Caio Pimenta analisa qual ano teve a melhor lista de indicados ao Oscar de Melhor Filme na história.

PIOR: OSCAR 1984

A década de 1980 representou a ressaca da Nova Hollywood e um conservadorismo maior no cinema e sociedade americana. O Oscar espelhou bem isso com uma série de vencedores e indicados bem fraquinhos. 1984 foi o auge disso. 

O tedioso “A Força do Carinho” dividiu espaço com os esquecíveis “O Fiel Camareiro” e “O Reencontro”. Se “Os Eleitos” era o filme um pouco acima da média, mas, nada demais, “Laços de Ternura” se saiu vencedor sustentado pelo ótimo elenco e um roteiro correto.  

Vamos, então, agora falar de coisa boa começando com o décimo lugar. Para montar esta lista, sempre levei em conta anos em que tivemos, pelo menos, de três a quatro grandes filmes entre os indicados. 

10. OSCAR 1980 

Nos últimos suspiros da Nova Hollywood, o Oscar 1980 teve uma seleção sensacional. 

A lista inclui o ganhador da Palma de Ouro do Festival de Cannes, “All That Jazz – O Show Deve Continuar”, musical clássico do Bob Fosse, o excelente drama “Norma Ree” com uma excelente atuação da Sally Field, o poderoso “Apocalypse Now”, uma das obras-primas do Francis Ford Coppola e produção definitiva sobre a Guerra do Vietnã, e o vencedor “Kramer Vs Kramer”, um dos melhores filmes sobre o processo de separação. 

Somente “O Vencedor”, comédia com o Dennis Quaid, destoava dos demais. Aqui, por mais que eu goste do “Kramer Vs Kramer”, não tem como aceitar a derrota do “Apocalypse Now”. 

9. OSCAR 1995 

A nona colocação deste TOP 10 vai para o ano de 1995 com filmes que caíram no gosto popular. 

Começando com a comédia britânica “Quatro Casamentos e um Funeral”, obra que abriu caminho para o surgimento de “Um Lugar Chamado Notting Hill” e “Simplesmente Amor” anos mais tarde. Também teve a unanimidade “Um Sonho de Liberdade”, um dos mais belos filmes produzidos nos últimos 25 anos em Hollywood. “Pulp Fiction” consolidou o Tarantino como um novo gigante do cinema americano e “Forrest Gump” fixou Tom Hanks no imaginário popular, além de ser um marco na história dos efeitos visuais. 

Mesmo em um patamar abaixo, “Quiz Show”, do Robert Redford, também era muito bom. Para mim, o vencedor deveria ter sido “Pulp Fiction”, porém, se tivesse ido para “Um Sonho de Liberdade”, eu não reclamaria nem um pouco. 

8. OSCAR 1951 

Feliz é o ano em que duas obras-primas indiscutíveis podem disputar o Oscar. Foi justamente isso que ocorreu em 1951. 

De um lado, a gente tinha “A Malvada”, um retrato ácido sobre a rivalidade e inveja dentro do mundo das artes com um desempenho inesquecível de Bette Davis. Do outro, “Crepúsculo dos Deuses”, o maior filme do mestre Billy Wilder com a cena final marcante de Gloria Swanson 

Para mim, podia dar empate e os dois levarem o Oscar para casa. Também nesse ano, a gente teve a comédia romântica “O Pai da Noiva” como um dos indicados. 

7. OSCAR 1941 

Dez anos antes, em 1941, o Oscar de Melhor Filme reuniu, na mesma disputa, gente como John Ford, Charlie Chaplin, Alfred Hitchcock e George Cukor. 

“As Vinhas da Ira” é uma das produções mais fortes sobre a desigualdade social e a pobreza já feitos, enquanto “Núpcias de um Escândalo” traz Katharine Hepburn, Cary Grant e James Stewart em uma das comédias românticas que moldou o gênero. “O Grande Ditador” mostra Chaplin alertando o mundo para o perigo de Hitler e Hitchcock mostra para que foi a Hollywood com o excelente “Rebecca”. 

Aqui, é difícil dizer qual merecia mais, porém, se a for levar em conta o peso político e histórico do momento, com o Hitler dominando praticamente a Europa, acho que seria justo o Chaplin até para que ele pudesse vencer uma única vez o prêmio máximo da Academia. 

6. OSCAR 1975 

O Oscar de 1975 viu, pela primeira vez, uma continuação ganhar o Oscar. Só podia ser, claro, com “O Poderoso Chefão 2”. Coppola ainda se fez presente com o excelente “A Conversação”, enquanto Polanski trouxe a obra-prima “Chinatown”.

Para quem curte mais um cinema catástrofe, “Inferno da Torre” preencheu a cota com louvor. Fechava a lista o também muito bom “Lenny”. 

5. OSCAR 1977 

Em 1977, disputaram “Taxi Driver”, “Todos os Homens do Presidente”, “Rede de Intrigas”, “Esta Terra é Minha Terra” e o vencedor “Rocky – O Lutador”. 

Eu já comentei bastante sobre essa premiação no vídeo anterior que eu  deixando o link na descrição. 

4. OSCAR 2020 

O Oscar foi um dos poucos momentos bons de 2020 e a seleção deste ano foi das melhores dos últimos tempos.  

O Scorsese trouxe “O Irlandês”, filme que trouxe um novo prisma sobre as produções de máfia no cinema. Já o Tarantino passeou pela Los Angeles louca, colorida e perigosa do fim dos anos 1960 em “Era uma vez em Hollywood”. Teve espaço para uma versão pesadona de “Coringa” com um trabalho assombroso do Joaquin Phoenix. Isso sem falar do ótimo “História de um Casamento” com excelentes desempenhos da Scarlett Johansson e Adam Driver. 

Em meio a tanta coisa boa, foi incrível a gente poder ver sair vencedor “Parasita”, o primeiro filme de língua não inglesa a vencer o Oscar. A história foi feita da melhor maneira possível. 

3. OSCAR 1976 

O auge da Nova Hollywood, o início da era dos blockbusters e um gigante capaz de transcender gerações tornaram o Oscar de 1976 inesquecível. 

Stanley Kubrick chegou com “Barry Lyndon, um drama de época em que imprimiu todo o seu preciosismo técnico. Já o astro daquela geração da Nova Hollywood, Al Pacino, trazia toda a energia e fúria em “Um Dia de Cão”, enquanto MIlos Forman, com “Um Estranho no Ninho”, e Robert Altman, de “Nashville” davam sinais que caminhavam para serem gigantes. Por fim, um jovem chamado Steven Spielberg começava a mudar a indústria com “Tubarão”. 

2. OSCAR 1940 

A era de Ouro de Hollywood esteve bem representada no Oscar de 1940. 

Tinha para filmes todos os gostos e gêneros: do infantil explodindo a Technicolor de “O Mágico de Oz”, passando pelo tradicional faroeste de “No Tempo das Diligências”, ao drama com “A Mulher Faz o Homem” e o “Morro dos Ventos Uivantes”, noir de “Ninotchka” até, claro, chegar no épico dos épicos “E o Vento Levou”. Era o auge criativo de Hollywood até então. 

Eu já disse aqui no canal que não sou muito fã de “E o Vento Levou”,  deixando o link na descrição, inclusive. Por mim, esse Oscar teria ido, sem dúvida, para “O Mágico de Oz”, um filme que consegue encantar gerações e gerações até os dias atuais. 

1. OSCAR 1968 

Para muitos historiadores, 1968 foi o ano que mudou o mundo. Falando apenas de Oscar, a festa daquele ano teve uma seleção de filmes que mostrava  sim esta transformação social do mundo e da própria indústria. 

Se “O Fantástico Doutor Dolittle” ainda traz os resquícios de anos anteriores de produções em escalas gigantes sem grande relevância, os demais indicados são obras muito mais ousadas. Começando com “A Primeira Noite de um Homem” e “Bonnie & Clyde”, filmes responsáveis para dar o pontapé inicial na Nova Hollywood. Ambos os filmes trazem abordagem transgressoras e antenadas com as questões de sexualidade e rebeldia presentes naquele momento. Já “Adivinhe quem vem para Jantar” e “No Calor da Noite” cutucam as feridas do racismo nos EUA de forma muito elegante como seu protagonista, Sidney Poitier. 

Apesar da minha preferência por “A Primeira Noite de um Homem”, a vitória naquele ano acabou indo para “No Calor da Noite”. A escolha da Academia, porém, acabou sendo simbólica para o momento: a cerimônia do Oscar de 1968 foi adiada em três dias devido à morte de Martin Luther King, um marco na luta pelos direitos civis dos EUA.

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