Caio Pimenta analisa quais deveriam ser os ganhadores do Oscar em nove categorias, incluindo Melhor Direção e roteiros.

CURTA E SOM

Vamos começar com os curtas de ficção.   

O meu favorito é o israelense “White Eye” seguido pelo palestino “O Presente” depois “Dois Estranhos”, disponível na Netflix, “The Letter Room” com o Oscar Isaac, e “Feeling Through”. 

No geral, é uma seleção bem irregular: “White Eye” está bem acima dos demais, apesar de gostar bastante de “O Presente”. “Dois Estranhos” e “The Letter Room” até tem seus bons momentos: o primeiro aproveita um mote conhecido de filmes como “Feitiço do Tempo” para protestar contra a morte do George Floyd e o segundo traz uma ótima atuação do Oscar Isaac. Porém, ambos são longos demais e vão cansando à medida do tempo. Por fim, “Feeling Through” é uma lição de moral das mais piegas deste Oscar. 

Em Melhor Som, eu quero que “O Som do Silêncio” seja o vencedor. O segundo lugar fica com “Greyhound” seguido por “Mank”, “Soul” e “Relatos do Mundo”. 

É inegável como o som é fator fundamental para a imersão até sensorial do público em “O Som do Silêncio”. Sentimos junto com o protagonista todas as angústias e descobertas do processo de perda da audição.

Agora, vale destacar demais aqui “Greyhound”: é um filme morno com o Tom Hanks, mas, que o design de som impressiona pela riqueza de detalhes e é fator decisivo para construir o clima de tensão das sequências de ação. 

TRILHA SONORA E CANÇÃO ORIGINAL

Agora é a vez de trilha sonora em que eu votaria facilmente em “Soul”. “Minari” seria o vice acompanhado, na ordem, por “Mank”, “Relatos do Mundo” e “Destacamento Blood”.   

Fico com “Soul” pela forma como é uma trilha eclética ao trazer o jazz mais acelerado, forte com o Jon Batiste nas sequências em Nova York, enquanto ganha uma pegada mais eletrônica, experimental com o Trent Reznor e o Atticus Ross. Acho também o trabalho da dupla em “Mank” excelente remetendo à trilha do Bernard Hermann de “Cidadão Kane” e os noirs dos anos 1940.

Por fim, eu recomendo que vocês escutem a trilha de “Minari”: as composições do Emile Mosseri unem delicadeza e tensão comoventes até melhor do que o filme alcança.   

Já em Canção Original, minha torcida vai para a H.E.R por “Fight for You”, de “Judas e o Messias Negro”. Não ficaria triste com a vitória de “Speak Now”, de “Uma Noite em Miami” e até “Io Si”, de “Rosa e Momo”. Já “Husavik”, de “Eurovision”, e “Hear My Voice”, de “Os Sete de Chicago” ficam na minha última posição.   

A pegada soul anos 1970 de “Fight For You” aliada à letra da H.E.R em uma convocação à resistência são sedutoras demais para mim. Já “Speak Now” tem a melhor interpretação das cinco canções e acho também que seria uma boa homenagem ao Leslie Odom Jr e ao próprio filme que foi esnobado nas indicações.

“Io Si” casa bem com o melodrama do filme, mas, só torço para ele por conta da Diane Warren e da Laura Pausini. 

DESIGN DE PRODUÇÃO E FOTOGRAFIA

“Mank” é o meu favorito para levar Design de Produção. Logo depois, viriam “Meu Pai”, “A Voz Suprema do Blues”, “Tenet” e “Relatos do Mundo”.  

Aqui, tem uma briga pesada:  “Mank” e “A Voz Suprema do Blues” reconstituem com brilhantismo as épocas de seus filmes com uma riqueza de detalhes e na construção pesada daqueles universos em que gravitam os personagens, enquanto o design de produção de “Meu Pai” é fator fundamental para criar o labirinto sem saída na mente do protagonista e do público.    

Apesar de sempre achar saudável a presença rara de filmes contemporâneos como “Meu Pai”, aqui, eu premiaria “Mank”, especialmente, pela reimaginação da mansão de Willian Randolph Hurst, um dos elementos chaves de “Cidadão Kane”.    

Em direção de fotografia, o meu favorito é “Nomadland” seguido por “Mank”, “Relatos do Mundo”, “Judas e o Messias Negro” e “Os Sete de Chicago”.   

Aqui, não tem como ser diferente do Joshua James Richards por “Nomadland”: curioso como ele amplia o já feito em “Domando o Destino” para explorar a relação entre aquela mulher e a natureza através de planos abertos e, ao mesmo tempo, intimistas.   

Pena para o Erik Messerschmidt que também faz um trabalho excelente em “Mank”.  

 ROTEIRO

O vencedor de roteiro adaptado deveria ser “Meu Pai”. Depois ficaria com “Uma Noite em Miami”, “Nomadland”, “Borat 2” e “O Tigre Branco”.  

Os meus dois favoritos são adaptações de peças em que os autores delas fizeram o roteiro. Pela engenhosidade da construção da história e a forma como encaixa o conceito da demência nela, fico com “Meu Pai”. Lamento apenas a indicação de “O Tigre Branco” no lugar de “First Cow”.   

Em Roteiro Original, eu votaria em “Bela Vingança” para vencer. Depois, ficaria com “O Som do Silêncio”, “Judas e o Messias Negro”, “Os Sete de Chicago” e “Minari”.   

Apesar da reta final confusa, “Bela Vingança” consegue ser tão engenhoso na sua crítica ao machismo e à cultura do estupro que merece demais o prêmio.   

DIREÇÃO

Para encerrar esta primeira parte, em Melhor Direção, fico com a Chloé Zhao, de “Nomadland”. Depois, viriam, Emerald Fennell, Thomas Vintenberg, David Fincher e Lee Isaac Chung.   

Além de já ter passado da hora de uma mulher voltar a ganhar o Oscar de Direção, a Chloé Zhao realmente faz o melhor trabalho de direção da temporada.   

“Nomadland” é um épico intimista capaz de captar o espírito esquecido de um país através de uma população também abandonada. A delicadeza desta construção merece o reconhecimento. 

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