‘Space Force’ já surgiu com altas expectativas. Primeiro por reunir Greg Daniels e Steve Carell, dupla vinda da premiada ‘The Office’. Segundo por contar com nomes conhecidos e queridos do público como Lisa Kudrow e John Malkovich. Para completar, seria um alívio cômico na Netflix em meio à pandemia da COVID-19 e às tensões sociais espalhadas mundo afora, além de aproveitar o recente lançamento da SpaceX. Apesar dos ótimos diálogos, infelizmente, a série não consegue aproveitar todo este cenário a favor e se mostra um entretenimento apenas razoável.  

A trama acompanha o general Mark R. Naird (Steve Carell), um piloto condecorado que sonha em comandar a Força Aérea, mas acaba surpreendido pela notícia de que vai liderar a mais nova divisão das Forças Armadas dos EUA: a Força Espacial. Cético e dedicado, Mark arrasta sua família para uma base remota no Colorado. Assim, Naird e o cientista Adrian Mallory (John Malkovich) recebem da Casa Branca a missão urgente de pisar (de novo) na Lua e dominar totalmente o espaço. 

Como o esperado, o elenco é o grande destaque de “Space Force”. A dinâmica entre Carell e Malkovich marca os melhores momentos entre os episódios. Já o restante do elenco é designado para tramas desinteressantes que pouco influenciam na narrativa principal. A exceção fica pela capitã Angela Ali (Tawny Newsome), a qual consegue protagonizar um núcleo convincente para o projeto “Botas na Lua”. 

Fora do caótico ambiente de trabalho de Naird, sua família ganha pouca importância para a trama. Lisa Kudrow como Maggie Naird é totalmente desperdiçada e seu principal atrativo – o motivo de sua prisão – acaba parecendo apenas mais uma negligência do roteiro que esqueceu de aprofundar melhor a personagem. 

Desta forma, fica nas costas de Carell levar a trama para frente e criar uma relação de fidelização com o público já que os episódios praticamente são independentes uns dos outros. Entretanto, somente o carisma do ator não consegue salvar a temporada, principalmente quando o humor da série não é o esperado. 

O humor agridoce   

Apresentada como uma série de comédia em todos aspectos possíveis, ‘Space Force’ não possui humor para qualquer um. Além do grande problema em achar o timing perfeito, a graça das piadas está em seu contexto sempre acompanhado de uma ironia, ou seja, não é a série que vai arrancar gargalhadas, mas sim deixar um sorriso carregado de cinismo. 

Mesmo sem fazer rir, esse ponto mostra onde o roteiro realmente colocou seus esforços: em diálogos interessantes e satíricos. Os principais alvos da comédia são o governo americano e as Forças Armadas com direito a referências que vão desde os terraplanistas ao uso de animais em missões no espaço. 

Nesse sentido, o tom irônico é perfeito para falar sobre assuntos mais sérios, de forma que “Space Force” não vá totalmente para o drama, mas ainda assim permita o espaço para críticas. Um grande destaque positivo é a reunião entre líderes das Forças Armadas e a constante tendência para começar uma guerra, da mesma forma, as referências a um presidente americano que busca a militarização e confronto com outros países até na Lua corresponde bem à realidade. 

Apesar de ser maçante devido a algumas tramas bem desinteressantes, a produção  de Steve Carell e Greg Daniels não é totalmente descartável. Afinal, as atuações e boas jogadas irônicas fazem valer a pena acompanhar a série (mesmo com um esforcinho). Talvez, ‘Space Force’ não seja a melhor escolha para quem quer dar boas gargalhadas, mas ainda assim é uma boa opção para aqueles que apreciam a comédia munida de críticas. 

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