ADAM DRIVER 

Tinha tudo para Adam Driver dar errado dentro de Hollywood. Passa longe do rótulo de galã de um Hugh Jackman ou ser uma figura carismática como Leonardo DiCaprio. Muito menos é forte à la Dwayne Johnson ou possui a agilidade de Tom Cruise para sair correndo e se pendurando por aí sem dublês.

É, não tinha como dar certo.

Mas, apesar desta falta de atributos tão reconhecíveis de imediato para fazer um astro, a capacidade de aliar força e vulnerabilidade em cena, combinada com um toque de estranheza e delicadeza, ligou o alerta de outros outsiders do cinemão americano.

Noah Baumbach percebeu isso em “Frances Ha” e replicou nos corretos “Enquanto Somos Jovens”, “Os Meyerowitz” até chegar à perfeição com “Histórias de um Casamento”. Depois veio Jim Jarmusch no belíssimo “Paterson”, Spike Lee em “Infiltrado na Klan”, Martin Scorsese em “O Silêncio” e Steven Soderbergh em “Logan Lucky”.

O talento daquele esquisitão era tão grande que não havia como Hollywood fechar os olhos e J.J Abrams, habilidoso como poucos nas escolhas de elenco, o levou ao universo “Star Wars” para interpretar o complexo vilão Kylo Ren. Sim, Adam Driver tinha tudo para dar errado como estrela pop, mas, para a nossa sorte, foi um dos verdadeiros tesouros descobertos nesta década no cinema dos EUA.

ALICE ROHRWACHER

Federico Fellini, Vittorio de Sica, Luchino Visconti, Roberto Rosselini, Michelangelo Antonioni, Mario Monicelli, Pier Paolo Pasolinni, Ettore Scola, Nanni Moretti, Roberto Benigni, Paolo Sorrentino… A escola italiana de diretores é uma das mais brilhantes do cinema mundial, mas, pouco se fala de mulheres cineastas vindas do país.

Semelhante ao Brasil, a estrutura machista da sociedade italiana advém das origens do país, ganhando força ainda mais com a tradição católica. Não à toa que o principal líder político neste século foi Silvio Berlusconi, mulherengo declarado e que sempre se referiu às colegas femininas na política com tons jocosos.

Dentro deste cenário de opressão, ver o crescimento de diretoras italianas como Valeria Golino (“Euforia”), Beatrice Segolino (“As Boas Intenções”) e Francesca Comencini (“Histórias que não me Pertencem Mais”) é um alento. A maior de todas foi Alice Rohrwacher.

Após ter lançado o elogiado “Corpo Celeste”, em 2011, Alice realizou “As Maravilhas”, filme ganhador do Grande Prêmio do Júri do Festival de Cannes em 2014. Para completar a década, lançou “Feliz Como Lázaro”, uma produção brilhante, disponível na Netflix, pessimista em relação aos rumos da humanidade e na nossa incapacidade de acolher, abraçar o próximo.

BARRY JENKINS 

Barry Jenkins foi protagonista de uma das maiores surpresas da história do Oscar. Não, não me refiro ao bagunçado final do Oscar 2017, mas, sim, da vitória histórica de “Moonlight – Sob a Luz do Luar” em cima do musical “La La Land”.  

Segundo filme do diretor (o primeiro foi “Medicine for Melancholy”, de 2008), a produção com orçamento inferior a US$ 2 milhões sobre a jornada pessoal de um jovem negro, marcada por graves problemas sociais americanos, em uma região pobre de Miami, conseguiu bater um musical falando sobre o mundo mágico de Hollywood, com astros belíssimos e glamourosos, o cineasta da moda e o projeto vencedor de todos os prêmios até então.

Mesmo com o brilhante trabalho do elenco e da direção de fotografia de James Laxton, é Jenkins quem faz a mágica, ou melhor, o blues triste de “Moonlight” soar tão verdadeiro: cada momento do longa possui uma crueza e sutileza tão singulares capazes de transportar ao público para aquela realidade sem maiores dificuldades.

Se a Rua Beale Falasse” pode até não estar no nível de brilhantismo de “Moonlight”, mas, possui momentos tão devastadores que bastam por si só – a fala devastadora da experiência do personagem de Bryan Tyree Henry na prisão é impossível de ser esquecida. Junto com Jordan Peele, Steve McQueen e Ava DuVernay, Barry Jenkins mostra a nova geração de diretores negros prontos para ocupar o espaço no cinema mundial.

DAMIEN CHAZELLE

Já pensou ter 34 anos e poder dizer que os teus três primeiros longas-metragens de ficção foram “Whiplash”, “La La Land” e “O Primeiro Homem”, além de já vencido um Oscar de Melhor Direção?

Senhoras e senhores, com vocês, Damien Chazelle.

Claro que isso tudo não vem impune e detratores já se prontificam para dizer que Chazelle não é tudo isso, sendo superestimado demais pela crítica e pela própria indústria de Hollywood. Pode até ser verdade que o diretor não seja este suprassumo e, às vezes, soe insosso demais sem ter uma pegada de maior contestação política ou social em suas obras.

Mas, o perfeccionismo técnico exibido em todos os seus três longas é inegável. Não reconhecer uma das montagens mais impecáveis da década em “Whiplash”, a direção de arte e trilha sonora encantadoras de “La La Land” ou o absurdo que é a edição e mixagem de som de “O Primeiro Homem” resvala na tola implicância.

Damien Chazelle pode ser o novo caso de ame ou deixe-o do cinema, mas, ignorá-lo já não é mais possível.

DENIS VILLENEUVE 

O primeiro longa de Denis Villeneuve data de 1998 com “32 de Agosto na Terra”, mas, cá entre nós, tudo se transformou na vida do cineasta a partir de “Polytechnique”, de 2009, mas, principalmente, com “Incêndios”. Se a produção canadense indicada ao Oscar 2011 de Melhor Filme Estrangeiro já demostrava o estilo frio do diretor, a capacidade dele em conduzir a narrativa e prender o espectador nela ressoava de modo impactante.

Ao chegar aos EUA, Denis Villeneuve encarou um desafio “modesto”: adaptar uma obra de José Saramago, autor de obras praticamente inadaptáveis. “O Homem Duplicado” deu (e segue dando) nó na cabeça de muita gente, mas, despertou Hollywood de vez. Depois, veio “Sicario” para mostrar que ele era o cara capaz de extrair mais de superproduções.

Se “Os Suspeitos” não cativou o público totalmente apesar de Hugh Jackman e Jake Gyllenhall estarem brilhantes, “A Chegada” consolidou Villeneuve ao dar o melhor desempenho de Amy Adams nos cinemas e mostrar que ali no peito do diretor havia um coração (de gelo, mas, tinha).

Para que simplificar se você pode se colocar em um desafio imenso e polêmico? Com isso em mente, o diretor nos deu ‘apenas’ a continuação de “Blade Runner” uma sci-fi surpreendente e capaz sim de duelar tranquilamente com a versão oitentista de Ridley Scott. O fracasso de bilheteria? Azar de quem perdeu.

Agora, Denis Villeneuve fará uma jornada épica por “Duna” ao lado de um elenco repleto de estrelas, com continuação anunciada antes do lançamento do primeiro filme e orçamento na casa dos três dígitos de milhões de dólares. É aquele típico projeto que, se der errado, acaba com a carreira do sujeito, mas, nada que a frieza do canadense não possa deixar tudo sob controle.

GABRIEL MASCARO

Não é raro encontrar pessoas que veem no cinema apenas um entretenimento, passatempo para se distrair dos problemas do dia a dia. Sim, o cinema pode ser isso, mas, pode ser muito mais também. Recifense de 36 anos, Gabriel Mascaro, através de seus filmes, apresenta observações incômodas sobre este Brasil repleto de contrastes, preconceitos, perigos e invisibilidades.

Em 2009, Mascaro já chamara a atenção com “Um Lugar ao Sol”, documentário com depoimentos de moradores das luxuosas coberturas residenciais de Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. O ‘boom’, entretanto, veio com “Domésticas”, de 2013, em que mostra, a partir do olhar de adolescentes, o cotidiano das empregadas domésticas de suas casas. Se a proposta escolhida para fazer o filme dividiu muita gente, o debate trazido sobre a invisibilidade destas profissionais e a opressão amistosa mostrava o perfil do diretor em jogar olhares contestadores sobre nosso modelo de sociedade, costumes e tradições.

Se “Ventos de Agosto” mostra um Mascaro mais comedido e aprimorando seu traço estético, “Boi Neon” é a maturidade deste processo, um filme sobre um Nordeste entre o arcaico e o plural, capaz sempre de quebrar expectativas na narrativa e no visual. Uma das obras-primas do cinema nacional desta década.

Apesar de repetitivo e não conseguir explorar todos os meandros do universo da trama, “Divino Amor” traz o pernambucano tecendo construções preciosas sobre o crescimento do projeto de poder evangélico no Brasil atual ao propor uma ficção científica não tão distante dos nossos dias. Em uma época tão retrógrada como a atual, artistas como Mascaro são ainda mais necessários para nos fazer questionar e refletir.

GRACE PASSÔ 

Me desculpe Sônia Braga, Karine Teles, Selton Mello ou Wagner Moura, mas, a cara do cinema brasileiro na década 2010 foi Grace Passô.

E pensar que esta trajetória no setor começa timidamente com a participação em “Elon Não Acredita na Morte”, de 2016. Depois, entretanto, a atriz faz brilhantes atuações em dois filmes essenciais para a filmografia da nossa produção atual: “Praça Paris” e “Temporada”. Grace ainda realizou o irregular “No Coração do Mundo” em que é o ponto alto do suspense.

Além das atuações excepcionais, Grace Passô simboliza uma série de questões colocadas ao longo da década: o talento da mulher negra ainda tão invisibilizada no nosso cinema e sociedade como um todo; a quebra dos padrões de beleza e a autoestima com o próprio corpo, independente da estética ditada pelas campanhas publicitárias, televisão e do próprio cinema; o olhar para além das megalópoles com seus sotaques e dramas tão relevantes quanto de RJ-SP.

Espera-se que novas mulheres negras consigam evidência no cinema nacional a próxima década, sejam atrizes, cineastas, roteiristas, montadoras, diretoras de fotografia…

GRETA GERWIG 

A corrida de Frances pelas ruas de Nova York ao som de “Modern Love”, de David Bowie, é a típica cena que poderia definir a carreira de um ator. Como deixar de associar a imagem de uma personagem tão carismática em um cult querido para o restante da vida artística? Se Ellen Page até hoje nos faz recordar de “Juno”, Greta Gerwig conseguiu se desvencilhar desta armadilha. Os caminhos, entretanto, foram outros.

A californiana de Sacramento já havia insinuado com “Nights and Weekends” (2008) que buscava muito além de ser uma atriz ao dirigir o primeiro filme da carreira. Porém, era preciso se estabilizar na indústria do cinema para alçar voos maiores. As comédias “O Solteirão” com Michael Douglas, “Sexo sem Compromisso” com Ashton Kutcher e “Para Roma, Com Amor”, uma das piores comédias de Woody Allen, foram os pedágios até encontrar Noah Baumbach e fazer “Frances Ha”.

Os elogios colhidos na crítica e dentro da indústria permitiram uma liberdade maior à Greta trilhar o caminho pretendido, levando a fazer, ainda como atriz, projetos como “O Plano de Maggie”, “Mistress America” e “Mulheres do Século 20” e “Jackie”, todas obras protagonizadas por mulheres e, em alguns casos, comandados por diretoras. Nada comparado a uma passarinha que viria a chegar.

Com uma história pessoal e Saoirse Ronan e Laurie Metcalf perfeitas, Greta Gerwig comoveu o mundo inteiro com “Lady Bird”. A indicação ao Oscar de Melhor Direção, algo ainda tão difícil de ser alcançado para cineastas mulheres, mostra a potência do trabalho dela. Agora, ela retorna com uma nova versão de “Adoráveis Mulheres”, um projeto condizente com a força feminina e a ternura que sempre permearam a carreira dela.

JENNIFER LAWRENCE

Brie Larson, Emma Stone, Jessica Chastain, Lupita Nyong´o foram estrelas reveladas ou que atingiram o auge da carreira ao longo da década 2010. Mas, nenhuma delas, conseguiu a força de Jennifer Lawrence, o grande nome feminino de Hollywood nestes últimos anos.

Chega a ser louco tamanho o poder em Hollywood e popularidade alcançada por Lawrence ao longo desta década imaginar que, em 2010, ela era apenas uma garota saindo da adolescência. Tudo começou com um desempenho surpreendente em “Inverno da Alma”, conquistando a primeira indicação ao Oscar. Isso aos 20 anos de idade.

Jennifer Lawrence reunia atributos que qualquer executivo do cinema adora ter em seus projetos: beleza, carisma, talento para drama e comédia, personalidade. A Fox foi mais rápida e a levou para o blockbuster mais valioso do estúdio: a série “X-Men” para interpretar Mística.

Garantida a franquia para sempre ter onde se refugiar em sinal de crise e se tornar conhecida mundialmente, a estrela mirou também na consolidação de uma carreira como atriz e achou em David O. Russell um parceiro. Ao lado do diretor, fez “O Lado Bom da Vida”, comédia dramática supervalorizada em que era o grande destaque em um elenco formado por nomes como Bradley Cooper e Robert DeNiro. Resultado: Oscar de Melhor Atriz.

Hora de descansar, certo? Nada disso. Jennifer Lawrence assumiu outra grande franquia da década: “Jogos Vorazes”. Com roteiros ousados acima da média dos blockbusters, a série foi uma bela e inteligente surpresa em Hollywood, alçando a atriz a um patamar de referência das estrelas jovens do cinema americano. A nova indicação ao Oscar por “Trapaça” reforçou isso ainda mais.

Nem mesmo tropeços como “Serena”, “Joy”,“Passageiros”, “Operação Red Sparrow” e o declínio de “X-Men” diminuíram a força dela, que ainda pode se dar ao luxo de arriscar em um projeto tão divisivo como “mãe!”. Jennifer Lawrence foi o nome de Hollywood e um dos maiores do cinema mundial na década 2010.

MICHAEL B. JORDAN / RYAN COOGLER 

Muito se fala da dobradinha entre Leonardo DiCaprio e Martin Scorsese ou de Steven Spielberg com Tom Hanks, mas, a principal parceria desta década em Hollywood foi Michael B. Jordan e Ryan Coogler. Tudo começou logo no primeiro longa do diretor/roteirista “Fruitvale Station”.

A triste história baseado no caso real da morte de Oscar Grant pelas mãos de policiais colocou o ator no radar mundial após uma série de filmes sem grande repercussão (“Poder sem Limites” e “Blackout – Prisioneiros do Medo” e fez Coogler despertar a atenção dos grandes estúdios pela narrativa concisa e muito precisa, além da recriação técnica perfeita do caso.

Com o primeiro passo muito bem dado, Coogler/Jordan saltaram em um projeto pouco animador.  “Creed” chegou aos cinemas com cara de ser mais um dos filmes tentando entrar na onda da nostalgia para faturar alguns trocados dos fãs da franquia “Rocky”, desgastada após vários e vários longas sem inspiração.

Quem apostou contra o filme quebrou a cara: dosando bem homenagem e capacidade de seguir pelo próprio caminho, “Creed” agradou os fãs antigos e conquistou novos adeptos. Jordan não se intimida com a presença do mito Sylvester Stallone para criar um personagem à altura de Rocky Balboa e fazer o público torcer junto com ele.

Nada disso, porém, se compara ao que foi visto depois com “Pantera Negra”. Ryan Coogler apresentou o melhor filme da Marvel Studios graças a uma trama conectada aos dilemas vividos pelos negros ao longo da História. Michael B. Jordan simboliza tudo isso com o complexo vilão (ou seria herói?) Killmonger. O duelo entre ele e o herói se assemelha às visões opostas na luta contra o racismo e discriminação travados por Malcolm X e Martin Luther King.

Ryan Coogler e Michael B. Jordan mostram como é possível sim aliar bons roteiros com relevância social forte em blockbusters de Hollywood, entregando um produto de altíssima qualidade. Estranho parecer ser tão difícil para tanta gente…

RACHEL MORRISON 

‘O lugar da mulher é onde ela quiser’.

Sem dúvida, esta é uma das frases da década e simboliza a luta para que, no século XXI (!!!), tenhamos, finalmente, paridade e igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho e na sociedade como um todo. O cinema esteve no centro desta ebulição após a divulgação dos escândalos de abusos sexuais envolvendo Harvey Weinstein e os surgimentos dos movimentos #MeToo e Time´s Up.

Dentro deste cenário, Rachel Morrison atingiu um feito marcante neste lento processo de conquistas: ser a primeira mulher indicada ao Oscar de Melhor Direção de Fotografia. Para chegar lá, passou por uma longa trajetória iniciada em 2002 com curtas-metragens. Durante mais de uma década, fez carreira em séries desconhecidas, curtas e longas sem grande repercussão.

A mudança de patamar veio junto com a dupla Ryan Coogler/Michael B. Jordan em “Fruitvale Station”. O estilo próximo do documentário e uma câmera sufocante, sempre em movimento e próxima dos personagens, era um dos pontos altos do longa de 2013. Morrison trabalhou em outros projetos menores, mas, com certo destaque como “Cake” e “Dope – Um Deslize Perigoso”.

Filme responsável pela indicação ao Oscar, “Mudbound” mostra Rachel construindo, ao lado da diretora Dee Rees, uma fascinante conexão dos personagens com a lama em que mostra como todos estão ali atolados em situações desesperadoras, abandonados pelo Estado. Novamente, a elegância e sutileza dos planos utilizados por ela são imprescindíveis para o sucesso do longa de 2017.

Para “Pantera Negra”, Rachel adota uma linha mais convencional, mas, com momentos de brilho. Em 2019, participou de “Seberg” e, para o ano que vem, lança o primeiro trabalho como diretora de longa com “Flint Strong”.

ROBERT EGGERS 

Houve até quem apontasse estarmos vivendo a era do pós-terror. Exageros à parte, de fato, o gênero, estagnado por anos de found-footage e irritantes jump-scares, conseguiu uma safra impressionante de grandes e relevantes filmes como há muito não se via. O mundo cada vez mais conservador, sombrio e retrógrado – Trump, Brexit, terrorismo, fanatismo religioso, Bolsonaro – aliado a uma geração de diretores e roteiristas dispostos a adicionar pitadas de filosofia, antropologia, sociologia, religião em suas tramas deram um novo patamar ao horror.

Ari Aster (“Hereditário”, “Midsommar”), Jordan Peele (“Corra”, “Nós”), Jennifer Kent (“Babadook”), David Robert Mitchell (“Corrente do Mal”) são alguns dos principais nomes desta leva de diretores com grandes filmes recentes de terror. Robert Eggers representa a turma nesta lista.

Durante boa parte da carreira, Eggers trabalhou como diretor de arte em curtas-metragens. Chegou até a dirigir alguns na década anterior – “Hansel and Gretel” (2007) e “The Tell-Tale Heart” (2008), mas, tornou-se reconhecido mundialmente em 2015 com “A Bruxa”. Apostando na atmosfera claustrofóbica de uma região isolada, cercada de floresta e mato, com a cegueira dos protagonistas causada pelo fanatismo religioso, a produção traz uma brilhante atuação de Anya Taylor-Joy e dialoga com um mundo atual cada vez mais radical e intolerante como aquele que vemos em tela.

Na reta final da década, Robert Eggers entrega “O Farol”. Novamente a claustrofobia se faz presente desde o formato de tela de 1.19:1 passando pela entrega absoluta da dupla de protagonistas, Robert Pattinson e Willem Dafoe, até a condução da história ao mostrar que o grande mal está mesmo na cabeça de cada um nós.

ROONEY MARA 

Como todo bom atxr que se preze, Rooney Mara penou muito antes de fazer sucesso. Nos anos 2000, fez pontas em “Friends”, “E.R” e até no remake de “A Hora do Pesadelo”. Eis, então, a oportunidade de uma pequena, mas, significativa ponta em um certo filme chamado “A Rede Social”, de David Fincher. Mesmo com pouco tempo em cena e contracenando com Jesse Eisenberg em um dos melhores personagens da década, ela conseguiu demonstrar personalidade e talento suficiente.

Porém, Fincher não chegou a notar de imediato que estava trabalhando com a protagonista de seu próximo projeto, “Millenium – Os Homens que não Amavam as Mulheres”. Rooney Mara passou por dois meses de testes junto com diversas atrizes até conseguir interpretar Lisbeth Salander.

Para nossa sorte, um acerto e tanto: de longe, ela é o ponto alto de um filme superestimado. Desde o visual até a composição repleta de rebeldia e força, Mara é hipnotizante em cena a ponto de ter conseguido a indicação ao Oscar de Melhor Atriz logo no primeiro grande papel de destaque da carreira.

Dali por diante, a atriz emendou uma série de trabalhos dos mais diferentes gêneros – drama com “Lion”, “Trash”, “De Canção em Canção”, terror com “Sombras da Vida”, aventura com “Peter Pan”, comédia romântica com “Ela” e, claro, no romance com “Carol”, a melhor atuação dela até aqui.

Versátil como poucas atrizes da sua geração e com a capacidade de se transformar visualmente de um projeto para outro, Rooney Mara é uma daquelas estrelas do cinema indecifráveis, em que nunca é possível saber qual será seu próximo passo. Por isso, torna-se fascinante acompanha cada projeto em que esteja envolvida.

RUBEN OSTLUND 

Com dois filmes feitos na década passada – “Gitarrmongot”, de 2004, e “Involuntário”, de 2008 -, o sueco Ruben Ostlund era uma figura apenas conhecida do circuito dos festivais e de poucos cinéfilos mundo afora. A história começa a mudar a partir de 2014 com “Força Maior”.

No longa sobre o pai que sai correndo para salvar a própria vida enquanto deixa a mulher e os filhos à mercê de uma avalanche, Ostlund traz o humor ácido e sarcástico, repleto de ironias, para retratar dilemas atuais sobre o papel do homem e da mulher na sociedade, o nosso egoísmo versus o instinto de sobrevivência, a paternidade e maternidade. Tudo isso sem a tentativa de dar lição de moral; apenas o bom e velho deboche. “Força Maior” conseguiu vencer o Un Certain Regard do Festival de Cannes e indicado ao Globo de Ouro.

Ruben Ostlund resolveu, então, dobrar a aposta e mirou no próprio mundo das artes em “The Square: A Arte da Discórdia”. O consumo predatório de obras como se fosse um produto qualquer, o elitismo de museus e exposições, a pseudo intelectualidade de artistas com suas obras sem sentido; tudo vira alvo nas mãos do sueco. Cannes se encantou pelo projeto a ponto de vencer a Palma de Ouro de 2017 e conseguir indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2018.

TIMOTHÉE CHALAMET 

Interpretando o filho de Matthew McConaughey, Timothée Chalamet chorou ao perceber que a participação dele em “Interestelar” era bem menor do que imaginava. Mal sabia que a ficção científica de Christopher Nolan seria apenas o primeiro dos grandes filmes que iria realizar a partir dali.

Após participações em obras esquecíveis (“O Natal dos Coopers”, “Miss Stevens”, “Traumas de Infância”), Chalamet foi escalado por Luca Guadagnino para fazer “Me Chame Pelo Seu Nome”. A energia da juventude aliada a fragilidade de alguém conhecendo o primeiro amor e a própria sexualidade tornam fascinante acompanhar Elio. O desfecho do filme com o ator olhando para a câmera é daqueles momentos para imortalizar qualquer ator.

Para a felicidade geral de cinéfilos, “Me Chame Pelo Seu Nome” foi apenas o ponto de partida e Chalamet emendou diversos filmes importantes – “Lady Bird” e “Adoráveis Mulheres”, de Greta Gerwig, “Querido Menino”, de Felix van Groeningen, “Um Dia de Chuva em Nova York”, de Woody Allen, e “O Rei”, de David Michôd.

A confiança no talento de Timothée Chalamet é tanta que ele está confirmado como protagonista de duas das produções mais aguardadas de 2020 – “The French Dispatch”, de Wes Anderson, e “Duna”, de Denis Villeneuve. Tudo indica que o ator será o rosto de Hollywood na década 2020.

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