O diretor amazonense Aurélio Michiles será a atração dos últimos dias do Festival É Tudo Verdade 2020: “Os Segredos de Putumayo” terá sessão gratuita neste sábado (3) a partir das 21h (hora de Brasília) e no domingo (4) às 15h (horário de Brasília). O documentário estará disponível na plataforma Looke (clique aqui).

“Os Segredos de Putumayo” acompanha a trajetória de Roger Casement (1864-1916), considerado hoje o pai dos inquéritos sobre a violação de direitos humanos. Ganhador do edital de cinema do BNDES, o documentário irá resgatar um caso ocorrido no boom da borracha: em 1910, o cônsul britânico no Brasil denunciou os maus-tratos contra as populações indígenas no trabalho da coleta da borracha na tríplice fronteira do Brasil, Peru e Colômbia. Para a extração de quatro mil toneladas do material, 30 mil índios acabaram mortos. Intitulado “Diário da Amazônia”, o relatório provocou escândalo no mundo inteiro, sendo um dos pioneiros a tratar sobre os Direitos Humanos na região.

As gravações aconteceram entre abril e agosto de 2019 na região de La Chorrera, na Colômbia, no Rio Negro e nos arredores de Manaus e em São Paulo. “Os Segredos de Putumayo” conta com a presença de Stephen Rea, ator indicado ao Oscar por “Traídos Pelo Desejo”, dublando a voz de Casement. “Revelar fatos obscuros sobre a História dos povos indígenas da Amazônia, sobretudo o quanto é importante os Direitos Humanos, é uma conquista que devemos defender de todas formas”, declarou Michiles sobre a importância do projeto em entrevista ao jornal A Crítica em abril deste ano.

Aurélio Michiles traz uma carreira marcada por filmes sobre importantes nomes ligados à Amazônia, especialmente, no audiovisual local. Em 1997, lançou “O Cineasta da Selva”, docudrama sobre a vida e a carreira de Silvino Santos, pioneiro do cinema na região. No ano de 2015, o diretor fez “Tudo por Amor ao Cinema“, obra em homenagem a Cosme Alves Netto, nome fundamental para a geração cineclubista do Amazonas nos anos 1960 e diretor da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro durante a ditadura militar.

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