Caio Pimenta segue analisando quais deveriam ser os ganhadores do Oscar em nove categorias, incluindo Melhor Filme e atuações.

DOCUMENTÁRIO E ANIMAÇÕES

Entre os documentários em longas-metragens, meu favorito é o chileno “O Agente Duplo” seguido pelo romeno “Collectiv”, “Professor Polvo”, “Time” e “Crip Camp”. 

Para mim, “O Agente Duplo” tem a abordagem mais ousada transitando entre documentário e ficção sendo capaz de tocar em diversos pontos sensíveis daquele universo. É uma delícia e, para quem não viu, está disponível na Globoplay. Ainda assim, não ficaria chateado por uma possível vitória de “Colectiv” até mesmo para jogar uma luz ainda maior no absurdo caso de corrupção romeno que tanto fala com diversas partes do mundo. 

Não podia ser diferente: “Soul” é o meu favorito em Melhor Animação. Depois, coloco “Dois Irmãos”, “Wolfwalkers” e “A Caminho da Lua”. E, sorry, mas, não tive coragem de ver “Shaun”. Já em curta-metragem, fico com “Opera” seguido por “Se Algo Acontecer, Te Amo”, “Yes People”, “Toca” e “Genius Loci”.

“Soul” está muito muito acima dos demais indicados no roteiro, nos dubladores, na trilha, na técnica, enfim, não tem nem muito que discutir. Já nos curtas, para mim, “Opera” é o mais instigante de todos com seu ciclo de tensões sociais da humanidade. Dá vontade de ver e rever por horas para ficar observando cada detalhe, o que quer dizer cada um deles naquela pirâmide social.

FIGURINO A MONTAGEM

Em Melhor Figurino, “Emma” deveria ser o vencedor seguido por “A Voz Suprema do Blues”, “Mank”, “Mulan” e “Pinóquio”. Já em Maquiagem e Penteado, o meu favorito seria o longa com a Viola Davis. Depois, viriam, “Pinóquio”, “Emma”, “Mank” e “Era uma vez um Sonho”.

A maquiagem da Viola Davis é um dos pontos altos de “A Voz Suprema do Blues”, sendo capaz de passar muito da personalidade e também do cansaço da personagem.

Já o figurino de “Emma” consegue trazer uma jovialidade e leveza para os tradicionais longas de época britânicos que acaba sendo o ponto alto do filme facilmente.

O fraquíssimo “Tenet”, na minha visão, deveria ser o ganhador de Melhores Efeitos Visuais. Depois, viriam “Amor e Monstros”, “O Grande Ivan”, “O Céu da Meia-Noite” e “Mulan.”

O Christopher Nolan é um especialista de efeitos visuais práticos em Hollywood na atualidade e ele se supera em “Tenet”, criando sequências de ação impressionantes ainda que a serviço de um filme estéril.

O Oscar de Melhor Montagem deveria ir para “Meu Pai”. Na sequência, fico com “O Som do Silêncio”, “Nomadland”, “Os Sete de Chicago” e “Bela Vingança”.

Aqui, vejo um abismo entre “Meu Pai” e os demais concorrentes: o Yorgos Lamprinos é peça-chave na engrenagem angustiante elaborada pelo Florian Zeller. O risco de se perder na proposta deixando tudo confuso era imenso, porém, ele se sai muito bem e oferece ao público uma boa noção de como funciona o processo da demência na mente da pessoa.

ATUAÇÕES

Nos coadjuvantes, o Leslie Odom Jr é o meu favorito entre os homens seguido pelo Daniel Kaluuya, Paul Raci, Lakeith Stanfield e o Sacha Baron Cohen. Minha favorita de atriz coadjuvante é a Maria Bakalova. Depois, aparecem a Yuh-Jung Youn, Olivia Colman, Amanda Seyfried e Glenn Close.

Ator coadjuvante está muito difícil: o Leslie Odom Jr, Kaluuya e o Raci têm atuações do mesmo nível de excelência, quase um empate. Minha preferência acaba sendo pelas sutilezas dos pequenos gestos utilizados pelo Leslie para compor o Sam Cooke, fora a bela interpretação final de “A Change is Gonna Come”.

Sobre atriz coadjuvante, vejo a Bakalova superior às demais pela naturalidade com que ela constrói a personagem sempre colocada em situações muito delicadas. E não é todo dia que você rouba a cena do Borat. De todos os indicados, só ficaria insatisfeito com as vitórias da Glenn Close e do Sacha Baron Cohen.

Nas categorias principais, em Melhor Ator, meu Oscar vai para o Riz Ahmed seguido por Anthony Hopkins, Chadwick Boseman, Gary Oldman e Steven Yeun. Carey Mulligan, Viola Davis, Frances McDormand, Andra Day e Vanessa Kirby são, pela ordem, minhas escolhidas em Melhor Atriz.

O mesmo que disse em relação a ator coadjuvante vale para principal: Ahmed, Hopkins e Boseman são gigantes e estão em um empate técnico.

Minha preferência pelo astro de “O Som do Silêncio” vai da quebra da expectativa daquilo que se convenciona como vencedor de Oscar: afinal, é uma atuação serena, melancólica sobre um difícil aceitação e adaptação de uma nova realidade.

Já em atriz, apesar de todas as cinco concorrentes também serem gigantes, a minha preferida é a Carey Mulligan.

São tantas nuances dentro de uma mesma personagem – a mulher sexy ao lado da traumatizada, a irônica e ameaçadora junto com a sensível e apaixonada. Tudo isso em uma personagem simbólica de uma nova era feminista de Hollywood.

MELHOR FILME

Por fim, vamos a Melhor Filme: no meu Oscar, “Meu Pai” seria o vencedor seguido por “Bela Vingança”, “O Som do Silêncio”, “Nomadland”, “Judas e o Messias Negro”, “Minari”, “Mank” e “Os Sete de Chicago”.

Desta turma toda, ficaria irritado com as vitórias de “Minari”, “Mank” e “Os Sete de Chicago”. Todos os outros mereceriam tranquilamente.

Agora, “Meu Pai” fica no topo por ser o filme mais completo da temporada: uma direção inventiva a partir de uma abordagem ousada para dimensionar o público em um complexo e angustiante problema mental. Tudo isso com dois atores na melhor forma, um ótimo roteiro, montagem e direção de arte precisos.

Por outro lado, se fosse escolher um vencedor pelo viés político, social da mensagem que a Academia poderia passar para a sociedade, o meu escolhido ficaria com “Bela Vingança”, um filme ousado indo contra a cultura do estupro e o machismo. Seria uma baita resposta para um evento que, durante anos, foi dominado pelo Harvey Weinstein.

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