Chegou a hora de trazer os maiores momentos do Oscar na década de 1990 aqui no canal do Cine Set no YouTube.

Aqui, levo em conta as edições de 1991 a 2000. 

10. VITÓRIA DE STEVEN SPIELBERG 

Por mais que tivesse uma filmografia extremamente popular e elogiada por críticos, Steven Spielberg enfrentava muita resistência até o início dos anos 1990 na Academia.

Foi indicado três vezes a Melhor Direção com “Tubarão”, “Contatos Imediatos de Terceiro Grau” e “E.T”, porém, nunca chegou com forças para ganhar o prêmio.

Era visto como um Peter Pan que todos se encantavam com suas obras, mas, nunca levado muito a sério. 

As esnobadas por “A Cor Púrpura” e “Império do Sol” foram bons exemplos disso. A resistência, porém, chegou ao fim em 1994. 

Com o épico “A Lista de Schindler”, filmado em preto e branco e o mais comovente e realista construção sobre o Holocausto nazista nos campos de concentração vistas até então nos cinemas, o Spielberg deixou a imagem de que era incapaz de fazer um cinema mais voltado para o público adulto. A obra-prima levou sete Oscars, incluindo Melhor Direção e Filme. 

Naquele Oscar 1994, como se não bastasse, o Spielberg ainda viu “Jurassic Park” conquistar os três prêmios a que concorria. 

9. ASTROS BANIDOS 

Você sabia que Susan Sarandon, Tim Robbins e Richard Gere foram banidos do Oscar?

Isso aconteceu por polêmicas posições políticas feitas pelo trio na cerimônia de 1993. 

O então casal Sarandon e Robbins foi apresentar o prêmio de Melhor Montagem e protestou contra um campo de concentração dos EUA com 250 haitianos soropositivos em Cuba.

A dupla questionou a discriminação por conta da doença e a prisão deles.

A atriz vencedora do Oscar por “Os Últimos Passos de um Homem” conta que, ao voltar para o lugar dela na plateia, muitos convidados a xingaram e a mandaram ir para Cuba.

Lembra algo? 

Já o Richard Gere, ao apresentar a categoria de Direção de Arte, protestou contra o governo chinês pela invasão no Tibet. 

O trio, porém, não demorou muito para ser perdoado e voltar ao Oscar. 

8. COMEMORAÇÃO DE JACK PALANCE 

Que os atores idosos, especialmente as mulheres, têm dificuldades de conseguirem bons papéis em Hollywood, não é novidade.

O Jack Palance aproveitou o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante por “Amigos, Sempre Amigos” para fazer uma crítica bem-humorada à indústria. 

No meio do discurso de agradecimento, Palance, de terno e gravata, resolveu fazer flexões no palco do Oscar para mostrar toda a vitalidade dele.

Arrancou risadas da plateia e alertou o público para um problema relevante do cinema mundial. 

7. HOMENAGEM A STANLEY DONEN 

Diretor de clássicos musicais como “Cantando na Chuva” e “Sete Noivas Para Sete Irmãos”, o Stanley Donen recebeu o prêmio honorário da Academia em 1998.

E arrasou no agradecimento. 

Donen subiu ao palco para receber os prêmios das mãos de outro mestre, Martin Scorsese.

E resolveu agradecer em forma de musical cantando a clássica “Cheek to Cheek” e sapateando. Depois, com uma trilha sonora de fundo, agradeceu diretores, produtores e astros da Era de Ouro de Hollywood.

Foi inesquecível. 

6. BILLY CRYSTAL DE HANNIBAL

O Oscar teve momentos hilários nos anos 1990. As zoeiras do Billy Crystal com os principais indicados ao evento e o Jim Carrey tirando sarro com ele mesmo após a esnobada por “O Show de Truman” foram sensacionais. Porém, uma delas entrou para a história. 

Na cerimônia de 1992, o Billy Crystal entrou no palco do Dorothy Chandler Pavilion encarnando o lendário Hannibal Lecter acompanhado de seguranças, criando a melhor das entradas de um apresentador na história da festa.

Depois, ele convidou Anthony Hopkins para um jantar e o astro afirmou que seria um prazer. 

5. DISCURSO DE TOM HANKS POR “FILADÉLFIA”

Tom Hanks foi um dos donos do Oscar nos anos 1990. Levou por duas vezes Melhor Ator por “Filadélfia” e “Forrest Gump”. Na primeira vitória em 94, ele fez um discurso emocionante. 

O astro agradeceu seu professor de teatro e um colega da época da faculdade de teatro, ambos gays, por o terem ajudado a ser o ator que ele é.

Vale lembrar que a homossexualidade no início dos anos 1990 estava estigmatizada e era alvo de pesados preconceitos por muitos a associarem com a AIDS. 

O discurso inspirou o roteirista Paul Rudnick a fazer a comédia “Será que Ele é?” em que o Kevin Kline interpreta um professor que se vê em meio a uma grande polêmica após seu ex-aluno vencer o Oscar e dizer que ele é gay. 

4. HOMENAGEM POLÊMICA A ELIA KAZAN 

Elia Kazan foi um dos maiores diretores da história do cinema americano com clássicos como “Uma Rua Chamada Pecado” e “Sindicato de Ladrões”.

Porém, ele também se envolveu em uma polêmica gigante ao ser apontado como um dos denunciantes do macarthismo dentro de Hollywood. 

O assunto voltou com tudo no Oscar 1999 ao receber a estatueta pelo conjunto da obra. 

Anunciado por Martin Scorsese e Robert De Niro, Kazan subiu ao palco e dividiu o público da cerimônia: uma parte o aplaudiu de pé, enquanto outros ficaram sentados e até de braços cruzados.

A transmissão bem que tentou, mas, imagens mais abertas mostravam o climão na cerimônia. 

3. A VITÓRIA DE ANNA PAQUIN 

O que você fazia com 11 anos de idade? Eu estava na quarta série saindo do colégio que eu passei grande parte da minha infância e assistindo a Copa do Mundo de 1998. 

Já a Anna Paquin ganhava um Oscar. 

Em 1993, ela roubou a cena no excelente “O Piano”, da Jane Campion.

Indicada em Melhor Atriz Coadjuvante, a Paquin recebeu o Oscar das mãos do Gene Hackman e olhava para o público sem acreditar no que estava acontecendo.

Tão bonito quanto a vitória foi a reação da Holly Hunter, colega dela no filme e disputando o prêmio por “A Firma”, que ficou até mais feliz se ela mesmo tivesse vencido. 

Além da Holly Hunter, a Anna Paquin concorreu com outras gigantes como Emma Thompson e Winona Ryder. 

2. A APARIÇÃO DE CHRISTOPHER REEVE 

Christopher Reeve sofreu um trágico acidente a cavalo em 1995 e ficou tetraplégico. Menos de um ano depois, ele entrou para a história do Oscar. 

Sem nenhum tipo de anúncio, Reeve apareceu no palco em uma cadeira de rodas elétrica e com um respirador artificial.

O Dorothy Chandler Pavilion veio abaixo em uma mistura de aplausos e choros da plateia.

No discurso, o eterno Superman pediu que Hollywood se concentrasse em fazer mais filmes sobre causas sociais. 

1. AS COMEMORAÇÕES DE ROBERTO BENIGNI 

Ok, essa vai doer na alma, mas, as celebrações de Roberto Benigni no terrível Oscar 1999 são os momentos mais marcantes do evento nos anos 1990. 

Afinal, quem não lembra da empolgada comemoração do diretor e ator de “A Vida é Bela” ao ganhar Melhor Filme em Língua Não-Inglesa?

Até o Steven Spielberg precisou segurá-lo enquanto pisava sobre as poltronas. Mal sabia ele que minutos depois venceria Melhor Ator superando Tom Hanks.

Teve direito a corridinha, abraço no Harvey Weinstein, aperto de mão no Warren Beatty e Robin Williams antes de subir ao palco para receber a estatueta das mãos da Helen Hunt. 

O engraçado é que a primeira frase dele ao receber Melhor Ator foi dizer que era um erro terrível. E eu não posso concordar mais com isso e até hoje dá uma dor de cabeça para nós brasileiros. 

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