Momento confissão: chega a ser difícil escrever algo novo sobre os episódios 8 e 9 de “Boto” em exibição na TV Ufam desde a última sexta-feira, sempre às 23h, no programa Cine Narciso Lobo. Os capítulos voltam a bater nas mesmas temáticas já abordadas anteriormente sem nenhuma nova perspectiva ou elemento que chame atenção. Depois de ligeiros avanços na semana passada, o projeto da Artrupe Produções volta a dar indícios de que, talvez, 13 episódios sejam demais para pouca história. 

LEIA TAMBÉM: Crítica: ‘Boto’ – Episódios 1, 2 e 3: O Protagonismo da Enigmática Manaus

“Troca de Papéis”, o oitavo episódio, inicia com um clima pesado entre os personagens: Alex (Renan Tenca) enfrenta problemas para concluir o longa, o relacionamento entre Betina (Dinne Queiroz) e Valdomiro (Lucas Wickhaus) vai de mal a pior, e Giordano (Ítalo Almeida) e Lara (Daniela Blois) seguem gravitando em torno de tudo.  

E não demora muito para termos mais um poema de Alex com imagens de Manaus e da cena LGBTQI+ da cidade, os dilemas de identidade de gênero expostos através das roupas de Valdomiro, mais um passeio pelo Centro, aquela sequência lynchiana, desta vez, com toques de terror e um exercício corporal para fazer chegar aos 26 minutos de duração do episódio. Salva-se apenas um flashback sobre o trauma na infância de Alex que parece guardar mais detalhes do que necessariamente exposto antes. 

LEIA TAMBÉM: Crítica: ‘Boto’ – Episódios 4 e 5: Ou Pode Chamar de ‘Aquela Estrada 2’

O nono capítulo, “Transamazônica”, segue o mesmo esquema do anterior, mas, tem como principal mérito inserir Lara na trama. A personagem de Daniela Blois hesita inicialmente em atuar no longa do coletivo, mas, vai cedendo aos poucos, até chegarmos na reta final em que ela, finalmente, cede às investidas de Alex e Giordano (em todos os sentidos, diga-se). O desfecho do episódio, aliás, apresenta avanços significativos na história, criando ganchos ótimos para serem elaborados na reta final de “Boto”. 

LEIA TAMBÉM: Crítica: Boto – Episódios 6 e 7: Série Cresce Independente de Obstáculos

Os capítulos 10 e 11 de “Boto” começam a ser exibidos na próxima sexta-feira (19), na TV Ufam, canal 8 da NET Digital. 

‘Terra Nova’: o desamparo da arte e de uma cidade na pandemia

A pandemia do novo coronavírus impactou a sociedade brasileira como um todo. Mas, talvez um dos segmentos mais prejudicados tenha sido a produção cultural independente, que, em grande parte, dependia de plateias e aglomerações em espaços fechados. Soma-se isso a uma...

‘Graves e Agudos em Construção’: a transgressão esquecida do rock

‘O rock morreu?’ deve ser a pergunta mais batida da história da música. Nos dias atuais, porém, ela anda fazendo sentido, pelo menos, no Brasil, onde o gênero sumiu das paradas de sucessos e as principais bandas do país vivem dos hits de antigamente. Para piorar,...

À Beira do Gatilho’: primor na técnica e roteiro em segundo plano

Durante a cerimônia de premiação do Olhar do Norte 2020, falei sobre como Lucas Martins é um dos mais promissores realizadores audiovisuais locais ainda à espera de um grande roteiro. Seus dois primeiros curtas-metragens - “Barulhos” e “O Estranho Sem Rosto” -...

‘Jamary’: Begê Muniz bebe da fonte de ‘O Labirinto do Fauno’ em curta irregular

Primeiro trabalho na direção de curtas-metragens de Begê Muniz, conhecido por ser o protagonista de “A Floresta de Jonathas”, “Jamary” segue a trilha de obras infanto-juvenis do cinema amazonense como “Zana - O Filho da Mata”, de Augustto Gomes, e “Se Não”, de Moacyr...

‘O Buraco’: violência como linguagem da opressão masculina

Em vários momentos enquanto assistia “O Buraco”, novo filme de Zeudi Souza, ficava pensando em “Enterrado no Quintal”, de Diego Bauer. Os dois filmes amazonenses trazem como discussão central a violência doméstica. No entanto, enquanto “Enterrado” apresenta as...

‘No Dia Seguinte Ninguém Morreu’: a boa surpresa do cinema do Amazonas em 2020

“No Dia Seguinte Ninguém Morreu” é, sem dúvida, uma das mais gratas surpresas do cinema produzido no Amazonas nos últimos anos. Esta frase pode parecer daquelas bombásticas para chamar a sua atenção logo de cara, mas, quem teve a oportunidade de assistir ao...

‘O Estranho Sem Rosto’: suspense psicológico elegante fica no quase

Lucas Martins foi uma grata surpresa da Mostra do Cinema Amazonense de 2016 com “Barulhos”. Longe dos sustos fáceis, o curta de terror psicológico apostava na ambientação a partir de um clima de paranoia para trabalhar aflições sociais provenientes da insegurança...

‘Tucandeira’: Jimmy Christian faz melhor filme desde ‘Bodó com Farinha’

Fazia tempo que Jimmy Christian não entregava um curta tão satisfatório como ocorre agora com “Tucandeira”. O último bom filme do diretor e fotógrafo amazonense havia sido “Bodó com Farinha” (2015) sobre todo o processo de pesca, cozimento e importância do famigerado...

‘Jackselene’: simbólico curta na luta pelo aprendizado do audiovisual em Manaus

Sem uma faculdade ou escola de cinema regular desde o fechamento do curso técnico de audiovisual da Universidade do Estado do Amazonas após míseras duas turmas formadas, os aspirantes a cineastas em Manaus recorrem a iniciativas de curta duração. Artrupe, Centro...

‘A Ratoeira’: percepções sensoriais do calor e da cultura manauara

São muito variantes as percepções que se tem de “A Ratoeira”, curta de Rômulo Sousa (“Personas” e “Vila Conde”) selecionado para o Festival Guarnicê 2020. Em seu terceiro projeto como diretor, ele entrega uma obra que experimenta várias construções cinematográficas e...