Em 26 de novembro de 2008, terroristas paquistaneses iniciaram uma série de ataques em solo indiano que chegaram a durar quatro dias. Bombaim, a cidade atingida, virou de cabeça para baixo devido a mais de uma centena de mortes e ao terror. Um dos maiores alvos foi o famoso Hotel Taj Mahal, devido à quantidade de turistas de várias partes do mundo hospedados. Terroristas armados com rifles e granadas, e recebendo instruções por telefone, invadiram o hotel, saíram matando funcionários e hóspedes e fizeram reféns. Os eventos daquele terrível momento, com ênfase nas 12 horas em que transcorreram o drama do hotel, são recontados em Atentado ao Hotel Taj Mahal, co-produção entre Índia e Austrália comandada pelo diretor Anthony Marras.

Trata-se de um perfeito exemplar de “cine-mundi”: na produção e no elenco, há pessoas de várias nacionalidades. Durante a projeção, diferentes línguas são ouvidas: definitivamente não é um filme daqueles onde todo mundo fala inglês. Dentre os atores, temos alguns rostos conhecidos: Dev Patel, Armie Hammer, Jason Isaacs… Mas esses nomes estão ali em nome da história, da recriação daquele momento histórico. Isso é o mais importante. As atuações, completamente naturalistas, servem a esse propósito.

E felizmente, Marras e sua equipe demonstram respeito e inteligência ao efetuar essa recriação. Pegando inspiração em lições de cineastas que abordaram o tema do terrorismo e recriaram eventos parecidos, como o italiano Gillo Pontecorvo e o inglês Paul Greengrass, Marras mantém sua câmera em movimento, como um observador camuflado, seguindo personagens, escondendo-se quando eles se escondem, tranquila no início do filme e mais desesperada no final. Ele não chega realmente a desenvolver nenhum personagem dentro da narrativa – o de Patel é o único que apresenta um pequeno, e tocante, desenvolvimento. E ainda bem, nenhum personagem é transformado em herói de ação. Mas nota-se que esse não é o objetivo do diretor. Seu objetivo é o de imergir no momento, no evento, e nisso ele é muito bem auxiliado pelo trabalho fluido de montagem – O próprio Marras é creditado como montador, ao lado de Peter McNulty.

IMERSÃO TOTAL

É um filme forte, até difícil de assistir em alguns momentos: algumas das melhores cenas se configuram em verdadeiros exercícios de suspense. Praticamente todas as cenas envolvendo um bebê e sua babá se escondendo dos assassinos provocam um grande nervosismo. Atentado ao Hotel Taj Mahal não se furta a recriar a barbárie, e em nome disso até joga algumas surpresas ao espectador: nem os atores famosos do filme e seus personagens estão imunes à morte, e quase sempre ela vem rápida e sem sentido.

Apesar dessas qualidades, o filme acaba incorrendo também em alguns estereótipos meio típicos do cinema: há o ricaço russo misterioso, um dos terroristas sofre de uma pequena crise de consciência – uma tentativa até louvável de injetar um pouco de profundidade aos vilões da trama, mas que acaba não sendo tão desenvolvida. Mesmo com esses deslizes, o filme acaba nos trazendo de volta à experiência, com uma cena bastante dramática ou com o uso pontual e inteligente de noticiários da época que servem para fornecer informações ao espectador.

O tom do filme é apolítico, na verdade. O roteiro não explora de fato as razões por trás dos atentados, nem o espectador sai da sessão com uma compreensão um pouco maior da sempre complicada relação entre Índia e Paquistão. O resultado é uma experiência não muito profunda, mas que consegue encontrar – e celebrar – alguns momentos de coragem e humanidade entre o terror e a carnificina. E acima de tudo, Atentado ao Hotel Taj Mahal sobrevive como cinema e pelas suas cenas tensas e fortes, que devem ficar por um bom tempo na memória do espectador.

Giona A. Nazzaro: ‘A Cinemateca Brasileira pode contar com todo o apoio do Festival de Locarno’

2021 ainda é um ano cheio de mistérios para os eventos cinematográficos, muitos dos quais foram cancelados, reduzidos ou virtualizados este ano por conta da pandemia do coronavírus. O Festival de Locarno, um dos maiores do mundo, vai encarar esse desafio sob nova...

Bárbara Paz: ‘Babenco’ é um poema visual em preto e branco’

Como se alivia uma dor? Nas palavras de Bárbara Paz, é “contando uma história”. No caso dela, a história a ser contada realmente envolveu muita dor. Em “Babenco - Alguém Tem Que Ouvir o Coração e Dizer: Parou”, a atriz e diretora celebra a história de Hector Babenco,...

Maya Da-Rin: ‘’A Febre’ não teria sido possível sem os artistas do Amazonas’

Manaus volta a ganhar as telas dos cinemas brasileiros com a chegada de “A Febre”. Em cartaz desde o dia 12 de novembro, a produção, falada em tukano e português, traz a região metropolitana entre a imposição do modelo capitalista advindo da Zona Franca de Manaus e...

Zé Ricardo: ‘O Nosso Foco Será na Cultura Popular’

O Cine Set prossegue com as entrevistas dos candidatos à Prefeitura de Manaus nas eleições 2020 com Zé Ricardo.  O candidato do PT tenta chegar pela primeira vez à Prefeitura de Manaus após concorrer em 2016 e ficar em quarto lugar. José Ricardo foi eleito em 2008...

Romero Reis: ‘Não vai ocupar a Manauscult pessoas que sejam ligadas a grupos políticos’

O Cine Set prossegue com as entrevistas dos candidatos à Prefeitura de Manaus nas eleições 2020 com Romero Reis.    O candidato do Novo tenta chegar pela primeira vez à Prefeitura de Manaus. Romero Reis encara a primeira eleição da carreira ao lado do vice Eduardo...

Ricardo Nicolau: ‘Vamos levar os alunos da rede municipal para os cinemas’

O Cine Set prossegue com as entrevistas dos candidatos à Prefeitura de Manaus nas eleições 2020 com Ricardo Nicolau.      O candidato do PSD tenta chegar pela primeira vez à Prefeitura de Manaus. Ricardo Nicolau foi eleito para Assembleia Legislativa do Amazonas nos...

Marcelo Amil: ‘Orçamento da Prefeitura para a cultura precisa ser revisto’

O Cine Set prossegue com as entrevistas dos candidatos à Prefeitura de Manaus nas eleições 2020 com Marcelo Amil.   O candidato do PC do B tenta chegar pela primeira vez à Prefeitura de Manaus. Esta é a segunda eleição que Marcelo Amil participa: em 2018, foi...

Gilberto Vasconcelos: ‘A Arte Precisa Ser Trabalhada da Periferia para o Centro’

O Cine Set prossegue com as entrevistas dos candidatos à Prefeitura de Manaus nas eleições 2020 com Gilberto Nascimento.  O candidato do PSTU tenta chegar pela primeira vez à Prefeitura de Manaus. Gilberto Vasconcelos já concorreu ao cargo de vice municipal na eleição...

Coronel Menezes: ‘A Prefeitura precisa estabelecer um calendário de eventos culturais’

O Cine Set prossegue com as entrevistas dos candidatos à Prefeitura de Manaus nas eleições 2020 com Coronel Menezes.  O candidato do Patriota tenta chegar pela primeira vez à Prefeitura de Manaus. Ex-superintendente da Zona Franca de Manaus, a Suframa, Coronel Menezes...

Chico Preto: ‘Manaus pode ser divulgada pelo mundo através do cinema’

O Cine Set prossegue com as entrevistas dos candidatos à Prefeitura de Manaus nas eleições 2020 com Chico Preto.  O candidato do Democracia Cristã tenta chegar pela primeira vez à Prefeitura de Manaus. Ao longo da carreira política, Chico Preto foi vereador em Manaus...