Caio Pimenta apresenta uma análise das indicações ao SAG 2021 e o impacto delas para a corrida para o Oscar.

MELHOR ATOR COADJUVANTE 

Em 17 das 26 edições do SAG, os ganhadores do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante coincidiram com os vencedores do sindicato. Isso inclui as quatro últimas edições com as vitórias de Mahershala Ali, por “Moonlight” e “Green Book”, Sam Rockwell, de “Três Anúncios para um Crime”, e Brad Pitt, por “Era uma vez em Hollywood”. 

Nos últimos quatro anos, as listas do SAG e do Oscar diferiam em apenas um nome. A última vez que elas foram iguais ocorreu em 2015. Vamos, então, os indicados deste ano. 

Três nomes estão garantidos desta turma: o Sacha Baron Cohen, o Leslie Odom Jr e o Daniel Kaluuya. Acho, aliás, que os dois últimos brigam pela estatueta com ligeiro favoritismo para o ator de “Judas e o Messias Negro”. 

Já o Jared Leto se aproximou bastante da nomeação. O trabalho dele foi lembrado tanto no SAG quanto no Globo de Ouro por um filme bastante criticado, mas, no qual ele se sobressai. Hoje, ele é um candidato sério por uma das vagas, algo impensável a menos de 10 dias. 

Por fim, temos o dilema do Chadwick Boseman: vão bancar uma nomeação aqui em ator coadjuvante também ou vão ficar apenas com Melhor Ator em que ele é o favorito a vencer? Talvez isso divida muitos votantes que podem preferir, por exemplo, o Paul Raci, de “O Som do Silêncio”. Aliás, ele foi injustamente esnobado no SAG e no Globo de Ouro. 

Quem parece carta fora do baralho é o Bill Murray: toda a expectativa de que ele, finalmente, ganharia o Oscar por “On the Rocks” naufragou. Ele chega para as indicações ao Oscar como azarão até para uma indicação.

Uma pena. 

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE 

Vamos de estatística: em 19 das 26 edições do SAG, as ganhadoras de atriz coadjuvante no sindicato foram vencedoras do Oscar. Aqui, vale uma observação: em 2009, a Kate Winslet, por “O Leitor”, venceu Atriz Coadjuvante no SAG, mas, no prêmio da Academia levou Melhor Atriz.  

Para 2021, as indicadas são as seguintes: 

Nos últimos três anos, as listas do SAG e do Oscar são diferentes em dois nomes. Isso abre possiblidade para acreditar que a Amanda Seyfried, de “Mank”, possa ser nomeada. Ela está na lista das grandes esnobadas do prêmio do sindicato. Outra que ficou de fora, mas, pode aparecer no Oscar é a Ellen Burstyn, de “Pieces of a Woman”. 

As duas podem entrar nos lugares da Helena Zengel, de “Relatos do Mundo”, e, principalmente, da Glenn Close, por “Era uma vez um Sonho”. Aliás, essa nomeação da Glenn é a coisa mais aleatória desta temporada de premiações.  

O filme foi extremamente criticado e até mesmo a atuação dela parece muito acima do tom, exagerada a um ponto de não ser absurdo que seja considerada um Oscar bait dos mais vexatórios dos últimos anos. Eu já cheguei a falar em vídeos anteriores que a melhor coisa seria esperar os próximos anos e trabalhos porque certamente a Glenn Close irá conseguir essa estatueta. Vencer por “Era uma vez um Sonho” será um atestado da Academia de desespero. 

Garantidas mesmo, até agora, somente a Bakalova, a Colman e a Yeun, aliás, a favorita ao prêmio. 

MELHOR ATOR 

Em 22 das 29 edições do SAG, o ganhador de Melhor Ator levou a mesma categoria no Oscar. E ainda tem o caso do Benicio Del Toro, de “Traffic”: ele ganhou o SAG de Melhor Ator e venceu o Oscar de Ator Coadjuvante. 

Nos últimos cinco anos, a lista do SAG de Melhor Ator, na média, tem divergido um nome dos indicados ao Oscar. Então, vamos ver que são os nomeados deste ano no sindicato dos atores: 

Boseman é o favorito a levar este Oscar e tanto o Hopkins quanto o Ahmed são nomes certos. O Steven Yeun se aproxima demais da vaga com essa nomeação, apesar de ter sido esnobado no Globo de Ouro. 

O duelo é pela última vaga: o Gary Oldman está na frente agora com as nomeações do SAG e do Globo de Ouro. Ter um dos filmes que deve ser líder de indicações e que deve receber todo o investimento da Netflix nesta temporada de premiações como é o caso de “Mank” o ajuda ainda mais. Por outro lado, como dá para descartar o Delroy Lindo com uma atuação tão fantástica em “Destacamento Blood”?  

Ele não apenas tem o melhor desempenho da carreira como, na minha visão, pelo menos, é disparada a grande atuação masculina de 2020. E os prêmios da crítica americana e mundial foram nesta mesma linha. A minha esperança é que os votantes de outros países abracem o trabalho do Delroy e ele consiga essa vaga. Caso contrário, a gente vai ver uma das maiores injustiças dos últimos anos. 

Só para não passar batido: lamento demais também o Kingsley Ben-Adir, de “Uma Noite em Miami”. Um trabalho primoroso com cara de que será esquecido. 

MELHOR ATRIZ 

  1. Esse foi o número de vezes em que coincidiram as ganhadoras de Melhor Atriz no SAG e no Oscar. Nos últimos três anos, as listas de indicadas tem variado em apenas um nome.

Vamos, então, para as indicadas ao SAG 2021 de Melhor Atriz: 

  • Vanessa Kirby, por “Pieces of a Woman
  • Carey Mulligan, de “Bela Vingança
  • Frances McDormand, de “Nomadland
  • Viola Davis, por “A Voz Suprema do Blues”
  • Amy Adams, de “Era uma vez um Sonho” 

Um doce para adivinhar qual delas deve cair fora. Se eu já acho a nomeação da Glenn Close, a menor pior do elenco de “Era uma vez um Sonho”, o que dizer da Amy Adams indicada? Somente um ano de pandemia com todo mundo pirado trancado em casa justifica um negócio desses. 

E antes que digam: eu adoro a Amy Adams. Fiquei puto quando a esnobaram em “A Chegada” e “Animais Noturnos”, mas, daí, indicá-la por esse filme? Fica feio até para ela. Desnecessário. 

Quem deve ficar com a quinta vaga no Oscar é a Andra Day, mas, pode ser que dê a Sophia Loren. Se houvesse justiça no mundo, a indicada era a Sidney Flanigan, por “Nunca Raramente às Vezes Sempre”. 

MELHOR ELENCO 

Há quem diga que o SAG de Melhor Elenco seria o equivalente ao Oscar de Melhor Filme. Eu não vou tão longe assim até por conta da margem de acerto entre os dois prêmios: foram 12 acertos em 26 edições, uma média de menos de 50%. 

Porém, ano passado, “Parasita” começou a arrancar para levar o Oscar justamente no SAG de Melhor Elenco. Os indicados para categorias em 2021 são os seguintes: 

  • “A Voz Suprema do Blues”
  • “Destacamento Blood”
  • “Minari”
  • “Uma Noite em Miami”
  • “Os Sete de Chicago” 

Aqui, a incoerência bate forte: afinal, como você indica “Destacamento Blood”, mas, esnoba o Delroy Lindo em Melhor Ator?  

De qualquer modo, vale observar a força da Netflix com três indicados e que poderiam ter virado quatro com “Mank”, mas, como eu já havia cantado a pedra aqui no canal, o filme do David Fincher ficou de fora. 

Exceto por “Destacamento Blood”, todos os outros quatro estão garantidos em Melhor Filme do Oscar 2021. Quanto ao prêmio de Melhor Elenco do SAG 2021, essa disputa deve ficar entre “Os Sete de Chicago” e “Minari” com “A Voz Suprema do Blues” e “Uma Noite em Miami” correndo por fora. 

Por fim, não vejo tanto prejuízo assim “Nomadland” ficar de fora. Já era esperado não aparecer por conta do elenco formado por muito não-atores e ser centrado demais na personagem da Frances McDormand. Acho que a força do filme será notada mesmo nos sindicatos dos Produtores e dos Diretores, além do Bafta. 

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