Bem… se me permitem um comentário pessoal, preciso dizer que não esperava isso.

No começo deste sexto episódio da temporada de Better Call Saul, Jimmy está de novo armando seus truques, agora para arrasar de vez com o pessoal do banco Mesa Verde e sua tentativa de desalojar o senhor Acker. Para tanto, volta a entrar em contato com seus amigos estudantes de cinema e a dar uma de cineasta, dirigindo atores e planejando a produção de uns comerciais.

O problema é que a Kim não quer mais continuar a brincadeira. Acha que já foi longe demais. Mas Jimmy não é do tipo de desperdiçar uma armação… Assim como os roteiristas da série. As armações dele já viraram praticamente armas de Chekhov: se uma delas aparece em tela, tem que ser utilizada…

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Num episódio intitulado “Wexler vs. Goodman” (em minha defesa, admito que só reparei no título depois que o episódio acabou), o conflito é entre Kim e Jimmy/Saul.  A situação que já vinha sendo cozinhada há alguns episódios entra em ponto de ebulição neste, cujos momentos finais são verdadeiramente cheios de suspense e ancorados pelas extraordinárias atuações de Rhea Seehorn e Bob Odenkirk. Rhea, em especial, transmite a fúria e até mesmo o pânico da sua personagem em mais um momento inspirado na série. Ela merece prêmios por essa cena; aliás, já vem merecendo faz um bom tempo por seu trabalho em Better Call Saul.

ALVO CERTEIRO

Até chegar a esse momento sombrio e tenso, porém, vimos a armação de Saul em sua toda a glória – sério, aqueles comerciais toscos são bem engraçados. Vimos também o nosso protagonista fazer o pobre Howard – que só lhe ofereceu um emprego alguns episódios atrás – passar por um constrangimento absurdo com a ajuda de algumas das suas clientes. E vimos Mike voltar a ação, e completamente a serviço de Gus, se passando por detetive para armar para cima de Lalo. Não vai durar, claro, mas vai possibilitar a Gus e a Nacho um momento de respiro. Os ataques mais pesados contra Lalo deverão vir em breve…

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Mas, obviamente, apesar dos momentos de humor, de tensão e constrangimento, este episódio é mesmo um ponto focal do relacionamento Kim/Jimmy. Em retrospecto, eu não deveria ter ficado surpreso com a atitude de Jimmy. Afinal, já sabemos o que vai acontecer: nosso protagonista vai virar um completo filho da p***, esse é o seu destino. A atitude dele para com Howard nesse mesmo episódio já indicava isso. Desde que se assumiu como Saul, Jimmy se tornou um filho da p*** e só vai piorar. Mas é aquela coisa: Estamos tão envolvidos com os personagens e torcendo para que, de algum modo, as coisas deem certo para eles – mesmo no fundo sabendo que não darão, de algum jeito – que é difícil não se deixar levar.

Mas é aí então que o episódio nos atinge com uma surpresa de verdade, literalmente na última fala dele, dita pela Kim. Isso sim é uma surpresa indiscutível, portanto, bom trabalho roteiristas e diretores de Better Call Saul: a série é tão boa que as surpresas, esperadas ou não, nunca deixam de acertar o alvo.

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