O Olhar do Norte 2020 terá exibições especiais de elogiados curtas e longas-metragens do cinema brasileiro em 2020. Fazem parte desta programação três obras do cinema amazonense – “O Barco e o Rio”, de Bernardo Abinader, “Manaus Hot City”, de Rafael Ramos, e “Sons do Igarapé”, de Victor Kaleb – o longa paraense “O Reflexo do Lago”, de Fernando Segtowick, e o alagoano “Cavalo”, de Rafhael Barbosa.

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“Manaus Hot City” é um dos principais destaques do cinema amazonense em 2020. Dirigido por Rafael Ramos, a produção acumula participações em importantes festivais brasileiros, entre eles, o Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo – Kinoforum,  o Festival de Vitória, o Cine PE e o Festival Curta Cinema. 

Rodado em 2019, o curta aborda a amizade entre três amigos e como esta é afetada por uma descoberta transformadora. Tudo isso em meio a conceitos de sobre a cidade, o calor e saudade. “Manaus Hot City” é quarto curta de ficção da carreira de Rafael Ramos – “A Segunda Balada“, “A Menina do Guarda-Chuva” e “Aquela Estrada” são as obras anteriores.

Maria do Rio, Frank Kitzinger, Denis Lopes e Vanessa Moraes integram o elenco, enquanto Francisco Ricardo (diretor de arte), Oberdan Nogueira (figurino), Livia Limeira (trilha sonora) fazem parte da equipe técnica)

Filme: Manaus Hot City
Direção, Roteiro e Direção de Fotografia: Rafael Ramos 

Elenco: Maria do Rio, Frank Kitzinger, Denis Lopes, Vanessa Moraes
Assistente de direção: André Cunha 
Diretora de produção: Karine Pantoja 
Produção: Lucas Aflitos, Lucas Carvalho, Wallace Modesto 
Montagem: Maynard Stuart Farrell 
Trilha Sonora e Edição de Som: Livia Limeira
Direção de Arte: Francisco Ricardo 
Figurino: Oberdan Nogueira 
Finalização: Leonardo Tavares

“O Barco e o Rio” chega como um dos filmes mais aguardados do Olhar do Norte 2020. Afinal, os cinco Kikitos conquistados no Festival de Gramado 2020 – Melhor Filme do Júri Oficial e Popular, Direção, Direção de Fotografia e Direção de Arte – deram uma projeção rara para uma produção amazonense tantos nas redes sociais quanto na mídia em geral. Essa será a grande oportunidade para quem não conferiu o curta dirigido por Bernardo Ale Abinader de poder assistir ao filme.

Produzido pela Fita Crepe Filmes, o curta traz a história de duas irmãs antagônicas que herdam o barco da família. A mais velha e conservadora, Vera (Isabela Catão), vê no patrimônio a vida dela, passando os dias transportando mercadorias e passageiros. Já Josi (Carolinne Nunes) não gosta das restrições da irmã; possui cabeça aberta, mas vê a vida mudar devido a uma gravidez inesperada. A dinâmica da relação é o ponto de conflito do de “O Barco e o Rio”.

Igual “Manaus Hot City”, “O Barco e o Rio” segue uma trajetória importante em festivais nacionais: além de Gramado, o curta amazonense integra a lista do Festival Curta Cinema, e, recentemente, obteve a primeira seleção para um festival internacional, no caso, o Festival Internacional de Curtas-Metragens de Bogotá, na Colômbia.

Filme: O Barco e o Rio
Direção e Roteiro: Bernardo Ale Abinader
Elenco: Isabela Catão, Carolinne Nunes, Márcia Vinagre, Diego Bauer
Produção Executiva: Hamyle Nobre
Direção de Fotografia: Valentina Ricardo
Direção de Arte: Francisco Ricardo
Trilha Musical: Heverson Batista (Batata)
Trilha Sonora Original: Lucas Coelho
Montagem: César Nogueira
Desenho de Som: Lucas Coelho

Um musical do cinema amazonense? Isso é possível?

Sim e “Sons do Igarapé” chega para provar isso. O pouco conhecido curta-metragem dirigido por Victor Kaleb terá mais uma chance de ser descoberto no Olhar do Norte 2020. A obra traz a história de um casal morando isolado que encontram um ser sem pêlos. Segundo o realizador, a ideia é trabalhar as questões sobre as conexões e relacionamentos humanos com a música sendo elo fundamental deste processo.

Este é o o primeiro filme de Victor Kaleb como diretor de curtas-metragens após atuar em peças de teatro da Artrupe e no curta “Aquela Estrada”, de Rafael Ramos, e “No Céu da Boca Cresceu Saturno”, de Francis Madson.

Filme: Sons do Igarapé
Direção e Roteiro: Victor Kaleb
Elenco: Victor Kaleb, Fabiano Baraúna, Jessyca Paiva
Direção de Fotografia: Robert Coelho
Montagem: Eduardo Resing

Som: Chico Toledo, Wayra Arendartchuk, Henrique Mendonça e Lucas Coelho

“Cavalo” está para o cinema de Alagoas o que significou “A Floresta de Jonathas” para o audiovisual amazonense. O projeto dirigido por Rafhael Barbosa e Werner Salles foi o primeiro longa-metragem do estado nordestino com incentivo público do Governo Federal através do Prêmio Guilherme Rogato em 2015, projeto da Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC) que repartiu R$ 900 mil entre o setor do audiovisual.

Produção híbrida composta por trechos documentais, ficcionais e performances de dança de sete artistas negros de Alagoas, “Cavalo”, através do candomblé e toda sua ancestralidade, mostra como o corpo daquelas pessoas é um instrumento de ligação com as suas raízes e, acima de tudo, de resistência social. 

O longa está acumulando importantes passagens por festivais de cinema Brasil afora em 2020, incluindo, a Mostra de Cinema de Tiradentes, o Festival Ecrã de Experimentações Audiovisuais e o Olhar de Cinema.

Filme: Cavalo
Direção e Roteiro: Rafhael Barbosa e Werner Salles
Elenco: Alexandrea Constantino, Evez Roc, Joelma Ferreira, Leide Serafim Olodum, Leonardo Doullennerr, Robert Maxwell  e Sara de Oliveira
Preparação de elenco: Glauber Xavier e Flávio Rabelo
Direção de produção: Adriana Manolio
Produção executiva: Valeska Leão
Assistência de produção: Renah Roxo Berindell
Som direto Simone Cordeiro
Direção de arte: Nina Magalhães e Weber Salles Bagetti
Montagem: Werner Salles Bagetti e João Paulo Procópio
Direção de fotografia: Roberto Iuri
Assistência de câmera: Chapola Silva
Edição e mixagem de som: Lucas Coelho
Assistência de direção: Guilherme César
Correção de cor e finalização: Gabriel Çarungaua

Iluminador: Moab de Oliveira Santos
Trilha sonora original: Luciano Txu

Se “Manaus Hot City” e “O Barco e o Rio” fazem bonito pelo cinema amazonense, é possível dizer o mesmo sobre cinema paraense com “O Reflexo do Lago”. O documentário de Fernando Segtowick foi o primeiro filme do Estado selecionado para a Mostra Panorama Dokumente do Festival Internacional de Cinema de Berlim. A produção também passou pelo 60º Festival de Cine de Cartagena de Índias, Mostra Algo a Declarar – estreia Latina (indicado a Melhor Documentário), DokuFest 2020, Mostra Green Dox (indicado a Melhor Documentário), Olhar de Cinema – Mostra Novos Olhares e Festival Jean Rouch – Mostra Competitiva.

Filmado em preto e branco, “O Reflexo do Lago” mostra o cotidiano das pessoas que moram perto de uma das maiores usinas hidrelétricas do mundo na Amazônia. À sombra desse projeto ambientalmente destrutivo, eles ganham vidas involuntariamente escassas, sem eletricidade ou infraestrutura.

“Não é só fazer um filme sobre hidrelétrica ou sobre comunidades impactadas; além da preocupação de como contar a história cinematograficamente, a maneira com que me relaciono com as pessoas, o material e a maneira que reverbero isso, além da maneira com que a Amazônia é enxergada pelo Brasil e pelo mundo, é uma das tônicas do “Reflexo do Lago””, declarou Segtowick à colunista do Cine Set, Lorenna Montenegro na coluna Filme & Prosa.

Filme: O Reflexo do Lago
Direção: Fernando Segtowick
Produtores Executivos: Brenda Silvestre e Thiago Pelaes

Direção de Fotografia: Thiago Pelaes
Montagem: Frederico Benevides
Som: Victor Kato, Igor Amaral e Lauro Lopes
Design de Som e Mixagem: Lucas Coelho
Colaboração Design de Som: Guilherme Farkas
Assistentes de Direção: Rodrigo Garcia e Dayana Manasses

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