escolhas para as duas vagas seriam o francês “Elle” e o drama com a Natalie Portman, “Jackie”. 

OSCAR 2018 

O Oscar 2018 teve a oportunidade de ser mais ousado e até mais pop. 

A Academia poderia ter optado por “Blade Runner 2049”, continuação de alto nível dirigida por Denis Villeneuve sem dever em nada para o original, o ácido “Eu, Tonya” com as ótimas atuações de Margot Robbie e Allison Janney, e “Baby Driver – Em Ritmo de Fuga”, o delicioso filme de ação de Edgar Wright. 

O Oscar de Melhor Filme, entretanto, acabou tendo como indicados “O Destino de uma Nação”, um drama de época político burocrático com um bom trabalho do Gary Oldman, e “The Post”, drama em que o Steven Spielberg exagera nas tintas em defesa do jornalismo profissional. 

OSCAR 2019 

Que ano estranho foi 2019: claro que tivemos bons avanços com “Infiltrado na Klan”, “Roma” e “Pantera Negra”, mas, houve casos duros de aceitar. 

“Bohemian Rhapsody” foi uma verdadeira bagunça se apoiando no sucesso dos clássicos do Queen para esconder suas falhas, enquanto o ganhador “Green Book” mostrou que Hollywood ainda não aprendeu muita coisa com o #OscarSoWhite.

Pior mesmo foi “Vice”: o filme de Adam McKay falha na comédia, na sátira, no drama político, resumindo, em tudo o que tenta. Conseguiu a indicação mais pelos nomes envolvidos do que necessariamente pela qualidade do projeto. 

E pensar que tínhamos “Aranhaverso” e “A Balada de Buster Scruggs” para serem indicados… 

OSCAR 2020 

De todas as edições recentes do Oscar, nenhuma teve seleção mais forte do que vimos em 2020.

“Parasita”, “Era uma vez em Hollywood” e “O Irlandês” poderiam sair vencedores tranquilamente de anos anteriores. Isso, entretanto, não impediu a presença de um intruso que não precisava estar ali. 

“Ford Vs Ferrari” é um filme bem divertido com boas atuações do Christian Bale e Matt Damon, uma condução bem executada do James Mangold e um show na montagem e som.

Tudo muito certinho, mas, comparado aos ótimos “Dois Papas”, “Dor e Glória” e até “Entre Facas e Segredos” fica um patamar abaixo. 

OSCAR 2021 

Chegamos ao Oscar deste ano e nem é tão difícil assim adivinhar qual filme não precisaria estar entre os indicados. 

O Aaron Sorkin pode até conseguir dar seu recado sobre a importância dos direitos civis e contra o autoritarismo, mas, “Os Sete de Chicago” não acrescenta nada aos dramas políticos nem de tribunal. Filmes como este já vimos aos montes e com muito mais ênfase. 

Citando apenas as produções que foram indicadas ao Oscar e não aparecem na categoria máxima, “Druk” e “Uma Noite em Miami” seriam opções bem melhores do que o filme da Netflix.  

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